Eu sou louco!

Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças! (este blog está registado sob o nº 7675/2005 na IGAC - Inspecção Geral das Actividades Culturais)

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terça-feira, março 07, 2006

Lucerna - Lucerne - Luzern

Estávamos no final da primavera de 1980.
Trabalhava há pouco mais de um ano na CIFA – Companhia Industrial de Fibras Artificiais e fui convocado para ir, juntamente com um colega um bom pedaço mais velho, o Eng.º Sarmento, e mais dois sujeitos de uma firma de montagens mecânicas que já não existe, ver o equipamento de produção de viscose (ou raione ou seda artificial) de uma empresa suíça que ía acabar com o fabrico desse produto.
Era a Viscose – Suisse.
Eu iria na qualidade de chefe de produção da parte química do fabrico e o meu colega como chefe do sector de estudos e novos investimentos. O objectivo era o de, eventualmente, adquirir algum equipamento usado para a nossa unidade fabril de Valongo. Os outros parceiros iriam tentar avaliar os custos de desmontagem, transporte e montagem dos materiais que nos pudessem interessar.
Voamos na Swissair num dia de céu limpo e sol radioso e aterramos em Zurique. Depois, alugamos uma viatura e fomos para a cidade mais próxima, muito pertinho mesmo, da fábrica: Lucerna (ou Lucerne ou Luzern).
Lá estivemos durante quatro dias, muito bem instalados num hotel Carlton (mas que categoria!) em quartos com uma esplendorosa vista para o Lago dos Quatro Cantões (ou de Lucerna ou Vierwaldstättersee) e para o monte Pilatus, situado muito perto da cidade e imponente nos seus mais de dois mil metros de altitude e chapéu branco.
Curiosamente, esse foi o primeiro dia de sol nessa belíssima cidade e o degelo imediatamente começou. Ao fim do segundo ou terceiro dia, a água que saía da torneira era de uma frialdade entorpecedora. Impossível não recorrer à que era aquecida.
Apesar de passarmos os dias em trabalho, logo que possível regressávamos à cidade para dar um passeio pelo longo e largo jardim junto do lago. As águas deste eram de uma limpidez de cristal, o que só era possível porque os esgotos da cidade eram muito bem depurados. Também as ruas, como é apanágio daquele país, eram de um asseio exemplar.
Pudemos constatar que havia muitos turistas, nomeadamente norte-americanos, e que o centro histórico, com edifícios antigos mas muito bem conservados e aproveitados, tinha inúmeras esplanadas cheias de gente a comer e, sobretudo, beber cerveja.
A urbe situava-se num dos extremos do lago e deste saía um pequeno rio que tinha o leito todo betonado de forma que já não era rio mas canal trapezoidal.
Perto da sua nascente, havia a mais velha ponte de madeira da Europa. Era muito estreita e toda fechada, de forma que quem a atravessava, em vez de ver o exterior podia apreciar pinturas representativas de cenas rurais, de caça e de pesca.
Há uns anos li a notícia de que esse monumento património da humanidade tinha sido devorado pelo fogo. Mas, posteriormente, soube que havia sido reconstruído. Ainda bem!
Mas outras pontes havia, mais modernas, todas elas pequenas mas de bonita traça arquitectónica.
Não tenho registos dessa viagem para lá de fotografias. Mas lembro-me do encantamento que a todos provocou conhecer Lucerna. É uma cidade muitíssimo bonita e recomendo a quem tiver possibilidades de lá passar uns dias, que o faça. Fica no centro do país, num cantão onde se fala alemão.
Numa das noites, fomos dar um passeio turístico no Night Boat. A refeição principiou mal o barco largou e começou a vogar pelo lago adentro, com uma escuridão total no exterior. Consistiu só de um fondue de queijo, com pão; mas ambos os componentes eram de uma paladar estupendo. Uns grupos folclóricos dançaram e tocaram canções com a conhecida sonoridade da música tirolesa. A certa altura, os passageiros foram desafiados a tentar que um típico instrumento dos pastores alpinos conseguisse emitir som ao ser soprado por algum dos forasteiros. Tinha a forma tubular, com três ou quatro metros de comprimento e depois revirava para cima e abria na extremidade. A zona da curva apoiava-se no solo. A maior parte dos que fizeram a tentativa, apesar de ficarem com a cara vermelha de com tanta força bufarem, não lograram ter sucesso, por oposição aos tocadores que, sem esforço, antes com jeito, dele tiravam um estridente e prolongado ronco. Mas não querem saber que o Sarmento conseguiu que o instrumento tocasse? Foi logo motivo para realçarmos a nossa portugalidade. Parece uma coisa um pouco prosaica mas, no estrangeiro, sentimos muito mais o nacionalismo do que cá por casa.
Ao fim dos quatro dias decidiu-se não adquirir nenhum do equipamento que víramos, mas conseguiu-se que eu lá ficasse mais cinco dias a fazer uma espécie de estágio.
E assim vi-me sozinho em Lucerna.
Como não tinha quarto no hotel, fui procurar outro e alojei-me num que ficava mesmo no centro da zona antiga.
Durante o dia tinha trabalho, mas à noite e no fim-de-semana que lá passei tive de arranjar como despender o tempo.
No domingo resolvi ir ao cimo do monte Pilatus.
Encetei a viagem num de muitos teleféricos pequenos, de quatro lugares, que iam subindo com uma inclinação suave ao longo do sopé da montanha e se cruzavam constantemente com os que desciam. Andava muitas vezes a três ou quatro metros do solo. Viam-se as vacas a pastar e ouviam-se os seus chocalhos. E, sendo fim-de-semana, eram inúmeras as pessoas que, com botas adequadas, bem agasalhadas e munidas de um cajado ou coisa parecida, íam praticando montanhismo.
Até que chegamos a uma plataforma onde mudamos para um teleférico bem maior.
E numa segunda para o gigante que nos haveria de levar até muito perto do cume. A altura era descomunal e assustadora. Em certo momento, ao passar por um poste de sustentação das catenárias que suportavam a enorme caixa, tivemos a sensação que tudo iria cair. Foi tão só o solavanco na passagem da coluna, mas suficiente para o estômago dar voltas dentro de nós e se ouvirem gritos de pânico. Mas em segundos tudo foi substituído por comentários de alívio e risadas nervosas.
Nesse dia já havia pouco gelo no cimo. A fusão fora rápida, mas o frio era muito. Desci logo que pude.
Havia um outro meio de fazer a subida, por funicular (acho que é assim que se chamam aqueles comboios-elevadores com cremalheira para suportar grandes inclinações). Mas não fiz essa experiência.
Chegado de novo ao ponto de partida, cá em baixo na cidade, caiu uma bátega de água monumental. Quando cheguei ao hotel tive de mudar a roupa toda.
E quanto às noites?
Eram bem animadas as noites de Lucerna.
Depois de ficar sozinho, andei a ver uns espectáculos engraçados.
Lembro-me de uma pequena sala, com mesas e cadeiras dispostas em anfiteatro, onde actuou durante duas ou três horas uma banda musical que só tocava e cantava canções dos Beatles. Foi divertido!
Também vi uns strip-tease (tinha de ser) e fui a uma casa de alterne.
E não me lembro de mais.

