Eu sou louco!

Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças! (este blog está registado sob o nº 7675/2005 na IGAC - Inspecção Geral das Actividades Culturais)

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segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Histórias curtas X - A ruiva e o namorado

Sónia Gonçalves conhecia Gustavo Galvão desde criança.
Para falar com mais rigor, desde que foram colegas na escola primária e depois no preparatório e no secundário.
Ela foi sempre uma boa aluna, estudiosa, interessada, mas ele era um rapaz brilhante, daquelas inteligências acima da média que sabia muito mais do que aquilo que os programas e os professores exigiam.
Era também um excelente andebolista e não faltava a uma missa semanal pois era muito religioso, um católico praticante.
Além disso eram quasi vizinhos.
Eles e mais três rapazes e duas raparigas andaram sempre juntos até ao 9º ano.
Depois separaram-se, fizeram o 12º e cada um seguiu o seu curso: o Gustavo foi para Engenharia, a Sónia para Jornalismo, a Luciana para a Escola Superior de Educação, o Pedro para Direito, a Joana também para Jornalismo, e o Luís e o Carlos para Desporto.
Os namoricos que até aí houvera tinham sido mais brincadeiras de adolescentes do que relações consistentes e sérias.
Mas agora, na fase terminal dos seus cursos, mais crescidos e maduros, Luís e Joana bem como Pedro e Luciana andavam envolvidos numa relação bem intensa.
Sónia sempre tivera um fraquinho por Gustavo e tentava demonstrá-lo com insistência, até que atingiu o seu intento conseguindo que o rapaz lhe pedisse namoro. Mas, em matéria de sexualidade, ele sempre dissera que queria ir virgem para o casamento e não queria ter qualquer tipo de sexualidade com a amiga de infância antes do matrimónio.
A rapariga, magra mas elegante, com uns cabelos ruivos que condiziam muito bem com as sardas que tinha na cara e no resto do corpo, por vezes lamentava-se ao rapaz das opções dele. Mas o Gustavo era inflexível.
- É pecado! Por isso gasto as minhas energias no desporto.
De vez em quando também se lamuriava com as amigas.
- Mas gosto dele o suficiente para não discutir as suas ideias. Respeito-as e mantenho-me casta sem grande sacrifício. Lá virá o dia em que vou tirar a barriga de misérias - dizia.
O Gustavo, alto e espadaúdo, cabelo cortado muito curto, tez um pouco morena e olhos castanhos, estava agora no último ano do curso.
Já dava aulas e preparava-se para seguir a carreira de docente universitário; eventualmente criar uma empresa de projecto para ter sempre contacto com a vida prática e tentar ganhar mais dinheiro.
Ele era filho único ao contrário dela que tinha mais duas irmãs. Parecidas, todas elas. Tinham puxado à mãe.

