Eu sou louco!

Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças! (este blog está registado sob o nº 7675/2005 na IGAC - Inspecção Geral das Actividades Culturais)

A minha fotografia
Nome:
Localização: Maia, Porto, Portugal

sábado, dezembro 09, 2006

Antoninho Oliveira

Desde que me conheço, a família Oliveira faz parte do meu mundo, ou pela presença física ou mental.
O patriarca, António de Oliveira, nasceu em 1904 proveniente de famílias rurais do Minho litoral e de outros pontos do norte do país.
Desde novo ía passar alguns períodos para Vila Praia de Âncora. Aí teve alguns namoros mas nenhum acabou em casamento, sendo que um deles acabou mesmo em tragédia. Mas isso são contas de outro rosário que não se reza nesta missa.
Nenhum?

Minto!
Em 1946 casou com a Maria do Faro que tinha nascido em 1927. Feitas as contas, poderá verificar-se que nessa data ele tinha quarenta e dois anos e ela dezanove.
Vinte e três anos de diferença!
A Mariinha, como lhe chamavam (atenção que os dois i’s devem ser lidos separadamente, sendo a sílaba tónica a segunda dessas vogais), era proveniente de Valença, de famílias modestas, e estava a trabalhar em Âncora o que propiciou o conhecimento entre ambos.
Do matrimónio nasceram três filhos:
O Carlos Manuel, nascido como eu em 1949, a Maria Manuela que viu a luz do dia em 1950 (um anos antes da minha irmã) e o António Manuel (mais conhecido pelo Tatuna pois tivera algumas dificuldades em começar a falar) que abriu os olhos em 1952.
A família vivia no Porto, na zona de Paranhos, e o Oliveira era comerciante de fazendas.
Mas tinha outros rendimentos, nomeadamente de aplicações em acções e obrigações e de rendas de prédios urbanos. Muitos desses bens herdara de seu pai.
Estas cinco pessoas foram, nomeadamente durante os anos 50, os principais amigos da minha família (estou, no entanto, a excluir alguns tios e primos com quem tínhamos relações particularmente sólidas). No Porto era frequente encontrarmo-nos aos domingos, ou em casa de uns ou em casa de outros. Nas férias lá estávamos todos na vila piscatória mas dotada de uma magnífica praia (se esquecermos as nortadas e a baixa temperatura da água do mar).
Mas nessa década ainda o Algarve não era destino de férias para quasi ninguém.
As imagens que tenho do Antoninho (pois este, como já devem ter adivinhado era, nem mais nem menos, o António de Oliveira) são as de um sujeito de estatura média, uma proeminente barriga e uma vasta calva no topo da cabeça rodeada de cabelos grisalhos claros por todos os lados menos por um e um livro, cuidadosamente encapado com papel para não o estragar, debaixo do braço.
Mas, mais do que isso, o que ressaltava do Antoninho Oliveira (Sr. Antoninho ou Sr. Oliveira como respeitosamente lhe chamávamos, mas título que eu omito neste texto) era a sua extraordinária calma. Não tinha horas para nada. Ía para um determinado destino e se calhasse de encontrar alguém no percurso que lhe desse “trela”, era certo e sabido que pelo menos uma hora de conversa estava garantida.
A família rapidamente se habituou a fazer de conta que o relógio não existia.
Naquela altura, o Oliveira tinha um dos mais conhecidos e melhores carros da época, o Volvo “malotinha”, salvo erro com a matrícula OP-14-04, com auto-rádio de origem e tudo. Como o pai Castilho não tinha automóvel nesse tempo, andávamos muitas vezes à boleia no carro vermelho escuro (as senhoras provavelmente encontrariam um nome mais adequado para a sua cor mas...espero que me tenha feito entender).
Claro que nunca chegava a horas, o que deixava o meu pontualíssimo pai, apesar de todo o esforço de auto controlo que fazia, por vezes perto da loucura.
E havia os passeios dominicais, mais de uma vez com os quatro adultos e as cinco criancinhas dentro da máquina. Mas o Antoninho conduzia sempre devagarinho...
Era o Oliveira sócio do F. C. do Porto e tinha um número muito baixo pois conseguira fazer uma coisa que era permitida na época: herdar o do seu pai.
Quantas vezes chegou ele ao seu lugar cativo na bancada central do estádio das Antas e já o jogo tinha passado mais de metade da segunda parte.