Pensando melhor!
Recordo-me que apresentei os bilhetes ou recibos de todos esses espectáculos na empresa, para eles me pagarem. Passados uns dias, recebi um telefonema do chefe da Contabilidade a dizer:
- Sabe, Sr. Fulano, não é habitual este tipo de despesas serem pagas pela empresa, mas desta vez vamos abrir uma excepção – disse ele.
- Peço desculpa, Sr. Pinto, mas não fazia ideia – respondi, fazendo-me de parvo.
E continuei:
- Agradeço a vossa compreensão e garanto que tal não se irá repetir.
Passados dois anos e meio a empresa faliu.
Ainda hoje me pergunto se terá sido por causa dessas despesas extra que eles me pagaram.

33 Comments:

Blogger pinky said...

hummmm...não me parece que essa empresa tenha falido á custa das tuas despesas extra, mas que foi um descaramento pô-las no rol de despesas a pagar pela empresa, lá isso foi, haja lata! e pelos vistos resultou, boa! belos passeios que o sr. antónio tem dado! sim sr! keep on having fun!

1:53 da manhã  
Blogger amigona said...

não me apetece comentar o teu longo texto! hoje só me apetece preguiçar!

10:26 da manhã  
Blogger wind said...

Uma prosa muito bem descrita e narrada, onde vais aos pormenores e visualizamos tudo:) Tu eras fresco, eras:) ehehehe. beijos

10:40 da manhã  
Anonymous Topazio said...

Senti-me como quando era criança e lia as obras do Eça, viajando com ele, maravilhada, descobrindo, Lisboa, Sintra ou Paris, sítios que nem sonhava nessa altura vir a conhecer...
Gosto dos pormenores.
Parabéns

10:59 da manhã  
Blogger Paula Raposo said...

Relato bem pormenorizado, António!! Adorei ler. Beijinhos.

11:53 da manhã  
Anonymous GR said...

A inocência da juventude!
Então! Apresentar contas extras?!!!
Já podes ir para deputado!

A narração está uma maravilha!
A descrição é tão real, quase fiquei com tonturas no teleférico!
Devem ser lindas, as vacas com os chocalhos. Parecem estar sempre tão limpas!

Não estava à espera que esta crónica finalizasse desta maneira!
Fartei-me de rir!
Consegues dar sempre a volta!
Adorei esta crónica!