Mas, um dia, seriam umas sete da tarde, o telemóvel da Sónia tocou:
- És tu, Joana?
- Sou! Estás bem?
- Sempre, felizmente! – respondeu a namorada de Gustavo.
- Olha! Preciso de falar urgentemente contigo – surpreendeu a também estudante de Jornalismo.
- Urgentemente? Então porque não me dizes já o que tens a dizer?
- Porque quero fazê-lo pessoalmente – disse, com firmeza, a Joana.
- Estás a deixar-me intrigada. Há alguma coisa grave? – perguntou a Sony.
- É relativamente grave mas não te preocupes pois não morreu ninguém nem vai morrer e nem sequer é um caso de doença – procurou sossegar a amiga.
- Mas então não podes mesmo dizer nada? Nem uma dica?
- Nada de nada! Encontramo-nos logo, depois de jantar, no café em frente dos Bombeiros. Não faltes, ok? – voltou a Joana a ser incisiva.
- Pronto! Pronto! Eu estou lá por volta das nove horas. Agora deixaste-me ansiosa.
- Está combinado minha querida! Logo te conto. Xau! – despediu-se a amiga, misteriosa como nunca o fora.
Às nove horas da noite já a Sónia estava sentada numa mesa saboreando um café e um cigarro, coisa que só fazia raramente pois não era do agrado do Gustavo.
- Olá!
Olhou para cima e viu a Joana a despir um casacão e depois a sentar-se junto dela.
Antes de começar a falar deu um beijo à amiga e pediu um café.
- Olha, Sónia! – começou num tom solene.
A outra olhava-a atentamente.
- O que vais ouvir não te vai agradar nada. Mas eu não posso deixar de to dizer.
- Diz! – ordenou a jovem sardenta.
- Hoje à tarde vi o Gustavo e o Carlos a entrarem juntos para uma residencial. Não tenho a certeza absoluta, mas tudo me leva a pensar que eles tem uma relação homossexual – arrasou a Joana.
A amiga nada respondeu; ficou estática, olhar fixo na amiga mas de sobrolho franzido.
E foi a morena quem continuou:
- Depois disso estive a pensar em toda aquela religiosidade e desejo de se manter casto do teu homem. Sempre me pareceu um exagero mas cada um tem os seus princípios, e como ele teve ou tem, não me lembro ao certo, dois padres na família, não me levantou suspeitas.
- Mas tu tens a certeza? – interrompeu a namorada traída.
- Que os vi entrar juntos, isso vi. Mas só isso! Na minha opinião acho que se deve tirar tudo a limpo. Mas tu é que és a namorada dele e, um dia mais tarde, serás a sua esposa. Acho que deves saber com quem andas antes de te comprometeres mais – continuou a dissertar a morena.
- Pois é! Até estou atordoada. Neste momento não sei o que fazer. Tenho de dormir sobre o assunto e deixar que tudo seja mais claro na minha cabeça.
- Oh Sónia! Tu desculpa ter falado nisto, mas achei que esta era a única forma correcta de agir.
- Fizeste bem! Agora vou-me deitar.
- Ainda não falaste com o Gustavo? Nem por telefone? – interrogou a namorada do Luís.
- Não! Nem quero falar! – e desligou o celular.
- Vou perguntar ao Luís se o Carlos tem alguma namorada – pensou, em voz alta, a Joana.
- Pode não ter, mas já teve relações com mulheres. Eu sei de uma que já foi com ele para a cama – afirmou a sardenta.
- Então é capaz de ser bi.
- Pois é! Olha! Vou-me embora! Depois falamos, está bem? – e a Sony levantou-se, beijou a amiga, pagou ao balcão os dois cafés e saiu.

Deitada na cama, luz apagada e olhos molhados, a jovem ruiva começou a rever o filme da sua vida com o grande amigo, agora namorado, que a tinha desde sempre fascinado pela sua figura e inteligência. E lembrou que sempre que ela tentara aproximações ele reagira sempre da mesma forma: rejeitando todo e qualquer avanço.
E lembrou-se ter lido numa qualquer revista que o actor americano Rock Hudson só assumiu a sua homossexualidade poucas semanas antes de morrer com sida e que, para evitar que se falasse dele, fizera um casamento de conveniência com uma rapariga que, aliás, durou pouco tempo. A jovem sentiu-se como a cortina que era usada para tapar o outro lado da vida do seu querido Gustavo.
Tinha de o confrontar com o facto!
De supetão!
Não só para ouvir o que ele tinha para dizer como para ver as suas reacções.
E fá-lo-ía com a maior brevidade possível. Não queria viver situações falsas.

