Eu sou louco!

Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças! (este blog está registado sob o nº 7675/2005 na IGAC - Inspecção Geral das Actividades Culturais)

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Localização: Maia, Porto, Portugal

sábado, junho 24, 2006

A noite de S. João

A noite passada, pouco depois de ter acabado o jantar, deitei-me na cama, vestido e sobre a roupa, pensando descansar uns minutos para depois ir dar uma volta a pé.
Afinal era a noite de S. João!
Pois adormeci e só acordei já passava das cinco da manhã.
Isto fez-me pensar em como o tempo passa e, muito mais depressa do que se possa pensar, estamos com os pés para a cova.
E recordei-me que a noite de S. João era sagrada para o meu pai.
Desde miúdo que me lembro dele e de minha mãe saírem, já tarde, pelas onze e tal, e só voltarem pelas quatro ou cinco da madrugada.
Eu e a minha irmã, mais nova dois anos, ficávamos em casa, claro.
Mas connosco ficava a avó paterna, a vovó Mimi, que para lá se mudava por uma noite e um dia para ficar a zelar pelos netos.
Passada essa fase inicial em que a noitada me era restringida, seguiu-se a fase de sair com os pais. Já não me recordo quando fui viver a minha primeira noite de S. João, mas deve ter sido por volta dos dez, doze anos.
Estou a falar da cidade do Porto, pois as festas deste santo popular são comemoradas em mil e uma cidades, vilas e aldeias por esse país fora.
Depois das minhas primeiras experiências como noctívago sanjoanino, não pude deixar de dar certa razão ao meu pai, bairrista como vi poucos, e que dizia ser esta festa única no mundo, pois não havia mais nada além de pessoas que, de facto, nada comemoravam. Gente que, sorridente, batia com o alho porro na cabeça dos outros.
Para quem nunca viveu esta experiência, isto pode parecer profundamente idiota.
Mas não é!
De facto, cria-se uma empatia tal entre todos, que este comportamento prosaico e bizarro se transforma, como que por milagre, num ritual de paz, harmonia, concórdia e verdadeira comunhão entre os homens.
Depois, lá pelas três, vinha o tempo de comer um arroz de cabrito na casa Casais, junto ao jardim de S. Lázaro, que era a tasca de preferência do meu pai (para este fim, bem entendido).
Lembro-me de o velhote ter um cliente e amigo em Cascais, pessoa de bem e com muito garbo, que foi convencido por ele a vir passar uma dessas noitadas ao Porto.
E lá vieram o Sr. Pereira e a sua mulher, a D. Hortênsia. Um pouco constrangidos, confessaram depois. Mas, após terem vivido essa noite, juraram que nunca haviam visto tal empatia entre as pessoas. E dai por diante e durante alguns anos, lá vinha o casal por aí acima para sentir e gozar a noitada de S. João.
Por voltas dos quinze, dezasseis anos, comecei a ir com os amigos. Primeiro era o bailarico dos bairros, ao fundo de Fernão de Magalhães e já perto do Campo 24 de Agosto, depois pelas ruas da baixa: Santa Catarina, Santo António, Clérigos, Mouzinho da Silveira para ir à Ribeira ou Alexandre Herculano para descer até às Fontaínhas. Nesses anos sessenta foi quando a populaça começou a procurar outros locais, nomeadamente a rotunda da Boavista.
Mas, muito rapidamente, e com a entrada no ensino superior, deixei o grupo de rapazes e passei a integrar um grupo de moços e moças, quasi todos estudantes, e lá fazíamos os nossos comboios para incómodo dos mais pacatos foliões.

Foi nessa altura que começou a ocorrer em força a substituição do tradicional alho porro pelo barulhento e chato martelinho de plástico.
Em má hora! Em má hora!
Depois foi a ausência por causa do serviço militar.
De regresso à terra natal, a noitada deixou de ser em grupos, mas com um ou dois amigos, ou amigas ou então com a namorada da ocasião.
Até que veio o casamento e os hábitos alteraram-se.
Nessa altura já os festeiros se espalhavam por várias zonas da cidade e eu e a minha mulher começamos a ir à Foz, juntamente com outros casais e respectivas proles, ao apartamento de um amigo e sua companheira para depois, em plena praia, deitar um fogo de artifício muito simples e largar balões que, na sua maior parte, caíam na areia ou no mar, um pouco adiante. Quando algum lograva subir era o gáudio da pequenada, e o orgulho dos autores do feito.
Mas esta fase passou.
Depois seguiu-se o período familiar.
Eu, a mulher e os dois rapazes voltamos a calcorrear as ruas da baixa.
Mas rapidamente o mais velho, o meu enteado, desertou e só ficamos três.
Há poucos anos, ficaram só os dois velhotes: uma voltinha pelos Aliados onde não havia muito aperto e, por pressão da mulher (que eu bem o dispensava) ver o fogo de artifício à meia-noite e logo de seguida regressar a penates.
Nos dois ou três últimos anos nem saímos.


