Eu sou louco!

Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças! (este blog está registado sob o nº 7675/2005 na IGAC - Inspecção Geral das Actividades Culturais)

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sábado, junho 24, 2006

A noite de S. João

A noite passada, pouco depois de ter acabado o jantar, deitei-me na cama, vestido e sobre a roupa, pensando descansar uns minutos para depois ir dar uma volta a pé.
Afinal era a noite de S. João!
Pois adormeci e só acordei já passava das cinco da manhã.
Isto fez-me pensar em como o tempo passa e, muito mais depressa do que se possa pensar, estamos com os pés para a cova.
E recordei-me que a noite de S. João era sagrada para o meu pai.
Desde miúdo que me lembro dele e de minha mãe saírem, já tarde, pelas onze e tal, e só voltarem pelas quatro ou cinco da madrugada.
Eu e a minha irmã, mais nova dois anos, ficávamos em casa, claro.
Mas connosco ficava a avó paterna, a vovó Mimi, que para lá se mudava por uma noite e um dia para ficar a zelar pelos netos.
Passada essa fase inicial em que a noitada me era restringida, seguiu-se a fase de sair com os pais. Já não me recordo quando fui viver a minha primeira noite de S. João, mas deve ter sido por volta dos dez, doze anos.
Estou a falar da cidade do Porto, pois as festas deste santo popular são comemoradas em mil e uma cidades, vilas e aldeias por esse país fora.
Depois das minhas primeiras experiências como noctívago sanjoanino, não pude deixar de dar certa razão ao meu pai, bairrista como vi poucos, e que dizia ser esta festa única no mundo, pois não havia mais nada além de pessoas que, de facto, nada comemoravam. Gente que, sorridente, batia com o alho porro na cabeça dos outros.
Para quem nunca viveu esta experiência, isto pode parecer profundamente idiota.
Mas não é!
De facto, cria-se uma empatia tal entre todos, que este comportamento prosaico e bizarro se transforma, como que por milagre, num ritual de paz, harmonia, concórdia e verdadeira comunhão entre os homens.
Depois, lá pelas três, vinha o tempo de comer um arroz de cabrito na casa Casais, junto ao jardim de S. Lázaro, que era a tasca de preferência do meu pai (para este fim, bem entendido).
Lembro-me de o velhote ter um cliente e amigo em Cascais, pessoa de bem e com muito garbo, que foi convencido por ele a vir passar uma dessas noitadas ao Porto.
E lá vieram o Sr. Pereira e a sua mulher, a D. Hortênsia. Um pouco constrangidos, confessaram depois. Mas, após terem vivido essa noite, juraram que nunca haviam visto tal empatia entre as pessoas. E dai por diante e durante alguns anos, lá vinha o casal por aí acima para sentir e gozar a noitada de S. João.
Por voltas dos quinze, dezasseis anos, comecei a ir com os amigos. Primeiro era o bailarico dos bairros, ao fundo de Fernão de Magalhães e já perto do Campo 24 de Agosto, depois pelas ruas da baixa: Santa Catarina, Santo António, Clérigos, Mouzinho da Silveira para ir à Ribeira ou Alexandre Herculano para descer até às Fontaínhas. Nesses anos sessenta foi quando a populaça começou a procurar outros locais, nomeadamente a rotunda da Boavista.
Mas, muito rapidamente, e com a entrada no ensino superior, deixei o grupo de rapazes e passei a integrar um grupo de moços e moças, quasi todos estudantes, e lá fazíamos os nossos comboios para incómodo dos mais pacatos foliões.