Como viviamos muito perto do estádio, frequentes vezes o nosso amigo vinha a nossa casa depois do jogo.
Lembro-me que uma vez, num dia 4 de Setembro, domingo de bola, ele ficou lá até depois da meia noite porque, por coincidência o seu aniversário e o de minha mãe eram a 5 desse mês; e assim, logo no início do festivo dia se abriu uma garrafa de champanhe para comemorar.
Foi esse desprezo pelo tempo, esse saber viver ao ritmo do que nos dá prazer e que eu nunca mais encontrei em ninguém, que certamente lhe permitiu ser o ídolo da criançada, sempre a contar as suas histórias, reais ou inventadas, que faziam a nossa delícia.
E também a sabedoria que dele, autodidacta, imanava.
Penso que ocupou, pelo menos parcialmente, o lugar dos avôs que eu jamais conheci.
É, sem dúvida, uma figura inolvidável para mim, apesar de já ter falecido em 1976 com setenta e dois anos de idade.
Daí este texto ser, essencialmente, uma homenagem sentida a esse homem bom.
Mas o Oliveira tinha um hobbie que lhe ocupava muito tempo: a fotografia.
A preto e branco, sempre!
Passava horas à espera que o sol ou as nuvens estivessem na posição pretendida para disparar a sua máquina, mesmo que houvesse algo mais relevante em primeiro ou segundo plano. Também fazia a revelação numa câmara escura que tinha em casa. Era um amador que pedia meças a muito profissionais. Na casa dos meus pais havia alguns dos seus trabalhos colocados nas paredes. Penso que o seu espólio fotográfico está guardado pelos filhos que também conservam o sempre eterno Volvo.
Um vez, numa passagem de Ano, apareceu em Âncora com aquele que foi o primeiro gravador de som que vi em toda a minha vida. Era do tipo bobinas (as cassetes só apareceriam alguns anos mais tarde), e foi durante algum tempo uma coqueluche. Ele, mais o meu tio Simão e o primo mais velho, o Jorge, chegaram a gravar a peça de Júlio Dantas “A ceia dos cardeais” ( Em que pensas cardeal? – Em como é belo o amor em Portugal!) numa simulação de teatro radiofónico, mas todos queriam deixar gravada a sua voz, incluindo a criançada como não podia deixar de ser.
Noutra ocasião propôs ao meu pai um negócio de compra de pentes em sociedade, já que se tratava de um material de muito bom preço (lembro que nesses anos 50 os homens não utilizavam escova para o cabelo: só pente!). O pior foi que, quando quiseram começar a vendê-los para ganharem o seu quinhão, verificaram que sendo feitos de um plástico inadequado ou mal fabricados, com cada passagem do utensílio pelo cabelo caíam vários dentes (do pente, obviamente) do que resultou terem decidido não os lançar no mercado. E foi assim que lá em casa nunca mais se comprou um pente, pelo menos até eu ir para a tropa.
Outro pormenor curioso foi o de o Antoninho...
E agora será a altura de tentar saber porque toda a gente, nomeadamente em Vila Praia de Âncora, o tratava por Antoninho em vez de António. Ainda hoje, quem o conheceu se refere a ele usando o diminutivo.
Não há nenhuma razão cientificamente comprovada, mas eu penso que se deve ao facto de ter ficado solteiro até tão tarde, o que fez perdurar a terminação em “inho” ad aeternum.
Mas voltemos ao tal pormenor curioso:
Como a filha Manela tinha nascido no exacto dia da Princesa Ana, filha de Isabel II de Inglaterra (15 de Agosto de 1950), alguns anos mais tarde resolveu escrever à Rainha a dar-lhe conta do facto e, passados uns meses, recebeu uma missiva com o timbre da família real britânica, remetida de Buckingham, com um texto adequado mas que neste momento não recordo.
Ontem à tarde, e com o objectivo de preparar esta prosa, telefonei à Maria do Faro para lhe pedir algumas datas e estivemos quasi uma hora ao telefone.
O filho Carlos está ligado profissionalmente ao audiovisual e deu-lhe três netos.
A Nelinha tirou o curso de engenharia química, como eu na FEUP, e ficou solteira.
O Tatuna é o responsável pelo agora remodelado armazém de fazendas (que há muito vende sobretudo a retalho) e tem dois filhos.
Depois do que disse e do que não disse, já está mais do que claro que o Antoninho Oliveira foi uma pessoa que esteve muito presente, e de forma marcante, na minha vida e não só até 1961, ano em que o facto de ter falecido o meu tio Simão em Âncora veio provocar uma descontinuidade na relação entre as duas famílias que foi complementada por, em 1963, o meu pai ter comprado o seu primeiro (e único, diga-se desde já) automóvel.
Apesar de tudo, as relações prolongaram-se ao longo dos anos.
E, mesmo caindo no erro de me repetir, vos digo que duma coisa todos poderão estar certos: jamais esquecerei o Sr. Antoninho Oliveira.

26 Comments:

Anonymous GR said...

