Eu sou louco!

Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças! (este blog está registado sob o nº 7675/2005 na IGAC - Inspecção Geral das Actividades Culturais)

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sexta-feira, março 02, 2007

Histórias curtas XI - O mundo visto duma janela

A D. Maria da Conceição, operária reformada e viúva, vivia sozinha no terceiro andar de um velho prédio de uma das ruas tortuosas e estreitas da degradada zona histórica da cidade.
Tinha sessenta anos, era gorda e usava os cabelos, já quasi todos brancos, apanhados formando um puxo. Ficara sem o seu Manuel, companheiro de tantos anos, havia cinco. Com a sua reforma e a pensão de viuvez tinha o suficiente para ela.
Os três filhos, dois rapazes e uma rapariga, estavam todos casados.
Eles tinham ido para o estrangeiro e estavam bem na vida. Ainda lhe mandavam algum dinheirinho que lhe permitia fazer umas extravagâncias. Gostava sobretudo de ir ao cinema, mas também via telenovelas e filmes na TV, e ía numas excursões domingueiras de tempos a tempos.
A filha, mais nova, vivia perto dela e visitava-a uma ou duas vezes por semana.
Quando jovem, a São fora uma moça bonita e com um corpinho bem feito, mas o passar dos anos tinham feito dela uma mulher anafada e envelhecida, aparentando ter mais anos de vida do que o inscrito no Bilhete de Identidade.
Desde sempre fora muito coscuvilheira e, com o passar dos anos, esse hábito acabara tornando-se quasi um vício.
Muitas vezes, enquanto ía vendo as telenovelas preferidas, levantava-se para ir à janela da cozinha ver o que se passava na rua e, sobretudo, nas habitações dos vizinhos que moravam no prédio que ficava mesmo em frente ao dela. Era fácil ver e ouvir, tão curta era a distância.
Ao seu nível, portanto no terceiro andar, vivia a Sandrinha, cujos pais tinham morrido num desastre de automóvel. Tinha uns vinte e muitos anos e trabalhava nas limpezas. Mas a D. São podia apreciar que quasi todas as noites recebia uma ou duas visitas masculinas.
- Enfim! A vida está má e é preciso comer e vestir – costumava dizer à sua vizinha do lado, a D. Idalina, que vivia com o seu João, ambos reformados.
De cada apartamento dos que ela espiava, talvez inspirada no filme “A janela indiscreta” do Hitchcock, via duas janelas. Uma da cozinha e outra de um quarto. Os restantes compartimentos, ou não tinham luz directa ou davam para as traseiras.
Ao lado da Sandra vivia um casal de meia-idade com um filho ainda novo mas, dessa família Ferreira não conseguia recolher muitos elementos para depois contar às amigas ou guardar para si e fazer as suas elucubrações.
No segundo andar morava um homem, na casa dos trinta, que lá vivera com os avós e mais tarde com a mulher e um filho. Mas tanta pancada o Anselmo dera à Cristina e ao pequeno David que, poucos meses antes, ela debandara com o catraio deixando o homem a dar murros nas mesas e nas paredes quando estava mais bem bebido.
A São ainda chamou a polícia uma vez mas, na presença das autoridades, a mulher disse que não senhor, que ele era um bom marido e um bom pai. Perante essa atitude decidiu não mais “entre marido e mulher meter a colher”.
Ao lado vivia um sujeito que para lá fora há cerca de uma semana, depois da morte da velha Deolinda, uma senhora de provecta idade. Nem sequer sabia ao certo o nome do homem mas, como era alto e magro e vestia sempre de preto, ela alcunhou-o de Drácula.
No primeiro andar já não conseguia ver bem o que se passava, mas num lado vivia a sua parceira de mexericos, também viúva e reformada, a Nazaré, e no outro um casal de velhotes que, desde sempre, tinha sido muito recatado e não dava confiança aos vizinhos. Eram os Moreira que, de vez em quando íam passar uma temporada com um dos seus quatro filhos. Não precisavam daquela casa, mas não queriam deixá-la de tão baixa que era a renda.
No rés-do-chão havia um armazém que estava quasi sempre fechado.
A São, que tinha já dificuldade em descer as escadas de madeira e, sobretudo, em as subir, poucas vezes ía à rua. Três ou quatro saídas por semana para fazer compras. Mas vingava-se e falava com toda a gente procurando novidades e contando o que de novo tinha sabido.
Uma vez por mês ía ao cinema, normalmente com a vizinha Idalina e o João mas fazia questão de pagar os bilhetes e o lanche. Era uma espécie de recompensa pelas vezes que o homem, que se mexia bem, ía às compras e lhe trazia umas coisas que ela lhe pedia.