Foi nessa altura que começou a ocorrer em força a substituição do tradicional alho porro pelo barulhento e chato martelinho de plástico.
Em má hora! Em má hora!
Depois foi a ausência por causa do serviço militar.
De regresso à terra natal, a noitada deixou de ser em grupos, mas com um ou dois amigos, ou amigas ou então com a namorada da ocasião.
Até que veio o casamento e os hábitos alteraram-se.
Nessa altura já os festeiros se espalhavam por várias zonas da cidade e eu e a minha mulher começamos a ir à Foz, juntamente com outros casais e respectivas proles, ao apartamento de um amigo e sua companheira para depois, em plena praia, deitar um fogo de artifício muito simples e largar balões que, na sua maior parte, caíam na areia ou no mar, um pouco adiante. Quando algum lograva subir era o gáudio da pequenada, e o orgulho dos autores do feito.
Mas esta fase passou.
Depois seguiu-se o período familiar.
Eu, a mulher e os dois rapazes voltamos a calcorrear as ruas da baixa.
Mas rapidamente o mais velho, o meu enteado, desertou e só ficamos três.
Há poucos anos, ficaram só os dois velhotes: uma voltinha pelos Aliados onde não havia muito aperto e, por pressão da mulher (que eu bem o dispensava) ver o fogo de artifício à meia-noite e logo de seguida regressar a penates.
Nos dois ou três últimos anos nem saímos.


São sete e meia da manhã.
O meu filho, com vinte e três anos, acaba de chegar a casa.
- Oh pá! – falei-lhe daqui – Não precisas de fechar a porta à chave porque já estou levantado.
O mais velho, com quasi trinta e dois, já estava a dormir quando me pus a pé.
A mulher também ainda dorme. Ou está na sorna.
E eu estou a acabar de escrever mais umas memórias na esperança de que alguém leia isto daqui a uns anos.
E, de repente, comecei a chorar.
Bolas! Que se passa? Acho que estou mesmo a ficar um velho gagá!
Tenham um bom dia de S. João!

57 Comments:

Blogger margusta said...

Bom diaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
Bom diaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
Meu querido António!|

Li-te muito por alto...volto mais tarde para te comentar...mas meu querido não choresssssssssss....

Beijinhossssssssssssss muitossssssssss

Feliz dia de S.Jõao!

8:50 da manhã  
Blogger Paula Raposo said...

Pois é. Desta vez conseguiste que eu chorasse também. Não estás 'velho carcaça' (gostei mais desse do que do 'gágá!), não, não estás. Se não te conhecesse pessoalmente até ia pensar que poderia ser verdade, mas não é. Está lindo o teu texto. Beijinhos, bom sábado para ti...

9:52 da manhã  
Anonymous Ana Joana said...

Bom dia António,

E a nostalgia surge, geralmente quando nos damos conta de que não conseguimos preencher na alma, espaços outrora tão plenos de emoção e felicidade. Os afectos António, apanham-nos assim, na curva das nossas fragilidades, recordando-nos de que somos gente, gente que sente, que chora e que ri. E é essa a nossa maior riqueza. E é essa a tua maior riqueza e encanto.

Chorar faz-nos bem, tão bem como rir, embora para o nosso bem estar seja bom que a proporção entre estas duas manifestações seja de 1 para no minimo 100 rss.

Um bom sábado, António e da minha parte, beijinhos para adoçar

Ana Joana

10:49 da manhã  
Anonymous GR said...

Bom S. João!

Qual velho?
Tiveste foi um S. João diferente!
Nos outros anos, acordavas cansado, ensonado, ainda com o som dos martelos e os gritos de espanto do rebentar de mais um foguete colorido!
Este ano foi diferente!
O S. João foi só teu! Acordas e corres a ruga pelas ruas da memória. Não esqueças que o S. João é também feito de recordações e afectos.
Afinal nesta tua rusga, todos nós percorremos contigo a festa mais popular do nosso país! Como gostamos de ir ao S. João contigo.
Não foram lágrimas, foram as orvalhadas de S. João que te vieram cumprimentar!
Terei um dia feliz depois de ter lido este belíssimo texto.

Um grande beijo

GR

12:23 da tarde  
Blogger Tons Pastel said...

acontece o mesmo comigo. estamos em tempo de recordações. mas não dizem que recordar é viver? vivamos então este tempo como vivemos outros. um beijo

5:49 da tarde  
Blogger Lowprofile said...