Bjs,

GR

2:52 da tarde  
Blogger wind said...

Só aqui vim dizer que o poema que coloquei não é surrealista. lol. beijos

3:04 da tarde  
Blogger António said...

Para "GR":
Obrigado pelos teus elogios.
Eu sei que são sinceros.

Agora diz-me cá uma coisa:
31 anos, recém-casado, sangue na guelra e sozinho no estrangeiro para servir a empresa?
Achas que me ía meter no quarto qual monge beneditino?
Chiça!
Era capaz de apanhar uma depressão.
Por isso entendi que a empresa me devia pagar as despesas de convívio social.
E eles acabaram por concordar...ah ah ah

Beijinhos

4:01 da tarde  
Blogger lena said...

fazes as tuas narrativas tão pormenorizadas e de uma descrição excelente que te consigo sempre acompanhar em todos os momentos, olha que acho eu te vi entrar na tal casa de alterne, e ainda espreitei o strip-tease, não havia homens, não me interessou, ah ah ah ah.

Não senti as tonturas porque adoro as alturas e adoro andar nos teleféricos, ouvi os teus gritos e eu ria ….

não mandaste as facturas propositadamente para ver se pegava?

Como sempre adorei ler-te meu querido amigo


Beijinhos muitos para ti

lena

4:29 da tarde  
Blogger Ana Maria said...

António que maravilha de imagens e paladares.
Voltaste como contador de histórias e isso é bom!
essa das despesas são os remorsos que tens da noção do uso indevido de fundos alheios,hihihi!
um grande abraço

5:58 da tarde  
Blogger Betty Branco Martins said...

Querido António

Como eu conheço bem essa linda cidade, Lucerne.

E a tua história (sempre surpreendente) como já nos habituaste:)

Beijinhos

8:05 da tarde  
Anonymous Ana Joana said...

Bom dia António!

E hoje? Acho que farias tudo mais ou menos igual rsss, inclusivamente a apresentação das despesas ahahah. Sente-se esse espírito de puto reguila a fervilhar por aí!!

Beijinhos
Ana Joana

11:23 da manhã  
Blogger margusta said...

Meu querido,
..deixo-te um beijinho, logo volto para te ler...

11:45 da manhã  
Blogger António said...

Para "ana joana":
Obrigado pela visita!
Com que então puto reguila, hein?
Olha que não!
Mas já ouviste dizer:
"Fugi dos sonsos"?

Beijinhos

12:42 da tarde  
Blogger Caiê said...

Mas tu levas uma empresa à falência nas calmas com os teus pecadilhos... ;) Ai, António, quantos como tu... Por isso, estamos hoje a apertar os cintos até ficarmos de tanga... LOL

2:18 da tarde  
Blogger Eva said...

Devo confessar que hoje estou cheia de dores de cabeça e não estava a entender o texto que lia, no entanto gostei da parte em que apesentaste as despesas à empresa... eh eheh

3:54 da tarde  
Blogger A.na said...

Vim deixar-te o meu
A.mor,o meu A.deus.

Um grande A.braço meu mais
doce A.de A.migo.

Que tudo na vida
te continue a sorrir...que
tudo te seja sempre como as
coisas que foste deixando por
mim.

Beijos com sabores
de A.NAnaz.
:)

6:55 da tarde  
Blogger Zica Cabral said...

"A certa altura, os passageiros foram desafiados a tentar que um típico instrumento dos pastores alpinos conseguisse emitir som ao ser soprado por algum dos forasteiros. Tinha a forma tubular, com três ou quatro metros de comprimento e depois revirava para cima e abria na extremidade. A zona da curva apoiava-se no solo."


É a chamada trompa alpina. Vem dos "Lurers" egipcios tal e qual assim. Os melhor conservados e autenticos tesouros foram encontrados no tumulo de
Tut-Ank-Hamon e são lindos....(segundos a fotografias que vi poque nunca fui ao Museu do Cairo vê-los)
A tua descrição da viagem a Lucerna foi tão bem feita que me transportou até la´.......consegui ver a pontezinha de madeira e o lago de águas puras........Ai Antonio tu, de facto, tens um geito especial para escrever........nunca pares

Essa de apresentares as contas dos divertimentos à empresa foi uma boa golpaça......

8:18 da tarde  
Blogger guevara said...

ò senhores! um homem desse tamanho a fazer uma coisa dessas!!!

(brincadeirinha)

e ja agora deixo um beijinho, pois ha muito tempo que nao passava aqui. Gostei de (re)ler-te

8:28 da tarde  
Anonymous Maria Papoila said...

Não foram as despesas que fizeram a empresa falir mas do que mais gostei foi da descrição do teleférico. António quando fui ao Pico do Hafflecker em Insbruk jurei que não era a filha de meu pai que mais alguma vez entrava numa daquelas geringonças... Beijo

9:02 da tarde  
Blogger Luís Monteiro da Cunha said...