Como já tinha saudades das tuas fabulosas Crónicas!
História de vida, pedaços de ti próprio transcritos em “papel”.
As descrições, a memória dos locais, amigos e as datas são pormenores que só um bom contador de histórias ou um escritor demonstra essa capacidade.
O Antoninho, faleceu cedo (!)
Como era possível, quatro adultos e tanta criançada, num automóvel?
Acredito que todos se divertiam, de tal maneira que hoje ainda recordas. O Sr. Oliveira era um autodidacta, devia ter sido muito interessante conhece-lo. Num tempo, em que o tempo era calmo, quase sem horas!
Parabéns, pelo belíssimo texto!

Um bj,

GR

1:43 da manhã  
Blogger Fatyly said...

Gostei deste teu retorno ao passado descrevendo sensacionalmente sentimentos que perduram no tempo.
Nunca gostei dos "inhos e inhas" um hábito dessa época!

Beijos e não deixes de escrever!

9:44 da manhã  
Blogger António said...

Para "GR":
Obrigado pelo teu comentário.
E já me "obrigaste" a alterar o texto. E talvez ainda lhe dê um outro arranjo.
O Antoninho Oliveira era de facto um auto-didacta e andava sempre com um livro debaixo do braço.
Gostava muito do Aquilino Ribeiro e lembro-me de dizer que era difícil lê-lo devido ao vocabulário muito próprio e vasto que usava.
Eu nunca li Aquilino!
Beijinhos

10:21 da manhã  
Blogger Leonoretta said...

ola antonio
algumas pessoas passam na nossa vida, por vezes, em breves instantes, marcando a nossa vida de tal modo que nunca mais as esquecemos.
o vermelho do carro? se calhar bordeaux.
o desprezo pelo tempo do sr. oliveira? era o que eu queria para mim.
as ferias no algarve nesse tempo nas as fazi porque ainda nao era nascida mas depois foi so o que eu conheci nao por ser fino mas porque a minha familia era de la. todos menos eu. desde o nascimento eu tinha que ser a ranhosa da familia.

quanto á rã gorda. boa pergunta. metafora, adivinha ou coisa e tal?
talvez um ditado popular como nos temos do genero hoje chove amanha faz sol.

agradeço teres gostado do meu post. idem.

abraço da leonoretta

12:22 da tarde  
Blogger wind said...

Excelente, como sempre:)
beijos

4:59 da tarde  
Blogger Paula Raposo said...

Deixaste-me sem palavras! Li de um só fôlego...sabes como adoro as histórias que contas. Pessoalmente têm outro encanto, mas ao ler-te é como se te ouvisse, portanto só posso escutar-te, atentamente, completamente deliciada nas tuas palavras e na tua voz. Está excelente esta homenagem a um homem bom, prestada por outro homem bom...Sem palavras. Mesmo. Muitos beijos meus.

8:06 da tarde  
Anonymous tb said...

Há figuras que nos marcam pela vida e das quais não nos esquecemos. Sempre boa e minuciosa a tua prosa, lembrando esse vulto da escrita, Eça...
Bjinhos

11:36 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

São pessoas como este António Oliveira, que nos contas, que marcam a nossa vida, que temperam as nossas memórias.
E a melhor homenagem que lhes podemos prestar é falar delas.

Beijinhos

4:11 da manhã  
Blogger Papoila said...

António adorei esta tua crónica. porque não conhecendo a figura que retratas muito da minha infância está aqui descrita nestas tua história.
Beijo

10:05 da manhã  
Blogger Peter said...

É bom recordar.

10:13 da manhã  
Anonymous Teresa said...

querido antónio,
que bom momento de partilha!
beijinhos.

1:40 da tarde  
Anonymous JMC said...

António

Belo relato da vida real, e já pssados bastantes anos, memória de promenor assinalável que nos posiciona, como se lá estivessemos.
Li já á algum tempo, um post do António, tambem passado V.P. Ancora, mas tratava de um tema mesmo pessoal, já o tentei encontrar para reler, mas tambem não me lembro da data.

Boa semana.

JMC

10:26 da manhã  
Blogger Kafé Roceiro said...

Muito bom, António,
ótimo blog, ótima prosa. Tudo de bom pra você.

11:50 da manhã  
Anonymous hodiguitria said...

Que maravilha voltar a estas leituras! Fiquei fascinada pelo sr. Oliveirinha...excepto a parte de se esquecer das horas... conheço algumas pessoas assim e é coisa para me enervar muito! :)

2:09 da tarde  
Blogger António said...

Para "JMC":
Obrigado pela visita e comentário.
Já escrevi vários textos em que me referia a V. P. de Âncora.
Se souberes qual o seu conteúdo posso indicar-te a data.
Assim...

Um abraço

2:09 da tarde  
Anonymous JMC said...

António,

Já encontrei, é de 29-Agosto.

JMC

3:37 da tarde  
Blogger Papoila said...

António... espreita a minha prosa... Beijo

3:43 da tarde  
Blogger António said...