São sete e meia da manhã.
O meu filho, com vinte e três anos, acaba de chegar a casa.
- Oh pá! – falei-lhe daqui – Não precisas de fechar a porta à chave porque já estou levantado.
O mais velho, com quasi trinta e dois, já estava a dormir quando me pus a pé.
A mulher também ainda dorme. Ou está na sorna.
E eu estou a acabar de escrever mais umas memórias na esperança de que alguém leia isto daqui a uns anos.
E, de repente, comecei a chorar.
Bolas! Que se passa? Acho que estou mesmo a ficar um velho gagá!
Tenham um bom dia de S. João!

sábado, junho 17, 2006

Diálogos de gente (XV) (O engatatão) (final)

Jorge Meireles arrancou devagar.
- Como vais ver, Cátia, o apartamento é muito perto do escritório. Cerca de um quilómetro. Até podias ir e vir a pé, quando quisesses – disse o homem.
- É um T0? – perguntou a moça.
- Não! É um T1. Para ti chega perfeitamente. E tem um lugar de garagem. Mas daqui a pouco já vais conhecê-lo em pormenor.
Pouco depois o carro parou em frente à porta da garagem de um prédio novo, com lojas no rés-do-chão, um nível de sobreloja e mais 4 pisos de habitação.
Sob o comando do homem, o portão abriu-se e a viatura entrou e estacionou.
- O lugar de garagem não é aqui. É mais além, mas este carro cabe lá com dificuldade e não vale a pena estar a fazer muitas manobras – justificou o Meireles.
E continuou:
- Vamos então sair.
Apeados, dirigiram-se para o elevador e subiram ao último piso. O boss abriu a porta e disse:
- Eu entro primeiro para ligar a electricidade.
Tratava-se de um simpático apartamento, pequeno mas bem e completamente mobilado, o que o tornava bastante acolhedor.
Com algumas luzes acesas, dirigiu-se à empregada e convidou:
- Faz o favor de entrar e estar à vontade. Procede como se já vivesses cá.
- Com licença! – disse a rapariga que avançou para a sala comum enquanto o Jorge abria as persianas e as janelas.
- É preciso arejá-lo. Não venho cá muitas vezes e a empregada só vem fazer limpeza duas vezes por semana. – esclareceu o patrão – Vamos ver o resto.
A rapariga seguiu-o, observando com interesse as várias divisões do flat.
Chegados ao quarto, disse o Jorge deitando-se na cama:
- Experimenta o colchão! Eu gosto dele assim. É duro.
A rapariga apalpou a cama com a mão e falou:
- Também gosto deles duros.
- Quasi que teria apostado que gostas deles duros – disse o homem.
A Cátia ruborizou um pouco e afastou-se da cama.
- Então? Agrada-te?
- É um apartamento muito interessante para uma pessoa ou um casal. Mas acho que só poderia aceitar a sua oferta se o meu namorado viesse viver para cá – jogou ela.
O homem franziu o sobrolho, levantou-se e dirigiu-se à janela.
Passados um ou dois minutos disse:
- É uma hipótese a considerar. Qual é a actividade dele?
- É técnico comercial.
- Então viaja bastante, calculo – tentou adivinhar o Meireles.
- Bastante! – respondeu a rapariga.
- E ele estará de acordo?
- Não sei! Tenho de falar com ele. Nem sequer vivemos juntos, ainda – confidenciou a jovem.
- Acho que vai concordar! – palpitou o empresário.
E continuou:
- Podes deitar-te na cama para apreciar melhor o colchão. E também te quero dizer que seria uma pena que uma jovem bonita, inteligente e diligente perdesse um bom emprego por preconceitos ou receios desnecessários.
- Mas eu não tenho preconceitos nem receios, senhor Meireles. Tenho é alguns princípios dos quais dificilmente abdicarei – contra atacou a jovem.
- Mas assim é que eu gosto de uma mulher. Com princípios. – disse o boss – Desde que esses princípios não sejam fundamentalistas, como agora se diz. Por exemplo? Repugnava-te passares algumas horas comigo nesta cama?
- Repugnar? Não! Obviamente que não! Mas não o faria por uma questão de lealdade para com o meu namorado e porque tenho dignidade. Não tenho intenções de subir na vida na horizontal. Se entender que estes princípios se coadunam com os seus, eu falo ao meu namorado na hipótese de virmos ambos viver para cá. Se não concorda e achar que me deve despedir por isso ou não renovar o contrato, eu garanto-lhe que não irei morrer de fome – dissertou a Cátia.
- Pronto! Pronto! Estava só a testar-te! Vejo que és uma verdadeira senhora. Muitos parabéns! – disse o Meireles com um amarelíssimo sorriso.
E pensou com os seus botões:
- Anda para cá que depois a gente conversa outra vez. E senão fizeres o que eu quero vais de vela enfunada no momento próprio!
- Ah! É verdade! – disse a mulher – Eu ontem vi a sua esposa e achei-a uma pessoa muito simpática. E ela também parece que gostou de mim.
- Ok! Vamos então embora porque há trabalho para fazer – rematou o Jorge Meireles visivelmente irritado.