Apercebo-me que não faço parte da geração, mas adorei ler este texto repleto de memórias e emoções inerentes que o tornam ainda mais humano e intemporal.
Com a idade pode perder-se a energia mas a sabedoria e a experiência não adormecem.

6:16 da tarde  
Anonymous tb said...

A nostalgia da passagem do tempo e das recordações, António!
Chorar é bom, limpa a alma como costumo dizer. Por isso chora sempre que te apetecer e se ficares gagá não faz mal nenhum, porque gosto de ti na mesma!
Beijinhos

6:54 da tarde  
Blogger APC said...

Amei o texto; e a analepse em que te fizeste levado para o parires.
Realmente, o tempo já vivido vai lá atrás, por isso é uma riqueza acumulada(e a melhor delas, aquela que vale!), e nenhuma riqueza envelhece ninguém; envelhece sim a falta de vontade daquilo que está por vir.
E se não queres adormecer no ponto, não te deites depois do jantar, ora essa! :-(
Dormiste pouco, sentiste muito, mas o tempo que passaste à frente do PC nunca será mal empregue, acredita.
Que delicadas e preciosas memórias nos dignaste oferecer!...
Retalhos vistos com olhos [os teus] de todas as idades, para todos nós e mais quem venha!
Sabes... Eu, como o outro, sou uma cidadã do mundo! Não sou patriota, mas humanista. Nasci na África negra, passei as férias da infância na aldeia, morei nos subúrbios, estudei na cidade, trabalhei em vários sítios e partilho o coração... E se também no Porto tenho uns retalhinhos, a noite de S. João recorta-se, vibrante, na minha memória, de uma forma que essa tua tamanha completude de viver embelezou.
Pois que te comovas, António, que bem mereces. Leste bem: mereces comover-te, de entender como há coisas cujo valor melhor distinguimos quando olhamos para trás.
E depois... Depois disso mais um dia acorda, e tu olhas para o rapagão que escreveu estas generosas linhas e fazes-me o favor de lembrar que há muita coisa de valor que ainda não está visto, feito ou dito; provado, sentido, vivido. E aí sorris. Que tal? Esboças um bom sorriso de louco!
Um abraço valente!
Ou, se quiseres com vírgula:
Um abraço, valente!

10:00 da tarde  
Blogger Peter said...

Destaco:

"ser esta festa única no mundo, pois não havia mais nada além de pessoas que, de facto, nada comemoravam. Gente que, sorridente, batia com o alho porro na cabeça dos outros.
Para quem nunca viveu esta experiência, isto pode parecer profundamente idiota.
Mas não é!
De facto, cria-se uma empatia tal entre todos, que este comportamento prosaico e bizarro se transforma, como que por milagre, num ritual de paz, harmonia, concórdia e verdadeira comunhão entre os homens."

Deixa lá, devo ser mais "usado" que tu ...

Bom Domingo

12:21 da manhã  
Blogger Heloisa B.P said...

"A mulher também ainda dorme. Ou está na sorna.
E eu estou a acabar de escrever mais umas memórias na esperança de que alguém leia isto daqui a uns anos.
E, de repente, comecei a chorar.
Bolas! Que se passa? Acho que estou mesmo a ficar um velho gagá!
Tenham um bom dia de S. João!"
...............................AH, ANTONIO, ate' comecei tambem a lacrimejar, com este final, desta Sua maratona descritiva do S. Joao (no PORTO!)!_imagens sempre bem construidas que conseguimos "visionar" o fogo de artificio e, ate' "ouvir" o som das cantigas e "algazarra"!Nota-se uma SAUDAVEL SAUDADE!
Meu caro Amigo eu, nunca vivi a noite de S.joao no Porto, vivi algumas no Alentejo (na minha tenra infancia)das quais nao tenho grandes memorias, mas recorda-me sim, de ouvir contar!Cresci em outras paragens onde se faziam outras festas.Contudo, senti-me emocionada e entusiasmada com esta sua brilhante narrativa!
_NAO ESTA' a ficar "VELHO", apenas os anos se somam aos anos e,a caixa das emocoes e recordacoes vai enchendo ate' transbordar! E, a nostalgia junta-se a "festa"!
Nao vamos ler daqui a alguns anos, estamos lendo JA'!!!
BOA CONTINUACAO DO CLIMA FESTIVO!
VIDA E SAUDE PARA SI* E SUA FAMILIA!
_UM AMIGO ABRACO!
Heloisa.
*************