Uma noite, estava a velha solitária a cocar para dentro da casa do Drácula, e viu pela primeira vez uma jovenzinha, talvez com uns catorze anos.
Quem seria?
Era a altura de descobrir mais: quem era o Drácula?
No dia seguinte foi fazer umas compras e quando regressava viu a Nazaré a sair do prédio que ela, diligentemente, vigiava.
- Olá, vizinha! – saudou a Conceição – então como tem passado?
- Cá se vai andando! As dores nas costas é que dão cabo de mim. De resto, só tenho a tensão alta, o colesterol alto e a figadeira de vez em quando avaria. Para uma velha como eu bem que podia ser pior.
- Assim é que é falar, vizinha! Antes viva com doença do que morta com saúde. – e riu-se a São – Era o que dizia o meu defunto.
- Não me fale em defunto! O pior de todos os meus males é a falta que sinto do meu falecido homem – queixou-se a Nazaré.
- A quem o diz! A quem o diz! Isto sem o meu Manel não tem a mesma graça.
E emendou logo:
- Por falar em graça! Agora tem aí uma miudinha a viver na casa do Drácula. É filha dele?
- De quem? Ahh...do Sr. Azevedo...
- Veja lá como eu ando! O homem está cá há oito dias e eu nem sabia que se chamava Azevedo; por isso pus-lhe a alcunha de Drácula. Mas a miúda é filha dele? – insistiu.
- A Sandrinha disse-me que sim...
- Humm...a Sandrinha já anda a ver se arranja um novo cliente. Mas a rapariguinha não tem mãe? – perguntou a Conceição.
- Parece que a Vanessa...
- Ai a pequena chama-se Vanessa! Bonito nome, por acaso! E tem uns catorze anos, não? Mas continue. Eu estou sempre a interromper. Sabe o que é, lá em casa não tenho com quem falar e quando apanho alguém tenho de desenferrujar a língua. Mas conte! Conte!
A outra riu-se e recomeçou:
- Parece que a Vanessa vivia com a mãe, mas esta foi passar uma temporada para a cadeia, de forma que a mocinha veio para aqui com o pai. Ahh! Tem catorze, sim senhora! A vizinha tem boa pontaria! – e riu-se de novo.
- E ele faz o quê? – quis saber a viúva do terceiro andar.
- Não me diga que não sabe! Trabalha para um cangalheiro. É por isso que anda sempre de preto.
- Ahh...deve ser a farda! – e riu-se a São. Tenho de vir mais vezes à rua. Veja lá como eu ando desactualizada. E que é que fez a mãe?
- Isso não sei! Mas a Sandrinha pode descobrir.
- Claro! – corroborou a São – Mete-o na cama e o gajo cospe tudo cá para fora.
E riram-se ambas,
- Olhe vizinha! Quando souber novidades toque-me à campaínha que quando eu sair à rua venho aqui falar consigo. Agora vou para a parte mais difícil. Subir aquela porcaria de escadas que nunca mais acabam. E rangem todas! Qualquer dia vem tudo abaixo com o meu peso.
E soltou uma gargalhada.
- Adeus D. Nazaré!
- Adeus D. Sãozinha!