Concerteza que não foi só por essas despesas... mas que contribuiste é mais que certo...lol

Gostei de viajar contigo, neste texto sempre rico em detalhes... faltou o funicular, mas fica para outro dia... gostei ainda da diversão... nocturna, claro!

Abraço

11:19 da tarde  
Blogger margusta said...

António,
...uma delicia do principio ao fim!
Adorei "voar contigo" até á Suíça e conhecer através das tuas descrições aqueles locais tão lindos...a viagem no teleférico pareceu-me fascinante!
Abençoado Sarmento que não deixou ficar mal aqui o povinho Português...lol..
Disses-te que não te lembras de mais depois de teres contado que estiveste numa cas de alterne...será :)))
Talvez houvesse muitas despesas extras...por certo não foi a tua que fez fali a empresa ..lol..

Resposta a duas questões tuas...o A. é o meu filho do meio, o mais velho já vai fazer 20 anos.
O emprego já era...demorei muito tempo a tentar resolver a situação por que estava a passar, depois o falecimento do meu sogro, quatro dias depois uma tia minha...quando me decidi a vaga já estava ocupada...enfim...

Beijinhos querido António e continua a fazer as nossas delicias com a tua escrita!...

12:44 da manhã  
Blogger Malae said...

Querido amigo! Passei para deixar um beijinho! Amanha com mais tempo volto para te ler. Mas desde já adianto que adorei o fim de Viuvo!:D

O tempo continua a tramar-me! Felizmente, o meu pai continua a recuperar bem. :D Ainda de baixa, mas os exames mostram que tudo corre bem. A minha vida profissional continua na mesma... mas também tenho que confessar que neste ínicio de ano a busca tem diminuido, para poder dar mais atenção ao meu pai. Mas CV meus por aí é coisa que não falta. Espero por uma resposta a esses.

(Não fazes nada muitas perguntas! lolol)

Já falei com a minha amiga. :D Se souber quando és publicitado aviso. Mas não sei se será possivel com antecedência.

Um beijinho grande, caro amigo. E desculpa estas ausências prolongadas.

Beijos amigos,
Malae********************

12:53 da manhã  
Anonymous hodiguitria said...

Bom, depois disto - Lucerna será mais um destino a acrescentar à longa lista de locais que pretendo visitar... à conta da empresa, se possível! ;)

1:42 da tarde  
Blogger Vera Cymbron said...

Histórias muito tuas. Devias escrever um livro de memórias.
Jinhos, voltei.

3:13 da tarde  
Blogger myanmar said...

tu sabes narrar como ninguém:)
um livro com estas suas histórias era um presente que nos dava, senhor louco de nome antónio.*

3:40 da tarde  
Blogger amigona said...

Já comecei a ler... estou a gostar!

bom fim-de-semana!

5:14 da tarde  
Blogger Leonoretta said...

"mas que falta de humanidade tem esta mulher", rsssssssss

adorei.

tenho inveja de quem conhece tantos sítios no mundo. embora o contacto feito por uns dias com a cultura de um país nao seja o mesmo que estar la um ano por exemplo. falo por mim que so conhecia o norte durante oito dias no natal e oitos dias no verão.

enfim deixemos o fado da minha origem mourisca.

quanto á falencia da empresa não tenhas dúvidas.

abraço da leonoreta

5:38 da tarde  
Blogger lazuli said...

devias dar um bom politico, com esse jeito conciliador. Mais beijos.

7:31 da tarde  
Blogger lazuli said...

é puseste o nome da cidade em..poliglota.

7:44 da tarde  
Blogger lazuli said...

Há alturas certas, por acaso. Pode parecer uma contradição, mas não é. Uma palavra por acaso, num momento, pode fazer mais do que se imagina.
Assim és tu com as tuas palavras. Somos tão diferentes, primo, e tão parecidos.
És objectivo e cerebral, minucioso e organizado. Contas histórias duma forma intimista, e nem por isso menos objectiva. É aí que reside a sedução da tua escrita, quando apelas o leitor para partilhar contigo as situações que relatas.
Entramos no teu mundo, observamos, partilhamos. Sorrimos contigo, ficamos mais sérios contigo, hesitamos contigo..e vivemos cada momento, cada episódio, fascinados com a proximidade da tua presença.
Julgo que muitos pensarão também assim.
Desculpa tanta palavra, mas tinha que ser.

Beijos. Fernanda.

10:49 da tarde  
Blogger Su said...

gostei da tua história vivida e do modo como a contas, até consegui viajar contigo...
jocas maradas

3:17 da manhã  
Blogger heidy said...

Oh rapaz... eu cá acho que foi por causa dos strips! lolol :)

besos 3

1:36 da tarde  

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