sábado, junho 10, 2006

Diálogos de gente (XV) (O engatatão) (parte II)

Já passava do meio-dia e meia.
Jorge Meireles levantou-se, dirigiu-se à porta do gabinete, abriu-a, e disse:
- Cátia! Por favor prepare-se porque daqui a cinco minutos vamos sair para o almoço.
- Sim, Senhor Meireles!
- Jorge!
- Pois, Jorge. Peço desculpa.
O patrão regressou ao seu compartimento privativo para daí a poucos minutos o abandonar.
- Está pronta? – perguntou à jovem.
- Estou sim, senhor Mei...Jorge.
- Então vamos lá!
Desceram a escada até à garagem onde estava estacionado um magnífico carro preto, da gama alta. Jorge accionou o dispositivo de abertura à distância, abriu a porta do lado direito e fez um sinal com o braço para a secretária entrar.
Esta sentou-se, deixando o patrão a olhar gulosamente para as pernas que ficaram razoavelmente destapadas.
Pouco depois estavam na rua a caminho do restaurante onde normalmente o empresário almoçava.
A conversa foi pouca pois o percurso era curto.
Lá chegados, apearam-se da viatura e entraram.
- Boa tarde, senhor Meireles! – disse um dos empregados enquanto o homem, seguido pela rapariga, se dirigia para a mesa habitual.
Entretanto foi cumprimentando vários comensais que lhe retribuíam a saudação. Vários dos homens não puderam deixar de seguir Cátia com o olhar, alguns deles esboçaram um sorriso, e não deixaram de ser pronunciados, em surdina, alguns comentários relativos à nova companhia do Meireles.
Mal se sentaram, um em frente do outro, apareceu um dos empregados com os cardápios.
- Cátia! Escolha o que quiser. Esteja á vontade. Gosta de marisco?
- Gosto, sim! – disse a rapariga entusiasmada.
- Posso então mandar vir arroz de marisco para os dois? Aqui é muito bem feito. Hoje vou beber cerveja. Gosto de cerveja a acompanhar marisco. Também quer? – perguntou o boss.
- Eu não costumo beber álcool mas, com este calor e com marisco, acho que é uma boa escolha – anuiu a empregada.
- Muito bem! Vou pedir.
Pouco depois, e enquanto trincavam uns aperitivos, perguntou o Jorge:
- Oh Cátia! A quantos quilómetros é que vive do escritório?
- Cerca de trinta. – respondeu ela.
- E vem de transporte público?
- Sim! É mais económico – justificou a moça.
- Sabe que eu tenho aqui perto um pequeno apartamento mobilado que comprei e que não é habitado. Que acha da ideia de vir viver para cá? Aos fins-de-semana iria para sua casa. Seria muito menos cansativo para si e até mais barato – convidou o homem.
- É muito amável da sua parte, mas eu gosto de estar todos os dias com o meu namorado – retorquiu ela.
- Que sorte ele tem! Uma rapariga bonita, sensual, elegante e dedicada não é para todos – comentou o patrão.
Mas insistiu:
- A proposta que lhe estou a fazer só tem vantagens para si. E quando é preciso trabalhar até mais tarde, então as vantagens são enormes.
Entretanto já haviam começado a comer o prato principal.
- Mais dois finos, oh Maurício! – pediu o Jorge.
- É para já, senhor Meireles!
E voltando-se de novo para a jovem:
- Bom! Depois do almoço vamos passar pelo andar. Depois de o ver talvez mude de opinião.
- Terei muito gosto em vê-lo. Mas não é fácil mudar de opinião – respondeu a Cátia.
- Veremos! Veremos! Mas eu não a posso obrigar a mudar-se, claro! – disse o homem.
E continuou:
- Sabe que estou muito satisfeito com o seu trabalho? Embora aqui esteja há poucos dias, já percebi que além de uma bela mulher é também uma profissional competente e dedicada.
- Muito obrigado, senhor Jorge!
- Jorge! Só Jorge! Não me trates nem por senhor nem por Meireles, ok?
- Sim, Jorge!
- E podes tratar-me por tu. Numa empresa quasi familiar como a minha, não se me afiguram simpáticos os formalismos – pretendeu aumentar a intimidade, o quarentão.
- Se assim o desejar...quero dizer...desejares! – anuiu a secretária.
A refeição chegou ao fim. Ainda comeram uma sobremesa, tomaram um café e fumaram um cigarro.
- Se não fosse a maldita lei do álcool eu agora bebia um whisky. Mas já fui apanhado e não quero ficar sem a carta. Agora há aí uns guardas que se acham incorruptíveis. Enfim! Não deixo de lhes dar certa razão. Há muita gente que abusa... – discursou o Meireles.
- E agora vai ser proibido fumar! – disse a moça.
- Pois! Mas este salão é grande e não vai ficar abrangido. Parece que só terão de criar uma zona de fumadores e outra de não fumadores. Vamos então ver o andar, Cátia?
- Vamos, sim, Jorge!
- Ora assim é que é! Tratamento informal e familiar.
Levantaram-se. Foram aos lavabos e pouco depois estavam de novo dentro do automóvel.