12:59 da manhã  
Anonymous Cris said...

Apetecia-me dar-te um abraço apertado!
Comecei por te ler, sabes?
Deste-me o mote.
Depois já te ouvia, ao sabor da recordação do aroma do S. João, do calor do braço do Pai Viriato, daquele riso fantástico dele, do cheiro a tudo que naquela noite se fazia, no meio da galhofada de um mar de gente.
Deste contigo a chorar?
Já nem vejo o teclado, António, tal a emoção que sinto!
Choro, pois, por ter tanta saudade!...
Choro por saber o quanto era bom andar de braço dado com ele!...
Choro porque até consigo ouvi-lo rir!
Bom S.João, meu Doce!
Acabo como comecei, com a grande vontade de te dar um abraço!
Fica com a certeza que te adoro, pois eu levo comigo a certeza que sem ter posto um pé no arraial, senti toda a alegria, como se lá tivesse andado a noite toda, enquanto te li, enquanto te ouvi!
Beijos, muitos,
Cris

3:58 da manhã  
Blogger Leonor C.(nokinhas) said...

Querido António, emocionaste-me com esta narrativa! Percorri o Porto contigo e recordei um S.João que aí passei. Foi o primeiro e o único, mas trago gratas recordações. Andei por vários lugares, metendo-me com gente jovem e roubando aquilo que eu julgava ser um alho porro: martelinhos de plástico. Vê-se logo que sou lisboeta...
Quanto a estarmos velhos gágás, nem penses nisso! A vida tem os seus ritmos.Ás vezes abranda, outras acelera, mas não é por isso que deixamos de viver. Um homem também chora. E é bonito ver um homem chorar. Longe de ser um momento de fraqueza é um sinal de sensibilidade. E isso não te falta!
Mas olha, chorei também ao recordar alguns momentos da minha vida. E com que saudade!...
Mas deixemo-nos de chorinhos e vivamos a vida com tudo o que ela de bom ainda tem para nos dar! Para a frente é que é o caminho! E que Deus nos acompanhe!

Beijinhos e um bom Domingo. O sol fez gazeta por cá.

11:23 da manhã  
Blogger lena said...

António vim ler-te depois da folia,
hoje já é 25, não é que eu tenha ido para ao S.João, infelizmente ainda não me posso meter nessas confusões, mas olha que até tive saudades
a tua escrita envolve-me e acabei por sentir cada um dos passos, até me imaginei a levar com umas marteladas na cabeça
conheço bem essas noites de S.João , tanto no Porto como em Braga,
fiz muitas diretas, em que chegava a casa por volta das oito da manhã, um banho e escola, pois aqui em Aveiro onde estou não é feriado e não havia descanso depois de uma noite até ao amanhecer de folia
saudades, algumas
sonhei enquanto te lia foi bom

como sempre escreves bem e deixa de dizer que estás gágá ú que és velho carcaça, não me faças ir aí e dar-te um puxão de orelhas, velhos são os trapos e agora até se fazem belas mantas

vamos lá animar, força eu dou-te a minha mão e ajudo a escrever, pois inspiração não te falta

não me faças ficar com a lágrima ao canto do olho, ainda não estou preparada para grandes emoções

beijinhos para ti meu querido amigo e um abraço com ternura e admiração, um abraço que te consiga tocar, quero sentir-te com toda essa força que nos habituas-te

com muito respeito posso dizer que te adoro, és uma excelente companhia neste mundo da blosfera

lena

11:36 da manhã  
Blogger Ana Luar said...

