Eu sou louco!

Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças! (este blog está registado sob o nº 7675/2005 na IGAC - Inspecção Geral das Actividades Culturais)

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segunda-feira, novembro 13, 2006

Uma família burguesa - parte XIV

Primeira metade de 2006.
Francisco Torres e Marina Pimenta continuavam a trabalhar no stand de venda de automóveis novos e usados do qual o homem era sócio.
Mas o negócio estava um tanto parado.
Em casa, Marina, depois de acabarem de jantar mas ainda sentados à mesa, falou:
- Oh Chico! Eu tenho estado a pensar se não será melhor venderes as tuas cotas do negócio do stand. Este ano os lucros vão ser muito baixos e a tendência é para piorar.
- Não me parece que a situação seja dramática. – respondeu ele – Isto funciona por ciclos e daqui a dois ou três anos está outra vez na mó de cima.
- Mas pode não estar! E se agora podes ainda vender por um bom preço, mais tarde pode já nem haver quem queira comprar – argumentou a loira.
- Mas o negócio é assim! – disse o resignado Chico.
- Ouve, homem! Nunca ouviste dizer que não se devem pôr os ovos todos na mesma cesta? Pois então pensa nisso. E até te digo mais: podes vender uma parte da tua posição na sociedade e investir noutra coisa, mantendo a restante. Não te parece sensato? – insistiu ela.
- E em que é que poderia eu aplicar o dinheiro resultante da venda? Só sei de compra e venda de carros. Foi sempre a minha vida – falou, não parecendo muito convencido, o Torres.
- Também já pensei nisso! E até nem precisas de muito dinheiro. Compras as cotas que o Renato Delgado tem no “Borda d’água”. Parece que ele quer ir para o Brasil e vender. Quem mo disse foi o meu irmão Alex e ele próprio compraria se tivesse dinheiro. O Renato tem cinquenta e cinco por cento. Ficavas sócio maioritário do bar – sugeriu a Marina.
- Mas eu não percebo nada desse negócio – disse, pouco entusiasmado, o homenzarrão.
- Percebe o Alex! Ficava ele à frente. Eu continuava no stand e tu, ou ficavas só no stand ou fazias as noites no bar, dormias de manhã, e fazias as tardes no stand. Que achas, meu amor? – e fez-lhe umas carícias no pescoço.
- Tenho de pensar melhor, mas não me parece uma ideia tola, não senhora – começou a ceder o Francisco.
- Pois te garanto que não é! Até já falei com o Alex sobre isso.
- Isso já eu percebi! – sorriu o homem.
- Queres que amanhã o meu irmão venha cá jantar e falamos sobre o assunto? E não te vai ser difícil vender uma parte do stand a um dos outros três. O Moreira quer ser maioritário mas o Dinis não quer perder a posição, portanto vão-te fazer ofertas boas. O Moniz não se importa nada – previu a despachada Marina.
- Então diz ao teu irmão para vir cá jantar amanhã. E que traga elementos contabilísticos para eu analisar – anuiu o pequeno empresário.
- Está bem. Deixa-me dar-te um beijinho. – disse ela com um sorriso provocante – Logo vamos comemorar na cama. E agora vou arrumar a cozinha e tratar de outras coisas.

No dia posterior, ainda não eram sete da noite e o cunhado do Francisco já tocava à porta do apartamento da baixa portuense inserido num prédio com evidentes traços arquitectónicos dos anos cinquenta.
Feitas as saudações habituais, disse Marina:
- Eu ainda estou a acabar o jantar. Podem falar de tudo: carros, futebol, política...mas dos negócios que vamos fazer só quando eu estiver presente, valeu?
- Está bem, minha querida! Tu és imprescindível! – concordou o marido.
- Esta minha irmã é uma vivaça! – disse o homem que tinha cinco por cento do “Borda d’água”.
E lá foram conversando sobre isto e sobre aquilo, mas acabaram por falar também na situação financeira da pequena sociedade. Os lucros não eram famosos, mas Alex garantiu que poderia pôr o negócio a dar mais, bastando para tal ser mais agressivo comercialmente.
Pouco depois apareceu o Marco António que, com os seus oito anos, meteu umas colheradas na conversa que provocaram uns piscares de olhos entre os dois adultos.
Finalmente sentaram-se todos à mesa.
- Bom apetite! - disse o Francisco.
Os outros repetiram os votos.
- Então – começou o dono da casa – parece que o teu sócio maioritário quer vender a cota dele!