Para "JMC":
Como vês, VPA está visceralmente ligada a mim (ou vice-versa).

Abraço

6:34 da tarde  
Blogger Papoila said...

Está atento que a História de Natal vai continuar... Beijo

8:24 da tarde  
Anonymous betania said...

António...sabes que sinto "inveja"
da tua IMENSA paciência...tu tens um dom especial para o pormenor, o enredo...as tais histórias que a tua mente fértil recria. És un felizardo.

Beijinhos

8:57 da tarde  
Blogger Isabel Magalhães said...

Obrigada pela partilha.
Foram uns excelentes minutos de leitura.




Deixo um abraço.

5:24 da tarde  
Anonymous tb said...

Vim ver se havia novidades. Não há mas deixo um beijinho

7:58 da tarde  
Blogger Ana Maria said...

Bonito!
a história com todo o seu rocheio a passagem das palavras pelo texto como aguas de um rio que passam no seu curso até à foz.

muito bonito e muito bem contado!

parabéns António e não esquecer os amigos ou aqueles que passaram por nós um dia também é bonito!

2:47 da tarde  
Blogger Leonoretta said...

ola antonio.
confesso que gosto de surpreender e o melhor é ouvir que surpreendi quando nao tive a intenção de faze-lo.
obrigado entao pelo teu comentario.

tambem tu me surpreendeste. pensava que iria encontrar nova historia tua mas nao.
a epoca natalicia é complicada pela azafama que comporta, preendas, comidas, etc.

eu nao me meto nessas coisas. sou agnostica, rsss

abraço da leonoreta

4:39 da tarde  
Blogger Heloisa B.P said...

MEU AMIGO *ANTONIO*,
ESTOUAQUI entre o sORRISO o RISO A GARGALHADA E A LAGRIMA.. tudo asim aos saltinhos! Olhe, carissimo AMIGO, e so' nao Lhe chamo *MEU AMIGO ANTONINHO*...PORQUE PODERIA O AMIGO ANTONIO, confundir esse CARINHO com falta de respeito e, nao quero nem a mais leve duvida, quanto ao meu respeito por SI*!
Mas O MEU AMIGO*, parece defacto descentente desse BOM ANTONINHO, pois que Lhe herdou o GOSTO DE CONTAR!!!!!!
_ANTONIO*, com toda a sinceridade, Lhe digo, fiquei imediatamente ARRADA AO TEXTO A PRTIR DA SEGUNDA LINHA! e, os sorrisos, risos e gargalhadsa com lagrimita a teimar no canto do oho, foram-se sucedendo ate' ao FIM DESTA EXCELENTE PROSA DESTE JEITO ESPONTANEO DE CONTAR EENTUSIASMAR!!!!!
_PARABENS CARISSIMO AMIGO! QUE ME PARECE, DAQUI*, pese embora a distancia, ser *ESTE ANTONIO CASTILHO, TAMBEM UM HOMEM BOM! Possivelmente, ja' nao teve foi a hipotese de se dar ao LUXO de se esquecer das oras em favor do PRAZER eda BOA COMPANHIA!!!
ESTE TEXTO/CONTO E' SUAVE, E' GENUINO, E' LINDO! TEM TERNURA! TEM HUMOR E SENTE-SE A VERDADE!!
ADOREI!
ADOREI!
e, tenho dificuldade em me pedoar a mim mesma o sr "forcada" a estar tanto tempo afastada deste CANTO DE *CONTO E ENCANTO*!
_ O QUE EU JA' PERDI!
TENTAREI RECUPERAR!
por ora deixo-LHE meu sentido ABRACO!
E, o destaque do que me provocou forte e divetida gargalhada!
_BEM-HAJA MEU AMIGO!
_FELICIDADES PARA SI* E SUA FAMILIA e. TAMBEM PARA A FAMILIA DESSE TAO "SUI GENERIS" E BOM E INTELIGENTE AO QUE TUDO INDICA, SR' ANTONINHO_SR. ANTONIO OLIVEIRA_!!!!!!
MUITO OBRIGADA ANTONIO POR TAO SABOROSOS MOMENTOS DE BOA LEITURA!!!
Sua Amiga,
Heloisa
************
DESTAQUE:
"O pior foi que, quando quiseram começar a vendê-los para ganharem o seu quinhão, verificaram que sendo feitos de um plástico inadequado ou mal fabricados, com cada passagem do utensílio pelo cabelo caíam vários dentes (do pente, obviamente)"
***************************MINHA VONTADE ERA DESTACA'-LO QUASE A CEM POR CENTO!!!
**************************Perdao pelas gralhas!

10:40 da tarde  
Anonymous arcoeflecha said...

Obrigado pela visita, Gostei deste espaço de partilha de memórias, onde tb eu me revejo.

4:19 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home