Acho que assim como eu, andas apenas cansado. Mas concordo plenamente que as festas populares achegam.nos carinhosamente uns aos outros... pena que os laços depressas se diluam nas marcas das horas.

12:11 da tarde  
Blogger António said...

Para "ana joana":
Obrigado pela visita.
Acho que estava particularmente frágil naquela manhã.
Acontece!

Beijinhos

2:56 da tarde  
Blogger António said...

Para "GR":
Obrigado pela visita, Guidinha!
O teu comentário está muito bom.
Gostei muito!

Beijinhos

2:59 da tarde  
Blogger wind said...

Chorar não é sinónimo de gágá:)
Simplesmente é humano, só isso:)
Gostei de te "ver" no S. João ao longo da tua vida, muito bem transmitido, muito bem descrito:)
Beijos

4:44 da tarde  
Blogger lune said...

Já te tinha perdido..mas reencontrei-te de novo..
As palavras assim quiseram, jinhos..
Jaci

5:12 da tarde  
Blogger Leonoretta said...

como dizer...?
com melhor falar...?
dos tres santos so me lembro do sao joao.
sao joao tambem e almadense. e bem. moro na cidade velha. patrimonio a preservar. tem muitos bares e muita tradiçao. ainda. em cada esquina ha sardinhas a assar. e febras e pao alentejano.o cheiro entra pelas janelas. os risos tambem.
nao gosto do natal e muito menos da pascoa. mas sao joao e sao joao. e a noite quente, a noite que parece dia.
ontem tambem nao sai para ir ver o sao joao.

abraço da leonoreta

6:22 da tarde  
Blogger Su said...

gostei de ler.te.
caminhei junto em tuas recordações, pois nunca passei um s joao no porto, mas consegui faze-lo atras das tuas palavras....saudades/recordações/ tempo/nostalgia/emoção..tudo isso te fez transbordar....a ti, a mim
gostei de ler.te
jocas maradas de tempo

6:50 da tarde  
Blogger Papoila said...

Olá António:
O que se passa contigo?
Sabes o S. João aqui nesta nossa cidade não é para se passar sózinho tal como o Natal.
Por isso, vieram buscar-me a casa para uma sardinhada e eu lá fui e deitei um balão.
Para o ano, se for preciso vou lá arrancar-te para dar uma volta.
Este teu texto está aquilo que nós os tripeiros somos nesta noite.
Passa pelo campo.
Um grande abraço e um beijo

7:52 da tarde  
Blogger Papoila said...

Querido António:
Venho só acrescentar que não foi a velhice que te fez chorar, não.
(Tu próprio dizes que teus pais saiam sempre no S. João...)
Não voltas a ficar em casa promete!
Agora até tens o Metro que te leva até ao centro, ou à Boavista.
Voltei, porque sou tripeira como tu "carago" (lol)
Beijo

8:00 da tarde  
Blogger Lmatta said...

gostei
beijocas

9:20 da tarde  
Blogger amita I said...

Meu querido amigo, não gosto nada de te ver assim. Onde está aquele rapaz brincalhão e sorridente que conheço? Velhos são os trapos e mesmo esses têm sempre utilidade.
Adormeceste?! Paciência! É porque estavas a precisar. Alteraste um ritual que te agrada? Mais virão e estou certa que os vais aproveitar plenamente. Gostei de ler estas ´"memórias" que fazem parte da tua vivência e, essa empatia que se cria entre a multidão que enche as ruas do Porto e agora também as da marginal de Gaia, realmente existe. Nessa noite, todas as misérias são deixadas em casa. É uma noite única, indescritível, por onde passeiam sorrisos, cantares, a dança espontânea, etc. É o extravasar despreocupado dos sentidos.
Já faz uns anos que não ia a uma noite de S. João, ver o fogo sobre o rio. Este ano fui, como sempre, para a marginal de Gaia. Esta tua amiga parecia um passarinho. lool Cantei, dancei, ginguei ao som das marchas populares e foi-me bem aplicado o termo "Ó patego... olha o balão". Enfim, cheguei a casa cansada mas feliz, com algumas marteladas, um cheirinho a alho pôrro nos cabelos e perfumada com sardinha assada....loool
Com o intuito de te animar, pois para o próximo ano há mais S.João, deixo-te um bjinho, os perfumes acima descritos e um manjerico enfeitado com o carinho de um sorriso