- É verdade! – iniciou a sua explicação o Alexandre – O Renato, que tem cinquenta e cinco por cento, vai para o Brasil e o Gilberto, que tem quarenta, não quer aumentar a sua cota. Portanto, o que eu imaginei foi que tu poderias vender alguma coisa dos carros e comprar ao Renato. Até te pedia mais: como comissão por intermediar o negócio, compravas cinquenta para ti e cinco para mim. Assim tu ficavas maioritário na mesma e eu, com dez, teria mais entusiasmo para tomar conta daquilo, já que o Gilberto só trata da contabilidade e de compras e recebe os lucros.
- Com que então queres uma comissão? Tu ainda és mais fino do que a tua maninha... – e riu-se.
Mas continuou:
- Está tudo muito bem, mas tenho de vender parte do que tenho investido no stand. Penso que não vai ser difícil. Claro que eu tenho um pé-de-meia razoável, mas não lhe quero mexer. Posso bater a bota e não me agradaria deixar a Marina e o Marco desprevenidos.
- Assim é que é um bom pai de família. – disse o homem da cabeça rapada – E quando é que se pode saber da tua disponibilidade?
- Dentro dos próximos três dias já te posso dizer alguma coisa de concreto, julgo eu. Entretanto podes falar ao Gilberto...
- Não! Ao Renato...Renato Delgado! – corrigiu a Marina.
- Seja! Dizia eu que podes falar ao Renato que estou interessado em comprar a parte dele pelo valor justo – disse o Chico.
- Está bem! Então quando tiveres as coisas tratadas lá nos carros, ligas-me!
- Combinado! – rematou o Torres e olhando para o filho – Oh menino! Veja lá se se comporta à mesa como deve ser! Os cotovelos e as mãos não se põe assim, pois não?

Nos dias seguintes, Francisco Torres conversou com os seus três sócios acabando por ficar acordado, embora o entendimento não tivesse sido fácil, que ele venderia quinze por cento da sua cota a José Moreira que passaria a ser o novo maioritário, ficando o Chico com quinze.
Ao fim de cinco dias telefonou ao cunhado para dar a notícia. Marina tinha acompanhado tudo, naturalmente, até porque era funcionária da empresa.
- Olá, Alex! – falou o Francisco.
- Olá, Chico! Há novidades?
- Sim, já está tudo de acordo. Agora falta executar o combinado. E no bar? – perguntou o Torres.
- Já falei com o Renato e ele concorda em vender-te cinquenta e os tais cinco a mim – informou o irmão de Marina.
- E valores?
- Isso é melhor falarem os dois. Passa por cá logo à noite. Se houver algum impedimento eu aviso-te. Mas penso que podes fazer um bom negócio. Ele tem pressa!
- Então está combinado. Lá pelas nove e meia...dez...eu passo por aí.

E no início de Setembro de 2006 estava tudo arrumado.
Francisco Torres baixara a sua cota no stand de automóveis e tornara-se o sócio maioritário do bar “Borda d’água”.
Dormia de manhã, trabalhava de tarde na empresa de transacção de automóveis onde permanecia a tempo inteiro a mulher, e à noite ía para o bar.

21 Comments:

Blogger António said...

Esta (blogo)novela é, como já repararam, uma série de histórias protagonizadas por membros da família Costa Lima e outras personagens que circulam nas suas proximidades.
A história do Manel, da Ana e da Joana (e isto não tem nada a ver com Ana Joana...eh eh) ainda não está terminada.
Mas como o autor é um malvado e um chato, nesta parte XIV vai começar uma outra história centrada no Francisco, na Marina e no irmão desta, o Alexandre.
Para facilitar a vida a quem já não se lembra de quem eles são, direi que o primeiro é o ex-marido da Ana Maria, ela a antiga amante e agora sua amada esposa e o Alex foi o autor do bilhete anónimo que despoletou o divórcio do Chico.
Agora não aceito reclamações sobre quem é quem!
eh eh
Até breve!