No dia seguinte, logo que acordou após uma noite mal dormida, ligou o celular e pouco depois entraram várias mensagens. Duas eram do Gustavo.
Lavou a cara e a boca para despertar melhor e ligou para ele que atendeu logo de seguida.
- Olá, Sony! Que te aconteceu ontem à noite que liguei várias vezes e deixei duas sms’s? E depois ainda fui a tua casa mas disseram-me que estavas cansada e tinhas ido dormir – falou o jovem.
- E é verdade! Estava cansada e doía-me a cabeça. Não estava disposta para conversas.
- E hoje estás bem?
- Acho que sim! Vamos encontrar-nos hoje? – perguntou ela.
- Podemos ir almoçar juntos. Eu passo pela tua escola à uma, serve?
- Humm...está bem!
- Então até logo e as melhoras! Beijinhos! – disse o rapaz.
- Beijinhos para ti, também! – respondeu a moça.
À hora de almoço, a Sónia saiu do edifício escolar e logo viu o carro vermelho do namorado. Dirigiu-se a ele, entrou, beijou os lábios do Gustavo e este arrancou só parando no parque de estacionamento de um restaurante.
- Gustavo! Não saias já! Quero esclarecer umas coisas contigo – disse ela, com uma voz diferente do habitual.
O quasi engenheiro notou isso e aquiesceu:
- Estão diz o que tens a dizer!
- Gustavo! Tenho fortes suspeitas de que tu sejas homossexual, andes com um homem, um pelo menos, e me estejas a usar como máscara de hetero. Quero que me respondas com toda a sinceridade. Lembra-te que, qualquer que seja a resposta que me dês, a nossa amizade fica intocável. Só poderá ser abalada se tu continuares a mentir e a usar-me – despejou a rapariga.
- Mas quem é que te meteu uma coisa dessas na cabeça? – disse ele, aparentemente descontraído.
- Alguém te viu ontem a entrar para uma residencial com o Carlos – atirou a Sónia.
Agora o Gustavo Galvão ficou calado a pensar que tinha sido descoberto e que entre continuar com uma mentira que um dia seria inevitavelmente posta a nu e com consequências muito mais devastadoras ou dizer já a verdade e tentar que isso não se espalhasse, fez rapidamente a opção:
- É verdade, Sónia! Eu sou gay e só tenho de te pedir desculpa por te ter usado. A minha intenção era não ter namorada para me ocultar dos preconceitos da sociedade, mas tu tanto insististe... Penso que o namoro acaba aqui. Mas quero continuar teu amigo porque sou mesmo muito teu amigo.
As lágrimas deslizavam pela face sardenta da jovem.
- Tenho de desaprender a amar-te e olhar para ti só como amigo. Eu adoro-te, tu sabes, e isto é muito violento para mim – disse ela.
- Também gosto muito de ti, mas eu sou como sou e não consigo mudar. Só me admiro de não teres topado mais cedo. Ahh...e quem está a par do assunto? – procurou ele proteger o seu grande segredo.
- Além do Carlos...deixa-me telefonar!
Pegou no celular e ligou:
- Sou eu! Acabo de ter a confirmação das nossas suspeitas por parte do Gustavo. Já contaste a mais alguém?
Do outro lado respondeu a Joana:
- Não! Ainda não!
- Então faz de conta que isto foi um sonho do qual acordaste e vais esquecer.
- Está bem! O namoro acabou?
- Claro! – disse a rapariga traída.
- E como vais justificar o fim da relação? – perguntou a estudante que estava do outro lado.
- Isso, eu e ele vamos combinar. O importante é que ninguém saiba que o nosso grande amigo Gustavo é como é porque nenhuma de nós o quer ver sendo humilhado. Valeu?
- Valeu!
- Então depois encontramo-nos para falar de tudo menos de uma coisa que não passou de um sonho. Xau. Beijinhos – e a Sónia desligou.
Virou-se para o rapaz e disse:
- Só uma pessoa sabia. Quem te viu com o Carlos. Podes estar descansado que é alguém que gosta muito de ti e não te vai querer prejudicar. E agora vamos almoçar?
E os dois encaminharam-se para a porta do restaurante de mãos dadas.

40 Comments:

Blogger wind said...