1:01 da tarde  
Anonymous hodiguitria said...

Um lugar comum: velhos são os trapos! E são mesmo... só para dar um exemplo: a minha avó tem 84 anos e só agora despertou para os passeios...mas recusa-se a ir para um centro de dia porque diz que isso é para os velhos! A idade está na nossa cabeça António! Eu, às vezes, também me sinto com 90 anos, mas depois passa - e essa sua nostalgia também vai passar! Para o ano S. João folião, ok? beijinhos

1:30 da tarde  
Blogger Tons Pastel said...

passei por aqui a caminho de mais um fim de tarde quente e soalheira deste verão. O calor traz uma certa prostração mas ler o teu post trouxe-me um novo vigor.
beijos

4:54 da tarde  
Blogger {-Sutra-} said...

Não precisas de esperar muitos anos para que te leiam as memórias de S. João. Já o estamos a fazer :-)

Bj doce

10:24 da tarde  
Blogger Luna said...

Qual velho gágá, é a nostalgia dos tempos, o aflorar de sentimentos, e afinal um homem chora, como isso é bonito.
boa noite

10:56 da tarde  
Anonymous Fatyly said...

Li e reli. Também tive a minha época de festarolas e não me recordo nada de festejar os santos.
Nunca gostei de multidões, andar aos empurrões, alho porro? só ouvi falar aqui em Portugal. Nunca fui ao S.João, nem StºAntónio e o S.Pedro daqui passa-me despercebido.
O que eu gostava mesmo era dos bailaricos de fim de semana, na praia, no meu quintal, nos quintais ou garagens dos outros...mão na mão, coladinhos e ao som maravilhoso:):)dos pick-ups da época onde quatro pés abriam um rodinha no chão...já que...já que...era tão bom!
Foguetes e fogo de artificio só se for sem som...infelizmente muito parecido com o som que jamais esquecerei.
Tal como tu, filha fora...e dormi como os anjos:):):)
Tudo tem a sua época e há que saber recordar e tu fizestes uma linda história romântica! Parabéns ohhhh velhote e um beijinho desta velhora:):)

11:38 da tarde  
Blogger margusta said...

Olá meu querido António,
...aqui estou eu..lol..depois de te visitar ainda de post "fresquinho", só agora é apareço...falta de tempo amigo..lol...

Meu amigo fiquei tão emocionada ao ver deslizar perante os meus olhos esse teu "filme de vida" das noites de S.Jõao...gostei muito António...muito!!!
Não admira que tenhas ficado emocionado ao escrever este texto, seria de admirar se não ficasses...sinal que não sentias aquilo que escrevias...porisso meu amigo...essas lágrimas foram pérolas...pérolas lindas, como essa alma Linda e Sensivel que tens!

Beijitos para ti...com a lagrimita no canto do olho ;)

12:12 da manhã  
Blogger guga said...

Oh António. Que pena não teres ido. Vais ver que ainda vale a pena e atenuas as saudades. Eu continuo a ir agora também com o meu pequenito para o ir habituando, mas as coisas realmente já não são exactamente as mesmas.

bjs Sandra

12:06 da tarde  
Blogger Caiê said...

Nunca vivi o S. João do Porto, mas cá está um retrato à maneira!

2:19 da tarde  
Blogger Caiê said...

... Seu velhote! eh eh eh... eu já estou velha por dentro!