3:44 da tarde  
Anonymous tb said...

Querido António!
Mais um episódio da família. Como explicas entendi perfeitamente bem que ias conmeçar uma história paralela.
Bem hajas pela informação.
Jinhos

6:35 da tarde  
Blogger Paula Raposo said...

Ok!! Estou mais que situada na (blogo)novela!! Beijos.

7:46 da tarde  
Anonymous Ana Joana said...

Olá António!
É que não tem mesmo nadinha a ver não senhora.(eheheh) A Ana Joana nunca aceitaria ter as tarefas domesticas diárias não partilhadas. As mulheres desta familia cozinham, põe e levantam a mesa, depois lavam a loiça e arrumam a cozinha, etc, etc, etc....enquanto os homens desta familia só vão da sala prá mesa e da mesa prá sala, sem nunca mexerem uma palha para ajudar !!!GRRRRRRRRRRRRRRRRR que raiiiiiiiivvvvvvvaaaaaaaa!!!!

Está um bocadinhOOOOOOOOOOO machista esta blogonovela, não acham meninas????

António, põe lá estes gajinhos todos a bulir nas tarefas domésticas porque isso não é mais do que a sua obrigação. Não te esqueças que estamos no século XXI!

Tirando esse pormaior, o desenrolar deste episódio vem abrir outra porta a sagas apimentadas: é que juntar venda de automóveis com serviço de bar (nocturno), só pode ser o prenuncio de grande bernarda! E olha que não estou a falar de cor.

O que será que prá'i vem?!???

Beijinhos
Ana Joana

9:30 da tarde  
Blogger wind said...

Pois, antes de ler o teu comentário tive de andar posts para trás para ver quem eram:((((
Este capítulo foi descritivo para introduzires algo, por isso aguardo:)
beijos

9:30 da tarde  
Blogger António said...

Para "ana joana":
Olá, minha querida amiga!
Pois por ser uma novela que se passa no sec. XXI é que, premonitóriamente, põe as mulheres a fazer os trabalhos domésticos e os homens no sofá.
É isso que irá acontecer de novo daqui a poucas décadas.
Os homens serão tão menos que será preciso estimá-los e poupá-los como preciosidades.
ah ah ah

Beijinhos

11:13 da tarde  
Blogger redonda said...

E eu que vim para saber como ficava a Joana...
Tá visto vou ter que voltar para saber da Joana e dos outros...
Beijinho

11:30 da tarde  
Blogger Fatyly said...

Como todo o bom livro que se preze...tem partes mais chatas, embora com o desenrolar por vezes volto atrás, releio e afinal não era assim tão chata!
Foi o que aconteceu com este teu capítulo. Desculpa a minha sinceridade e aguardarei:):):):)

Beijos

11:20 da manhã  
Anonymous Becas said...

As pontas da história estão todas levantadas... e os leitores ansiosos por saber que volta isto vai dar!!! Mais um episódio, mais uma história...
És um autor muito querido... fazes a papinha toda! Foi bom relembrares que o Alexandre é o tal que mexeu os cordelinhos para a Ana Maria deixar o Francisco livre para a sua irmã...
Não admira que a Ana Maria tenha ficado tão destrambelhada que agora quer ter um filho do cunhado!!! Ai, se o avô Costa Lima alguma vez iria imaginar que os seus três netinhos iriam envolver-se numa embrulhada destas!!! Eheheh
António... começa a dar respostas à nossa curiosidade...
Parabéns pelo teu trabalho... gosto imenso de o ler!
Beijinhos

2:44 da tarde  
Blogger António said...

Para "becas":
Olá minha amiguinha!
Obrigado pelo comentário.
Agora não tenho escrito quasi nada pois já só falta fazer um post.
Agora tenho melhorado os textos já escritos e colocado-os on-line.
Mas ainda vai haver mais histórias.
Volta sempre!

Beijinhos

2:55 da tarde  
Blogger Papoila said...

Ora bem lá vamos nós ver o que se passa com o casal "feliz" Francisco e Marina...
Beijo

5:15 da tarde  
Blogger Heloisa B.P said...