Logo no princípio do teu mini conto se percebe e no desenolar confirma-se.
Gostei muito porque retratas uma realidade que existe, gays que casam mesmo para encobrir essa fachada. Conheci um casal assim.
E mais, escreveste sem preconceito e com um final onde ficam amigos, o que é certo, pois ninguém é gay por querer, nem por ser moda, é porque é:)
Parabéns por teres focado um caso real da sociedade e por estar muito bem escrito:)
beijos

2:41 da tarde  
Anonymous JMC said...

Beleza, muito bem argumentada esta história, deve ser raro, um caso destes acabar desta forma, mas ainda bem que assim foi.

JMC

3:09 da tarde  
Blogger António said...

Para "jmc":
Obrigado pelo comentário.
Não conheço o universo da homossexualidade, mas penso que um final amistoso, nestes casos, é mais frequente do que num meio estrictamente hetero.

Um abraço

3:30 da tarde  
Blogger lena said...

António, meu querido amigo, primeiro dou-te os parabéns pela excelente forma como escreveste

depois por tratares este assunto por "tu" e estar tão bem descrito, sem preconceitos. um assunto real da sociedade onde vivemos, tão natural, onde ninguém o é porque quer ser, mas porque é assim e é normal.

adorei o final, ficarem amigos e de mãos dadas foram almoçar

eu dou-te as minhas mãos, mas estendidas, para te abraçar com muito carinho

beijinhos muitos e continuas a encantar-me

lena

5:05 da tarde  
Anonymous Morgaine said...

Ohpáaaaaaaaaaaaaaaaa!!! nem se trata de ser gay ou não ser gay, eu conheço gays e tenho o maior respeito por eles, alguns tenho por amigos, ,portanto o preconceito não é para aqui chamado. Agora, se o Gustavo fosse meu namorado levava uma carga de porrada por me andar a trair. Se fosse com outra mulher, eu bazava dali, achas que ia entrar no restaurante de mão dada com ele? entâo porque o faria só porque traiu com um homem? amor é amor, traição é traição seja com o homem, a mulher ou o cão.Pronto Gustavo, claro que estás perdoado, vou pensar ainda se consigo ser tua ammiga, continuo apaixonada sabes.. Oh coitada da miuda, ainda bem que descobriu a tempo. Também.. não me cheirava um homem que quissesse ficar virgem ao casamento!

5:10 da tarde  
Anonymous nena said...

nááá..isso comigo não ficava assim,agarrava no moço,(anda cá canino)ía até á tal residencialzita e dava-lhe a provar o outro lado da coisa( que pelos vistos ele ainda desconhecia) quiçá provando não gostaria tambem).ao fim de tantos anos de espera,ía lá perder a oportunidade de o ter aos meus pés..vá, ou me saltas em cima ou vou contar a toda gente, é contigo amor..
(hihihi..)

6:39 da tarde  
Anonymous Morgaine said...

ai ó nena.. loll que má!

6:47 da tarde  
Blogger António said...

Estão a aparecer várias opiniões discordantes com o comportamento final que atribuí à Sónia.
Mas a Sónia não és a Maria, nem a Manuela, nem a Zulmira!
É a Sónia!
E a velha amizade que vinha dos 5 ou 6 anos de idade e uma possível compreensão de que não poderia competir com um rival homem como se fora uma mulher terão motivado essa reacção.
Mas, de qualquer modo, eu diria que, no limite, cada pessoa numa situação daqueles reagiria de forma diferente.
É esta a grande riqueza da espécie humana: a sua diversidade.

6:54 da tarde  
Blogger António said...

Para "nena":
Obrigado pelo comentário.
Remeto-te para o pequeno texto que escrevi atrás.

Beijinhos

6:56 da tarde  
Anonymous Morgaine said...