Passados dois dias apareceu lá em casa a filha, a Fátima. Era fim de tarde.
A conversa foi rápida. A mulher, com cerca de trinta anos, só queria mesmo saber como estava a velha e mostrou-se apressada:
- Hoje ainda vou fazer por aí umas visitas – avisou, justificando a pressa.
E, de facto, pouco depois saiu:
- Raios partam a rapariga! Sabia-me tão bem conversar um bocado e mal entrou pôs-se logo a bulir.
Quando, em certo momento, foi até à janela da cozinha, viu que a sua Fátima estava em casa do Anselmo com quem brincara em criança e chegara mesmo a namoriscar.
- Humm...afinal a pressa toda era para ir visitar o borrachão que batia na mulher e no filho. Espero que não avance muito com ele. Que se lembre que é casada e que o Francisco é muito bom homem – elucubrou.
Mas não tardou que aparecessem os dois no quarto e ele fosse apressado fechar as portadas da janela.
- Ai a filha da mãe que anda mesmo a pôr os cornos ao marido!
E continuou a pensar:
- Que descarada! A minha vontade era telefonar ao desgraçado para ele os apanhar em flagrante. Mas o melhor é falar com ela. Pode ser que o problema se resolva.
Cerca de meia hora depois viu a filha a sair do prédio.
Imediatamente lhe ligou para o telemóvel:
- Oh Fátima! Precisamos de falar urgentemente. Não podes vir cá acima agora?
- Oh mãe! Fica para outra vez. Estou atrasada e o Francisco hoje, apesar de vir mais tarde, já deve estar a chegar. Adeus. Beijinhos.

Nessa noite, sempre o mais escondida possível para não ser vista, observou que o Drácula Azevedo deitou a filha Vanessa na cama dele. Logo a seguir foi ele que se meteu debaixo dos lençóis. Mas logo se levantou para fechar as portadas da janela.
- Humm...a dormir com a filha de catorze anos? Isto não me está a cheirar nada bem!
No dia seguinte foi chamada pela Nazaré:
Aproveitou para ir comprar uns legumes e uma fruta e depois foi até à porta do prédio rigorosamente vigiado.
- Então, D. Nazaré! Que novidades é que tem? – perguntou.
- Já sei porque foi presa a mulher do Azevedo. Fez um assalto mais o gajo com quem andava. Foram os dois de cana e ela apanhou um ano e tal. A garota, que vivia com ela, foi entregue ao pai que arranjou aqui esta casa não muito cara.
- Muito me conta! Vamos lá ver como é que ele a trata! Não gosto da cara do tipo. Nada! Mesmo nada! – falou a São.
- A Sandrinha diz que ele parece antipático mas depois acaba por ser atraente.
- Ora! Para a Sandrinha quem lhe dá dinheiro é logo boa gente.
- A vizinha não perdoa nada! – comentou, rindo, a Nazaré.
- Olha! Vem ali a minha filha! Depois conversamos mais. Agora quero apanhar aquela! – e rangeu os dentes.
Chamou a filha e quasi que a obrigou a subir com ela ao terceiro andar.
- Então andas metida com aquele traste do Anselmo e pões os cornos a um homem a sério como o Francisco! Toma juízo rapariga! Acaba com isso depressa antes que se descubra tudo e te desgraces.
- Oh mãe! O Anselmo é o homem da minha vida. Sei que ele não é o melhor marido para mim, nem eu o quero. Só quero estar com ele às vezes. Leva-me às nuvens como o Chico nunca levou. E como só se vive uma vez, vou continuar a encontrar-me com ele – disse, de forma bem peremptória, a Fátima.
E continuaram a discutir mas a filha não cedeu!
Queria ser amante do Anselmo e pronto! Enquanto ele a quisesse estaria pronta para se lhe entregar.
Despediram-se com algum azedume que, naturalmente, se viria a dissipar no futuro.
- Toma cuidado, rapariga! – foi o último conselho da velha.