A "Familia" preocupa-se com os negocios (como convem!...)!...
Meu caro Amigo*, nao, nao perdi o interesse!_Conhece, o Antonio*, algumas de minhas dificuldades!_Elas, sao a razao principal de minha ausencia!
Ca' voltarei, pode crer_o mais rapido possivel e...com PRAZER_!!!

ABRACO!
Heloisa
***********

7:40 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Uma BIG novela ou talvez um romance, como noutros tempos se dizia, sim porque eu sou de outros tempos!!!!
Vou acompanhando o desenrolar enquanto aguardo o final. Deixo-te um xi...........e digo: Até á próxima visita.
Intemporal

10:19 da tarde  
Blogger Peter said...

ah ah ah boa resposta:

"Os homens serão tão menos que será preciso estimá-los e poupá-los como preciosidades."

E temos o Franciso Torres lançado no mundo do futebol...

10:19 da tarde  
Blogger António said...

Para "intemporal":
Obrigado pela visita e pelo comentário.
Sei que tens um blog mas acho que nem está no meu rol de links.
Queres deixar-me o endereço?

Beijinhos

10:36 da tarde  
Anonymous GR said...

Gosto muito de ler histórias dentro da mesma, aliás, extremamente perceptível.
A vida gira à volta de várias pessoas, de diferentes famílias, porém todos tem algo em comum, já terem pertencido ao núcleo familiar Costa Lima.
Depois consegues introduzir, novos capítulos indo buscar personagens que poderiam estar esquecidas, nenhuma está sempre nos bastidores, todas entram com o mesmo interesse e rapidez com que saíram. Todos os teus personagens são importantes!
A mulher tem aqui (e sempre) papel activo. Independentemente de estar rodeada por homens com atitudes machistas (os trabalhos de casa são sempre feitos por ela), não deixa também de ser a mulher que toma as decisões!
Mariana é activa, inteligente e decidida, sem o mostrar nem deixar transparecer, foi ela levou o marido a fazer o negócio!
Gosto mesmo muito desta história, tem uma grande consistência literária!

Muitos bjs, mas vai haver com esta família uma grande encrenca!!!

GR

11:44 da tarde  
Blogger António said...

Para "gr":
Olá Guida!
Obrigado pelo teu comentário.
Gostei da análise que fizeste.
Só não concordo com a ideia que a Ana Joana lançou e que tu apanhaste.
A de que os homens são muito machistas.
Começa por ser um chavão sem grande sentido.
Depois, eu não entro em suficientes pormenores sobre quem faz ou não faz os trabalhos domésticos.
Ainda posso dizer que há empregadas e não estou a ver nem o Director António José, nem o empresário Ricardo, nem o professor universitário Manel a cozinharem ou lavarem a loiça.
Não crio personagens a pedido.
São abastados e com posição social.
Penso que se não fizerem nada disso ou não aspirarem a casa estou a ser muito mais realista.
Por acaso até pus o Mário a ajudar a Nanda a cozinhar...
Volta sempre!
Beijinhos

12:32 da manhã  
Anonymous Ana Joana said...

Uiiiiiiiiiiiiiii! António, isso é mais uma provocação????

Vou acreditar que sim. A emenda foi bem mais MÁ que o soneto! Com que então quadros superiores machos não partilham tarefas domésticas porque ou têm empregadas ou têm estatuto???????

Fica desde já aqui, PUBLICAMENTE, efectuado um convite para vires fazer um estágio cá a casa. rssssss
(tambem tenho empregada todas as manhãs!!!!) e pertencemos a essa "classe" que tu descreves. rsssssss. E para não enjoares, terás oportunidade de circular por mais uma duzia de casas nas mesmas condições rsssssss.

Marca a data e vem viver experiencias diferentes e sentir a adrenalina das tarefas domesticas partilhadas!!!!(swing não disponivel).

Beijinhos
Ana Joana

10:50 da manhã  
Blogger António said...