António, claro que sim, ninguém é a Sónia e já confundiste os leitores do meu blog ao comentares sobre isso lá.. quem é a Sónia? A Sónia é a Sónia. É a moça que ama o Gonçalo apesar de este não corresponder. Não lhe daria uma carga de porrada. Seria uma situação na altura muito complicada, talvez ficasse com um nó na garganta, afinal o namorado enganava-me há anos e chegaria ao limite de casar comigo sem dizer a verdade. Ora, uma pessoa perante isto tem vontade de brincar um pouco uma vez que estando a viver na situação sabe que se sentiria muito mal.Provavelmente também perdoaria. Faz parte também da essência humana perdoar a quem se ama. Deves esperar todo mo tipo de reacções à tua história e claro, será isso mesmo que tornará o teu post tão interessante. ;) beijosss

7:13 da tarde  
Blogger Paula Raposo said...

Gostei...os preconceitos desta sociedade continuam e tu bem os retratas. Mas achei uma história apaziguadora e cheia de doçura. Muitos beijos para ti. Gostei muito.

8:09 da tarde  
Anonymous nena said...

bom,essa história jamais se passaria comigo antónio,até porque jamais me casaria com alguém que não fosse tão fogoso quanto eu..(heehee..)não sei porquê, mas despertas-me sempre aquele sorrisinho malandreco..
adoro os teus contos.

9:27 da tarde  
Blogger António said...

Para "nena":
E como é o sorrisinho malandreco?
eh eh

Beijinhos

10:17 da tarde  
Anonymous Morgaine said...

aii antónio.. antónio!! o terceiro comentário sairá melhor que o segundo?

ai tão belo este final feliz.. o perdão e a compreensão são duas coisas lindas :)
hehehe
beijocas

10:52 da tarde  
Anonymous Fatyly said...

Conheço alguma coisa da homossexualidade porque tive e tenho amigos(as) há mais de 30 anos
(dois já morreram), pelas inúmeras conversas que tive ao longo do tempo. Inclusivé um tinha uma filha e assumiu a sua sexualidade após um casamento que por si só foi um desastre mas sem sequelas. Ficaram amigos e a filha ora ficava com a mãe, ora ficava com o pai e o seu companheiro. Cresceu num ambiente sem preconceitos e não num de faz de conta - muito mais saudável e hoje deixa os filhos com a avó ou com o avô.
Há inclusivé quem entre pelo cano porque anda uma vida inteira a esconder aquilo que nasce com a pessoa: a sua vertente sexual. Abandonados pela maioria, compreendidos por meia dúzia não conseguem ser felizes. Que mal há andarem de mão dada, de se beijarem quando lhes apetece...mas os babacas ficam numa de hammmm???? Chiça que mentes dantescas. E se fosse o próprio filho ou filha?
No mundo gay o final de uma relação é tão complicada ou amistosa como a de um hetero. Traição é traição e mais nada.

Aqui na tua história, história idêntica de muitos, o que torna diferente é que à pergunta dela, ele respondeu com sinceridade, mas ali poderia ter terminado até a amizade, porque a traição é um vendaval de sentimentos, mas esta quando é sólida ultrapassa vendavais.

Em qualquer relação, senão houver amizade...é o fim do artista!

Gostei António e fiquei com mais pena deles, do que delas, tudo devido "à maldita cortina que gays e lésbicas" têm que colocar perante a sociedade.

Desculpa a extensão!

Um abraço sincero oh grande narrador de histórias.

11:10 da tarde  
Anonymous nena said...

o sorrisinho malandreco é assim como o da mona lisa,um pouco mais aberto e cúm ligeiro brilho no canto do olho..(será preciso fazer-te 1 desenho??)heeehee..( não me parece)
smak!

11:56 da tarde  
Anonymous ana joana said...

Olá António,
Felizmente as orientações sexuais de cada pessoa tendem a ser cada vez menos marginalizantes.