Agora, o que apoquentava a Conceição era o pai e a filha menor dormirem na mesma cama.
Foi espreitando noite após noite.
Mas o homem de preto tinha sempre o cuidado de fechar as portadas.
Foi reparando no ar triste da garota, que era bem bonitinha.
Até que uma noite mais quente, o sinistro Azevedo deixou a janela aberta e as suspeitas da São confirmaram-se.
Ele mantinha relações sexuais, provavelmente regulares, com a criança.
- Ah! Grande cabrão! Vou fazer queixa de ti! – pensou.
E no dia seguinte ligou para a Polícia Judiciária.
Contou o que sabia e o que tinha visto.
Entretanto não conseguira aguentar e, muito em segredo, dissera à amiga Nazaré o que descobrira. Nos dias seguintes ambas foram visitadas mais de uma vez por assistentes sociais. E outros vizinhos também.
Num final de manhã, passadas umas duas ou três semanas, estava a Maria da Conceição a cozinhar o almoço quando ouviu grande algazarra na rua.
Era a polícia que vinha buscar o Drácula e a filha.
E viu a Nazaré a insultar o vizinho caído em desgraça, arrastando na sua ira quasi toda a gente das redondezas. Nessa tarde não se falou noutra coisa e a São sentia-se orgulhosa do que fizera.
Quando, mais tarde, foi chamada ao tribunal, ficou a saber que não era crime o pai ter relações com a filha, mas que certamente seria condenado por pedofilia.
- Apanhei um pedófilo! – gabava-se ela, orgulhosa.

27 Comments:

Anonymous Blugaridades said...

Ainda não li este post, amigo, mas vou aproveitar para te dizer que assim que puder o farei. Mais uma curta/longa história que , tenho a certeza, irei ler com muito gosto.
Beijinhos, António!

2:27 da tarde  
Anonymous nena said...

ai, valha-me deus antónio..no dia em que eu ficar assim uma velha cusca e diabólica sem mais motivos de interesse que não seja observar a vida dos outros,que alguém tenha a coragem de me dar uma carga de porrada,que me partam uma série de ossinhos,que me obriguem a ficar meses num hospital sem abrir a boca. há coisas que não suporto, e a coscuvilhice é uma delas, outra será servirem-se da idade adiantada pra poderem ser infames sem punição.
aviso desde já a minha vizinhança:
OLHEM QUE EU SOU MALUCA PÁ!!!

2:56 da tarde  
Blogger António said...

Para "nena":
Obrigado pelo comentário.
Volta sempre.

Beijinhos

3:08 da tarde  
Blogger Uma vida... said...

Gostei!! A coscuvilhice é uma tristeza. Mas compreensível numa certa faixa etária e social, digo eu. Para quem não tem mais nada que fazer. 'Quem escuta de si ouve'. É mais ou menos assim o ditado. Beijinhos, meu querido.

5:30 da tarde  
Blogger Betty Branco Martins said...

Querido António

Que "GANDAS" cuscas!!!

Como se costuma dizer:

Entre mortos e feridos alguém há-de escapar:))

Uma história, como sempre - *****

Beijinhos com carinho
BomFsemana

7:11 da tarde  
Blogger PoesiaMGD said...

Afinal, a janela e a coscuvilhice serviram para um bom fim! Falta saber se a São teve sorte mesmo, ou se o Drácula até nem foi punido e veio puni-la a ela! Das experiências que tenho nesse campo, o fim seria trágico ou, no mínimo, muito desagradável para a denunciadora! Desculpa, este tema faz-me ferver de raiva!

8:05 da tarde  
Blogger Rosa Silvestre said...

Um texto onde impera a cusculhivice de quem nada tem para fazer senão assistir ao espectáculo da vida alheia, quase de cadeira!
Isto acontece de facto com muitas velhotas que se servem da idade para cuscar a vida alheia!
Um beijinho!

8:17 da tarde  
Anonymous Morgaine said...

Bolas há textos que são previsiveis mas hoje enganaste-me até ao fim. Que saga! A dona São nem precisa de ver telenovelas com estes espectáculos pela frente. Quando cheguei ao nome do Drácula dei uma gargalhada, a história já se avizinhava divertida e não é que a D. São lhe descobre a sacanice? Nunca ficaremos a saber se é verdade não é?
Que belo filme que vi hoje, uma velhota que torna a sua vida interessante com estas cenas de voyeurismo e chega a apanhar a própria filha a trair o genro amado.. António, António, tanta imaginação que tens. Pergunto-me se vem de alguma experiência.. é que no fundo, aqui entre nós, tens mesmo cara de malandro hehe
Beijos

11:18 da tarde  
Blogger Peter said...