2:19 da tarde  
Blogger Tons Pastel said...

Olha amigo , idade e S.joão não têm nada um com o outro. É preciso é brincadeira. Toca a partir para a rua. jinhos

3:00 da tarde  
Blogger tonsdeazul said...

Gágá não está de todo!!!
Nunca participei de uma noite de São João, mas sendo no Porto bem sei que são noites únicas e memoráveis!!

Bonita partilha de memórias

4:43 da tarde  
Blogger António said...

Para "fatyly":
Olá!
Obrigado por teres vindo.
Mas deixa-me que te diga:
uma coisa são as festas e romarias populares; outra eram os bailes na garagem de um amigo ou amiga em que só queríamos dançar a tal "música de constituir família".
Ah ah ah

Beijinhos

6:37 da tarde  
Blogger Tons Pastel said...

António

Os amigos sem cara,anónimos,estão cá para nos ouvir, ler e conversar connosco.
Considera-me uma amiga
Um beijo

8:14 da tarde  
Anonymous Fatyly said...

António...claro que sim e compreendi-te perfeitamene, porque sempre participaste e já vinha do teu pai conforme referes.
E eu falei apenas da minha vivência, sem querer de forma alguma desprestigiar as tradições populares, que ao vivo nunca vi. Poderia falar-te de outras...mas ficaram por lá!
Desculpa!
Beijos sinceros

8:17 da tarde  
Blogger PF said...

Ola, querido amigo....espero que o teu pc fique bom depressa...
Um beijinho pa ti, lindo.

9:14 da tarde  
Blogger lazuli said...

Um dos melhores textos teus, meu amigo. Talvez porque nessa manhã estavas particularmente frágil e daí retiraste a força para tão bem descrever as sensações, as pessoas, tudo o que te rodeava, por fora..e por dentro.

Com essa alma grande e um coração generoso como o teu.

Beijos

fernanda

1:58 da manhã  
Blogger Tons Pastel said...

António

somos da mesma geração e nunca quis magoar-te.pareceu-me pelo comentário que deixaste no tons e por isso peço-te desculpa. em tempo de recordações todos ficamos um pouco fragilizados e eu não sou excepção. lágrimas logo a correr. um beijinho

9:18 da manhã  
Blogger António said...

Para "fatyly":
Minha querida amiga!
Quero só dizer-te que estás absoluta e definitivamente proíbida de escreveres:
Desculpa!

Beijinhos

2:54 da tarde  
Blogger alfazema said...

Hoje, véspera de S.Pedro, dia de festa na minha paróquia, descubro um post que fala de santos populares. Como gosto destas brincadeiras!Já não salto fogueiras, mas como sardinha assada, danço, rio com conhecidos e desconhecidos, lá no arraial. Fazemos uma espécie de família alargada nestes dias já que o tempo não está para grandes brincadeiras. Vamos lá ver se rir, dançar, brincar não começam a pagar imposto.
Um beijo

4:42 da tarde  
Blogger lusoblogger said...

Um belo texto e a memoria viva que as tradições nunca devem acabar!

abraço

11:00 da tarde  
Blogger pinky said...

eu cá aconselhava um cafézito depois do jantar penso que isso resolve o assunto! agoraaaaaaa velho? tu? nãaaaaaaaaaaa deixa lá para o ano há mais! agora alhos porros na cabeça?! noway recuso-me

4:26 da manhã  
Blogger alfazema said...

António

Falo da feira do Carmo em Faro. Há muitos anos, eu estudava nesta cidade, mas sou da serra do caldeirão e a feira era um acontecimento. Nesse dia , as pessoas saíam de casa bem cedo para comprar aquilo que durante o ano tinham anotado num velho papel e que precisavam comprar na dita feira. Outros tempos, outras vidas, outras histórias...tão perto e tão longe!
Um beijinho

8:53 da manhã  
Blogger alfazema said...