A forma como o(s) Gustavo(s) se vê(em), contribui para o perpectuar do estigma - tentam esconder porque não se sentem confortaveis.Sentem-se diferentes e essa diferença pesa-lhes. Encenam uma vida como eles acham que "é normal" e vivem as suas preferencias de forma paralela, frequentemente recheadas de esquemas, estratégias e mentiras.

Este comportamento é tão desgastante, tão frustrante que leva com frequencia a depressões graves e tentativas de suicidio.

De facto, o ser inteligente nem sempre significa que consegue gerir a vida de forma gratificante. A competencia para a vida implica a confluencia de todas as nossas inteligencias, e isso é que é a verdadeira arte.

Quanto à Sónia.......estas cumplicidades são tramadas!Ao fim e ao cabo, ela está a reforçar a "negação" que ele pretende mostrar. Pactua com o faz de conta em vez de propor a verdade. Até se percebe que para ela, o confronto com esta traição a convida à negação, mas em nome da amizade há que ser mais exigente.


(O meu comentário hoje é quase tão grande como a história!)

Beijinhos António

Ana Joana

12:36 da manhã  
Anonymous blugaridades said...

Bom dia, António!
Li a tua "short story" mas merece, como sempre tem acontecido, um comentário com algumas linhas. Esta, talvez um pouco mais.
Prometo voltar mais tarde e dizer-te o que penso.
Beijinhos

7:53 da manhã  
Blogger António said...

Para "nena":
Faz um desenho, faz!
ihihihihih

Beijinhos

9:26 da manhã  
Blogger António said...

Para "ana joana":
Olá!
Obrigado pelo teu comentário.
Mas deixa-me dizer-te que já tens feito comentários bem maiores.
Este é dos médios, em tamanho.
Também é dos grandes, mas em qualidade.

Beijinhos

9:30 da manhã  
Blogger Peter said...

As histórias que escreves e como o fazes.
É um link que visito frequentemente e sempre com prazer.

Evidentemente que acho a atitude do rapaz condenável, por andar a servir-se da rapariga para ocultar a sua opção sexual e ainda enganando-a com falsas promessas de casamento.

Neste caso, quanto a mim, não há mais lugar para amizade. Não por ele ser "gay", mas por lhe mentir no que respeita aos seus sentimentos em relação a ela.

11:34 da manhã  
Blogger Caiê said...

No fundo, este casalinho era aquele típico par de amigos de velha data. E a roda de amigos circundantes também! Por isso, muito me admira que o Gustavo não se tenha revelado mais cedo, porque acho que sabia que ninguém o ia rejeitar pela sua opção de vida. Quanto ao perdão da rapariga, pelo desenrolar da relação se via que era muitíssimo compreensiva e dócil.
Acho que foste buscar um caso da vida, mais uma vez. Tiro no alvo!

12:22 da tarde  
Blogger PoesiaMGD said...

Bem me parecia estranha tanta religiosidade e bons princípios nesse "rapazinho"! Infelizmente, nem todos têm coragem de assumir que são diferentes! Mas também com a sociedade que temos, é preciso ter-se mesmo muita coragem!Muito bom o conto!
bj

4:32 da tarde  
Blogger Papoila said...

Querido António:
Gostei muito desta tua história por todas as razões e uma muito próxima...
A homossexualidade existe e estes dois vão continuar bons amigos e confidentes.
O Gustavo nunca se casaria.
Beijo

8:55 da tarde  
Blogger GR said...

Há! Infelizmente há e muito, preconceito de se ser homossexual!
Como reagirão os amigos, os conhecidos, já para não falar dos familiares!
Quantos “tiveram” que casar para camuflar a sua opção sexual!
Contudo, este texto está cheio de doçura.
A Sónia é, a “velha” amiga que compreendeu (mesmo com dor) o direito há diferença, respeitou não só o amigo, mas o homem que planeou um dia poder partilhar a vida!
Não aconteceu!
A natureza assim, não o quis!
Uma pequena história, com um enredo complexo.
Mas com o teu dom (de escritor) consegues fazer um belíssimo texto!