"ficou a saber que não era crime o pai ter relações com a filha"

É a Justiça que temos.

Já nada me espanta.

11:31 da tarde  
Anonymous tb said...

mais uma história da vida real, contada a preceito como nos habituaste já. Tens quase no final uma confusãozinha com o Chico em vez do Anselmo, será? Ou fui eu que confundi?
Beijinhos meu querido amigo.

11:49 da tarde  
Blogger Fatyly said...

Sempre existiram as cuscas e por aqui proliferam mais os cuscos, que quando não sabem inventam e o melhor é ajudar sem ligar ao que dizem.

Ter relações com uma filha não é crime?

Gostei desta narrativa sobre a cusquice.

Bom fim de semana.
Beijos

12:05 da tarde  
Blogger Papoila said...

António:
É por isso que SExª o Eng.º José Socrates aumentou a idade da reforma para os 65 anos... e ainda corremos o risco de ser mais eheheheh....
Beijo

2:39 da tarde  
Blogger Leonoretta said...

ola antonio.
obrigado pelo teu comentario sempre assiduo e sempre muito ao meu jeito do meu ego.

lembro-me muito bem da janela indiscreta. vi muitos filmes do hithcok. gostava das introduçoes dele. se calhar é por causa disso que consigo hoje brincar com a situação mais ridicula sem mexer um musculo da minha cara.

coscuvilheiras... bolas. o que elas inventam e se ela pensa que apanhou um pedofilo o que diria da casa pia há uns cinco anos.

sintetizando. tipificas personagens,esterotipos sociais, apanhando-lhes os pontos fracos e dando-lhes as expressões fisicas e psicologicas certas.
como sempre parabéns pela imaginação e a conciliação com a criatividade da escrita.

abraço da leonoreta

7:17 da tarde  
Anonymous Fatyly said...

Tens um desafio na minha cubata, caso queiras né? :):):):)

9:13 da tarde  
Blogger wind said...

Excelente mini conto!
Todas as descrições dos lugares e das pessoas, mas principalmente porque focaste num ponto muito importante e que infelizmente cada vez é mais difundido: a pedofilia.
Parabéns por este mini conto, que quanto amim, desta sérir é um dos teus melhores:)
beijos

10:31 da tarde  
Blogger blugaridades said...

Olá, querido António!

Mais uma história muito bem contada. Enredos! E destes não faltam por aí! As vizinhas reformadas, com tempo disponível, gostam de novelas de todas as espécies. E há com cada uma na vida real! Abordas aqui, mais uma vez, o "voyeurismo" sob uma perspectiva diferente. Este gosto de espreitar e comentar a vida dos outros, tão característico de quem tem pouco que fazer ,só desaparecerá quando o homem também desaparecer. Há-o em todas as classes sociais.
Quanto à narrativa, continuas um hábil contador de histórias,com diálogos engraçadíssimos,de grande expressividade.
Socialmente, apresentas uma crítica a todos aqueles que levam uma vida de ócio, procurando a distracção fácil, a baixo custo, prejudicando, muitas vezes, com as suas manobras mais ou menos hábeis, a vida dos seus vizinhos.
Porém, neste caso abordas as temáticas da pedofilia e do incesto, em simultâneo, denunciadas , e bem, pela cuscuvilhice desta vizinha.Continua, amigo!
Beijinhos

10:59 da tarde  
Blogger Blueshell said...

Adorei as palavras que deixaste co Cantinho da Fatyly!
De facto anda tudo meio paradote este ano lectivo porque tenho muito trabalho na escola. Tenho descuidado os amigos da blogosfera, bem sei!

Fica um beijo entre e feitura do almoço e a preparação das aulas de amanhã!
BShell

12:54 da tarde  
Blogger lena said...