Agradeço as tuas palavras. Desculpa ter esquecido a forma reconfortante com que iniciaste o teu comentário. beijo

8:54 da manhã  
Blogger amigona said...

Oi António, que é isso de velho?!!! beijos...

9:12 da manhã  
Blogger Ana Maria said...

se os meus arrepios são lábios atiro-te os meus beijos. Emocionante toda esta melancolia as memórias no martelo de S. João abriram-te a cabeça.

li o teu texto com concentração do principio ao fim, não esqueci nenhuma vírgula, enfim, martelei as minhas saudades também.

um jinho

10:43 da manhã  
Blogger lena said...

António hoje é dia de S. Pedro

dá-me a mão e vamos saltar a fogueira, ou não se salta a fogueira hoje??


não sei, mas apetece-me saltar e vens comigo

ehehehehe

só não me quero queimar


beijinhos meu querido amigo

lena

12:33 da tarde  
Anonymous oteudoceolhar said...

Gágá?? Eu quero ficar assim como tu...a escrever desta forma e estás gágá? Recordações memórias..uma lágrima que mal tem isso...pelo menos tens o que recordar. Adorava ir ao Porto no S.João deve ser magnifico a união as pessoas o fogo de artificio... Adorei o Porto que saudades de lá voltar...Beijo n´oteudoceolhar ** (esse pc já está fino;)?)

6:49 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Olá pá.
Tens uma optima memória.
Sabes que já não me lembrava dessa parte da praia???
Se tudo correr normalmente para o ano podes vir a minha casa. Ainda se lança fogo e balões.
Um abraço
jampg

12:11 da manhã  
Blogger alfazema said...

Obrigada António
Gostei das palavras que aqui deixaste. Souberam-me bem. Daqui vai um beijo e um abraço. E já agora, quantas vezes fui ao teu S.João? Conta lá e diz-me.

4:34 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Esgotaste o reportório com o S.João que te faltaram as palavras para o S.Pedro. Não sejas injusto e escreve algo sobre Ele..........olha que Ele tem em seu poder a chave das portas do céu!
Bfds......abraço da Intemporal.blogs.sapo.pt

11:22 da tarde  
Blogger APC said...

Amigo António:
E o S. Pedro já se acabou;
vamos a criar outro post;-)

Provocando,
APC

4:10 da manhã  
Blogger Menina_marota said...

"...E, de repente, comecei a chorar.
Bolas! Que se passa? Acho que estou mesmo a ficar um velho gagá!..."


... bem, então eu também estou, porque as lágrimas me correrem pela face.

Não tenho essas memórias do S. João, até porque a minha infância e adolescência, não foram cá passadas, só conheci o Porto já a fazer os 17 anos. Mas lembro-me perfeitamente, do 1º. S. João que aqui passei e a suspresa que foi todo aquele envolvimento. No ano seguinte, voltei, não com os Pais, que por acaso até se tinham ausentado do País e eu fiquei entregue a uma empregada, mas com o meu primeiro namorado e que seria mais tarde, o meu primeiro marido...

Choro de saudade? Talvez... mesmo os sonhos que terminam mal, por vezes deixam saudades...da ingenuidade desses tempos...
Eu sou saudosa e chorona também, ou estarei a ficar gagá?!

Um abraço carinhoso e volta depressa. Fazem-me falta estes teus momentos... ;)

12:51 da tarde  
Blogger zicacabral said...

que maravilha de texto . Resumiste todas as fases da tua vida de - tendo como foco a Noite de S João - de uma maneira clara e simples mas tão profunda. Todos os rituais de passagem estão aqui. É a tua vida mas podia ser , igualmente, a de cada rapaz da tua geração.....
Um beijo enorme Antoninho e acho que já é tempo de fazeres uns ineditos (cronicas, contos, o que quizeres) e mandares para uma editora . Satares do mundo restricto dos blogs e passares para o mundo mais vasto dos livros.............podes crer que eu comprava-os todos
beijinhos grandes e muito amigos

5:38 da manhã  

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