Parabéns, faz-me bem a tua escrita.

Bjs,

GR

9:52 da tarde  
Blogger bom dia isabel said...

Meu querido amigo!

Mais um post muito interessante. Como por aqui se diz " vais de vento em popa". Trataste este tema com a seriedade que ele merece e até parece que recolheste informação dentro do universo homossexual masculino.Conheço alguns homossexuais que, sem qualquer pudor, falam da sua sexualidade como acontece entre os heterosexuais. Nem sempre isto aconteceu e apaixonar-se por alguém do mesmo sexo chegou a considerar-se doença, comportamento desviante, anormal. Felizmente, os tempos mudaram e as mentalidades evoluíram. Quanto à forma como contas, deixa-me dizer-te que continuas exímio na arte de esconder o " gato sem lhe deixar o rabo de fora". Hoje,ainda há alguns jovens, sobretudo católicos praticantes , que querem chegar virgens ao casamento. Não partilho dessa opinião mas não critico quem a defende.Há que respeitar quem o pretende sem que, por isso, haja suspeita alguma de homosexualidade. Quanto à jovem, soube aceitar muito bem a situação, não destruiu a amizade mas não necessitava de mantar as aparências. O autor assim escolheu, está escolhido.
Continua escritor a deslumbrar-nos com as tuas crónicas, histórias, contos ou lá o que lhe queiras chamar. Eu gosto deles!
Beijinhos

10:53 da tarde  
Blogger bom dia isabel said...

Hoje , talvez pelo sono, escrevi com erros: homossexualidade e heterossexualidade.
Peço desculpa.

10:57 da tarde  
Blogger António said...

Para "GR":
Olá, Guida!
Obrigado pelo teu comentário.
Deixa-me só dizer uma coisa que não escrevi mas estava na imagem que eu tenho do Gustavo:
Ele nunca iria casar com a Sónia!

Beijinhos

11:16 da tarde  
Blogger blugaridades said...

A décima história curta, um bocadinho longa, mas muito, muito interessante. Ao teu apelo pela escrita, corresponde o meu pela leitura das tuas bem contadas, estruturadas e imaginadas histórias.Pedaços da vida real, peças deste quotidiano multifacetado, que faz a vida de cada um de nós. Desta vez, abordas um tema " melindroso". Era-o, é e continuará a ser.Infelizmente! É que isto vem de longe, de muito longe e enraíza nas próprias religiões. Deus criou o homem, depois criou a mulher e, por fim, veio a descendência, Caim e Abel. Mas nem todos somos assim. Há aqueles que ,involuntariamente, na adolescência ( e é aqui que tudo isto começa a vir à luz do dia)se dão conta da atracção por indivíduos do mesmo sexo. Até há pouco " coisa ruim", talvez do demo , segundo alguns, mas tudo tão natural quanto a própria vida. Conheço alguns e algumas homossexuais, uns assumidos, outros não porque a sociedade os marginaliza por aquilo que ainda é considerado um estigma. Estamos , porém, e muito bem, num período de aceitação de um direito que se lhes reserva. De todo!
Quanto ao fim que lhe deste, concorde-se ou talvez não, enraíza na ternura que deixas transparecer pelas personagens que crias e que, há muito, compreendi.Escreves com alma, com coração de amigo, de filho, de pai, de marido...
Hoje, dou-te os parabéns pela multiplicidade de casos que engendras e expões de forma soberba. De mestre!
Beijinhos, amigo!

7:48 da manhã  
Blogger Cusco said...

Mais uma bela história e com um final feliz!
Em relação a esta questão da homossexualidade, muito em voga nos dias actuais, tem de se ter muito tacto para lidar com ela.
Principalmente quando até já nos tentam convencer que eles é que estão certos, principalmente quando até já querem adoptar os nossos filhos, etç,etç!
Até breve
SE DEUS QUISER

11:20 da manhã  
Blogger bom dia isabel said...