Para "ana joana":
Olá!
Com todo o respeito, o teu caso e outros semelhantes que referes são pontuais.
Também eu conheço situações desse género e de outros.
O que desconheço é uma estatística feita com carácter científico (de âmbito nacional ou mesmo regional) que nos dê os números relativos a casais que fazem partilha fifty/fifty dos trabalhos domésticos, ou os casos em que o homem só ajuda, ou em que o homem não faz nada, ou em que é a mulher que nada faz, ou em que nem um nem outro e a casa mete nojo, ou em que são empregadas que o fazem.
Há uma multiplicidade de situações e não sei quais as mais frequentes ou menos frequentes. Aliás, isso também varia ao longo da vida conjunta de um casal.
E varia com a condição económica, com as mentalidades, com os hábitos adquiridos, com os grupos etérios, com as regiões, e também com o local de vida ser rural ou citadino.
E não vale a pena ser mais exaustivo.
Algumas das minhas personagens não estão bem caracterizadas nesse aspecto nem me parece que isso seja muito relevante.
Até podiam ser um caso único!

Beijinhos

1:31 da tarde  
Blogger APC said...

... E varia porque à medida que a intimidade se vai escoando, a empregada vai passando mais tempo em casa! (joke)
Mas vou pedir dados ao INE! ;-)
1) Prof. universitário é classe média (faz-me o favor de acreditar, sim?). Esses, os padres e os advogados já foram diferenciados em termos de estatuto (como os empregados bancários - ai jesus, esses nem falar!). Agora alguns dos novos trabalham em call centers, se preciso for. E os de carreira valem se evoluiram...!
2) Se ambos os elementos de um casal trabalha fora, ambos têm que trabalhar dentro (disse alguma asneira? Ah... Meras ajudinhas dispensam-se, claramente; e a inépcia enfeia qualquer um).
Caso assim não seja, é porque estamos em presença de um senhor e de um escravo, logo, sempre há empregada/o doméstica/o, só que interina/o, lol. No caso dessa/e ser a mulher, o homem que, já tem uma criada dentro, vai ter que procurar uma senhora fora, presumo eu (como naquela típica dicotomia: santa mãe dos meus filhos X amante realizadora das minhas loucuras)!
3) Não obstante, e depois destas provocações todas (e amigáveis, sempre!), parece-me razoável que quem não tenha profissão ajude em casa. E também me parece deselegante troçarmos demais de uma situação que realmente ainda acontece nos dias de hoje (a esposa como substituta da mãe, que até escolhe a roupa do marido).
O que não consigo entender é como é que uma história actual pode ter tanta mulher doméstica (por Deus!... Eu conheço um par delas!). Ou a família têm um bom poder económico e ninguém estraga as mãos na cozinha, ou onde vais arranjar tantas delas que façam tudo pelos seus, sem ser nas camadas mais baixas, em que não só o fazem, como ainda dão o litro fora de casa para sobreviver?
4) Seja como for, numa coisa estás coberto de razão: nesta história, que é tua e que vai muitíssimo bem, quem manda és tu, e as personagens são por ti desenhadas como bem entendes. Não só respeito como admiro e ficarei atenta. Eu ando a escrever sobre uma viagem que acontece numa espécie de vagão que, não só não existe, como, estruturalmente, não poderia existir, e que passa por sítios também inexistentes e por coisas improváveis. Logo, quem sou eu?
5) R: Sou a que te deixa um abraço, sempre que a feroz rotina mo permite; o que, por ser cada vez mais difícil, implicará o meu afastamento regular da blogosfera.

Um enorme bem-haja e muitas-muitas felicidades, meu caro António! :-*

3:04 da manhã  
Blogger Betty Branco Martins said...

Querido António

Tanto "cruzamento" que troco os nomes todos! Que o melhor é não mencionar nenhum, assim não corro o risco de enganos.

Realmente é verdade, tens toda a razão, há uma multiplicidade de situações que ao ler "casam" perfeitamente na forma como desenvolves a história. As passadas e as actuais (cenas).

Penso que não foge muito ao real da vida de certas pessoas, e é claro que tem muita importância, o local e no próprio ambiente onde as pessoas estão inseridas.

O que estás a fazer com todas estas personagens, é um "apanhado" muitíssimo bem feito.
De um poder analítico, não só da sociedade, mas também da família. Excepcional!

Beijinhos com carinho
BomD(:)mingo

1:17 da manhã  

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