sábado, junho 03, 2006

Diálogos de gente (XV) (O engatatão) (parte I)

Jorge Meireles é um pequeno empresário quarentão e engatatão.
Recentemente, contratou como secretária, com vínculo precário, uma bela morena de vinte e poucos anos: Cátia Fagundes
- Bom dia, Cátia! – cumprimentou o patrão ao entrar na saleta que dava acesso ao seu gabinete.
- Bom dia, senhor Meireles! – respondeu a jovem, ainda timidamente.
- Daqui a dez minutos venha ao meu gabinete, por favor – ordenou o Jorge.
- Sim, senhor Meireles! – afirmou a secretária.
- Olhe, Cátia! Não gosto dessa forma tão formal de me tratar: Senhor Meireles! Daqui para a frente vai chamar-me só de Jorge, Ok? Isto é uma empresa pequena e assenta-lhe muito melhor um ambiente familiar – determinou o empresário, entrando no gabinete.
Passado o período estipulado, a Cátia bateu na porta do Jorge:
- Posso entrar, senhor Meireles?
- Sim, Cátia! Entre! – respondeu o boss.
- Com licença! – e a moça avançou.
- Olhe! Queria que me fizesse telefonemas para as pessoas que estão nessa lista, por favor. – e ao mesmo tempo entregou-lhe um papel manuscrito – Se tiver alguma dúvida pode perguntar-me.
- Começo já a fazer ligações? – quis saber a novata.
- Deixe ver! Nove e doze! Não! Daqui a uns dez minutos. A esta hora a maior parte desses mandriões ainda não estão a trabalhar – esclareceu o Meireles.
E continuou, olhando de alto a baixo a bonita e elegante morena, vestida com uma saia vermelha, travada, com uma racha lateral e deixando os joelhos à vista, e com uma blusa branca e desabotoada de modo que se podia ver um pouco dos roliços seios. Os sapatos abertos, também encarnados, tinham um salto suficientemente alto para dar um contorno mais apelativo às pernas:
- Está muito bonita, Cátia! Essa roupa fica-lhe muito bem!
- Obrigado, senhor Meireles! – disse a rapariga, baixinho
- Jorge! Sinto-me mal quando me chama de Senhor Meireles. Quero ter consigo uma relação muito amistosa – insistiu ele.
- Sim! Jorge! – falou, timidamente, a jovem.
- Hoje vai estar um dia quente! O que vale é o ar condicionado que temos aqui. E o do carro, também! O seu carro tem ar condicionado? – disse o Jorge.
- O meu carro é muito velhinho e não tem esses requintes – respondeu a jovem.
- Então hoje convido-a para ir almoçar comigo. Uma mulher linda e elegante como você dá um ar ainda melhor ao meu automóvel – disse o homem.
- Não sei se deva...
- Mas tem algum problema? É normalíssimo o patrão almoçar com a secretária. Tem de se ir habituando – insistiu o boss.
- Mas o meu namorado pode não gostar! – tentou esquivar-se a morena.
- O seu namorado nem precisa de saber! E pode ser um almoço profissional, em que falamos de assuntos de serviço. Isso vai acontecer muitas vezes. – teimou o Jorge – E eu faço questão!
- Se o senhor Mei...
- Jorge! Só Jorge!
- Se o Jorge insiste...
- Está a ver como é inteligente? – disse o Meireles com um sorriso triunfante.
- Posso retirar-me agora para começar a fazer os telefonemas? – perguntou ela.
- Sim, Cátia! Embora seja um prazer estar aqui e poder olhar para si. – galanteou o homem – Mas vá então começar a fazer as ligações. Quando precisar de si, eu chamo-a.
- Então, com a sua licença – e a rapariga rodopiou e saiu.
E o Jorge Meireles pensou com os seus botões:
- És muito boa, filha! Hei-de papar-te todinha! E não vai demorar muito, pois senão vais para o olho da rua quando acabar o contrato. E o teu namorado até deve ficar mais bonito adornado com um par de cornos.