Hoje, achei que também devia vir agradecer os teus comentários aos meus posts. Sempre tão cordial,infalível no agradecimento, mereces que te retribua com a mesma amabilidade.
Um abraço desta amiga do sul e um beijinho da prima.
eheheheheh
Obrigada, escritor!
Maria

2:21 da tarde  
Blogger Outsider said...

Uma excelente abordagem de um tema polémico. A meio do conto ainda pensei que haveria um twist final. Mas depois pelo desenrolar da trama, percebi a intenção de mostrar que esta situação de fachada, devido a uma sociedade ainda conservadora, é mais comum do que se imagina. Mais um excelente conto.
Um Abraço

3:23 da tarde  
Blogger Leonoretta said...

ola antonio
nunca mais comentei o estilo, alias amanha vou fazer uma apresentaçao oral sobre o livro de roland barthes que se chama o grau zero da escrita que fala
exacatamente do estilo do autor e do nao estilo que a linguagem so por si comporta e estou certa e que correrá bem se o professor nao me quiser tramar.

por isso agora so comento as tramas que inventas
nao concordo com o facto de se esconder orientaçoes sexuais. quem diz que ser homosexual é crime? hetero... tambem pode ser. ora. depois a homosexualidade
nao se aprende. nasce-se. tal como a trissomia 21 ou 18 tambem o
cromossoma da sexualidade pode ser triplicado e dai... estudei isso em
biogenetica na faculdade e continuo a acreditar piamente nisso.
as morais têm de ser mudadas. não estou a falar dos valores
universais mas das praxis de cada um em relaçao ao que nao pode ser mudado e tem que ser respeitado porque faz parte do ser.
hoje estou chata.
seja como for. nao tenho pena dela. eu sempre quis ser ruiva. da
toscania,
rsss
depressa arranja outro namorado.
abraço da leonoreta

10:53 da tarde  
Anonymous Ivan said...

Um mini conto que é o máximo.

7:23 da tarde  
Blogger Leonoretta said...

oh antonio.
desculpa lá discordar... isto agora nao tem nada a ver com o texto , o meu ou o teu, ou sou ruiva naturalmente ou entao nao sou.
andar a passar agua oxigenada nao acho la muita piada. desculpa la se sou quadradona.
deus fez-me morena e burra. nao posso fazer nada. quanto ao morena posso mas nao quero, quanto ao segundo é que nao ha mesmo nada á venda.
abraço da leonoreta

9:00 da tarde  
Blogger Rosa Silvestre said...

Mais uam história engraçada, que retrata realidades que sabemos existir!
O rapaz que era gay mas que tinha bons amigos neste caso, boas amigas, sorte a dele, que nem todos ou todas são assim!
Um beijinho!

10:49 da tarde  
Blogger Heloisa B.P said...

Ando muito e, muito, fora do contexto!
Mas,e' sempre o INTERESSSE e o carinho amigo que me traz AQUI*, mesmo em atraso!!!

UM ABRACO!
Heloisa
********

11:20 da tarde  
Anonymous Paula Raposo said...

Penso que 5 dias de intervalo são muitos dias. Digo eu. Tu é que sabes. Nem mais. Capricórnio e teimoso. Até mais não.....

11:29 da tarde  
Anonymous tb said...

Que curiosa forma de contar, tens tu. Viva e muito real. Tão real que uam pessoa te acompanha e vive a hstória também!
Parabéns pela baordagem de u mtema polémico mas que é também muito actual. Tem graça que me pareceu que já o tinha lido antes.
Beijinhos

11:28 da tarde  
Blogger muito querida said...

gostei mto para béns..mas falta o desalento do fim de namoro..digo eu.

beijos quentes

10:41 da tarde  

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