António, meu querido amigo,

estive a ler-te e as tuas narrativas continuam a ser excelentes, com diálogos muito bem "apanhados", a tua imaginação é extraordinária, vai sempre ao encontro do que acontece no dia a dia, por aí...

de uma janela certamente que muito se vê e vê quem tem tempo para isso

coscuvilhice, um hábito antigo, penso que em todas as classe existem, umas mais "elegantes" ou requintadas, nos chás da tarde e outras como esta onde a "degradação" foi acontecendo lentamente, mais banal e mais evidente de quem nada mais sabe fazer que ver novelas e meter-se na vida dos outros

pedofilia, incesto, dois temas que me chocam profundamente, trouxeste também um cheirinho destes temas, motivado pela coscuvilhice alheia

como sempre pegas em assuntos interessantes que me deliciam ler e o que escreves é tão bem escrito que é difícil ficar indiferente

um abraço meu, com carinho, António

beijinhos

lena

11:11 da manhã  
Blogger girassol said...

De quando em vez a cuscuice dá bons frutos ainda assim. Talvez uma em mil vezes, mas enquanto uma... melhor que nenhuma.
Valem as histórias. Isso valem!...

11:56 da manhã  
Blogger Caiê said...

Li tudo, mas custou-me um bocado grande porque tenho cá um azar à coscuvilhice que nem te passa! ODEIO; ODEIO; ODEIO!!!
No entanto, se há coisa que mais odeio é a pedofilia. Não percebi isso de não ser crime...

10:29 da tarde  
Anonymous ana Joana said...

Olá António,
A descrição está tão fiel que me fez perguntar a mim mesma se tu não és um(a)delas (das cuscas, claro) eheheheh.

A cusquisse deve dar um sentimento de pertença e de superioridade a quem a pratica - a detenção do "saber" dá status e poder. Por outro lado, "saber" permite controlar, sabe-se com o que se conta, rssss.

Nunca liguei nenhuma às cusquisses. Tempo houve em que até me divertia a criar situações que as estimulassem e depois fartava-me de rir com o que dali vinha.

Quem espreita arrisca-se a ver de tudo e portanto tambem a ver situações de pedofilia. Para os denunciar qualquer um(a) é válido(a), cuscas incluidas.

Beijinhos e parabéns
Ana Joana

11:56 da tarde  
Blogger António said...

Para "ana joana":
Obrigado pelo teu comentário a este texto que pretende dar uma visão de um (pequeno) mundo através de uma janela.

Beijinhos

12:12 da manhã  
Blogger Outsider said...

Fantástico conto meu amigo! O fim surpreendeu-me pois provou que a coscuvelhice nem sempre é má, pois neste caso apanhou um pedófilo.
Um Abraço.

4:31 da tarde  
Blogger GR said...

Pois é, a coscuvilhice é, terrível!
O diz que disse é, uma doença!
Contudo, a srª São é uma idosa só, ninguém com quem falar,
Não pode partilhar a dor, nem a alegria.
A filha foge com pressa e a senhora novamente só!
Neste caso a indiscrição foi positiva, meteu um pedófilo na prisão.
Os melhores advogados e juízes de Lisboa, não conseguem fazer!
Pois que viva a Srª D. São!

Texto enorme. Porém, lê-se rapidamente. Depressa queremos chegar ao fim.
Será que também somos coscuvilheiras???
Adorei!

Bjs,

GR

12:21 da manhã  
Blogger António said...

Olá, Guida!
Obrigado pela visita.
Os pedófilos anónimos são presos e julgados rapidamente.
Os mediáticos e de boas e endinheiradas famílias é que vou protelando os processos.

Beijinhos

10:07 da manhã  
Blogger Márcia said...

Maravilhoso...
Sublime...

9:41 da manhã  
Blogger António said...

Obrigado pelo comentário, Márcia!
Cliquei no tem link mas não me levou a nenhum blog, por isso ou não tens nenhum ou cometeste algum erro ao escrever o endereço.

Beijinhos

9:53 da manhã  

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