Eu sou louco!

Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças! (este blog está registado sob o nº 7675/2005 na IGAC - Inspecção Geral das Actividades Culturais)

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Localização: Maia, Porto, Portugal

sexta-feira, outubro 28, 2005

Reencontro - parte IV

Sábado de manhã.
Paulo levantou-se um pouco mais tarde. Foi ver o correio electrónico, executou as rotinas da higiene diária e preparou-se para ir ao Norte Shopping como fazia semanalmente. Ainda espreitou para o quarto de Diogo para verificar se o filho queria ir com ele mas, perante o sono repousado do miúdo, decidiu deixá-lo dormir sossegadamente. Era, aliás, a situação mais comum.
Ao chegar ao hall de entrada, viu sobre a credencia um silencioso papel, escrito pela mulher, com um pequeno rol de coisas a comprar. Pegou nele, leu-o e saiu.
Conduziu calmamente até ao parque de estacionamento, depois dirigiu-se ao Continente e começou a procurar os produtos da lista e mais um ou dois artigos pessoais, para depois ir comprar o Expresso, tomar um café e sentar-se calmamente a ler o semanário.
De repente, parou!
A pouco mais de dez metros dele estava uma mulher que fora sua namorada e que não via há dezasseis anos.
- Meu Deus! A Anabela! E como está jeitosa! Parece ter a mesma idade! – disse para consigo.
Apreciou-a durante mais uns segundos e verificou que estava sozinha.
- Vou ter com ela? Será que me recebe bem? Ou não me reconhece? Ou faz que não me conhece? – meditou o homem com o coração batendo mais acelerado.
Estes reencontros provocam sempre uma reacção que não é de indiferença.
- Que diabo! Vou falar com ela. Zaragata não faz. Nem me vai bater. O pior que pode acontecer é ignorar-me – pensou e avançou, decidido, para a bonita e esbelta mulher de cabelos curtos e negros, olhos amendoados e lábios carnudos que deixavam entrever uns magníficos dentes muito brancos e alinhados.
- Olá Anabela! Não esperava ver-te aqui – foi o que soube dizer.
A mulher voltou-se, ficou momentaneamente séria mas rapidamente deixou abrir um sorriso que disse a Paulo mais do que mil palavras.
- Nem eu! – respondeu, sempre sorrindo e com um brilho nos olhos, a mulher.
- Estás muito bonita! Vives aqui perto? – disse Paulo com o coração ainda mais acelerado perante aquele olhar que agora recordava tão bem.
- Vivo no Porto mas trabalho aqui. Casei com um comerciante e tenho um casal. A loja estava com o negócio fraco e ele resolveu vir estabelecer-se cá dentro – explicou, com inesperado detalhe, Anabela.
- Eu também casei. Tenho um rapaz com 13 anos – deu o desnorteado Paulo Morais continuidade ao diálogo.
- Agora tenho de ir porque disse que não me demorava – despediu-se ela.
- Gostei muito de te ver. Ah!...e qual é a loja? – procurou ele saber para não perder o rasto da reencontrada Anabela.
- Ramos Gonçalves. Pronto a vestir para senhoras. Também gostei de te ver. Até sempre! – rematou ela e afastou-se do local.
Durante breves minutos Paulo observou-a a procurar o que pretendia, até desaparecer por trás de um grande expositor.
- Também gostei de te ver. Até sempre! – repetiu o professor ainda semi hipnotizado.
Só passado cerca de um minuto é que voltou completamente a si, fez as compras que tinha de fazer, foi comprar o jornal e tomar o café. Sentou-se à mesa para ler o semanário como de costume mas não o conseguiu fazer.
- Não há nenhum sinal de ressentimento por parte dela.
- E como está maravilhosa! A mesma elegância; parece que nem teve filhos. E a cara continua a mesma apesar de já se terem passado...dezasseis anos.
- E trabalha aqui tão perto!
E pensou, recordou, imaginou...até que viu as horas. Era tempo de voltar para casa.

Anabela Barbosa era uma mulher de 43 anos. Com 1,68 m de altura e 64 kg de peso, com a perna alta e o seio pequeno, era verdadeiramente esbelta. De facto, parecia muitíssimo mais nova. Apesar dos cabelos e olhos negros, tinha uma pele muito clara que lhe retirava qualquer toque de latinidade.
Filha única e tardia, ficou órfã de pai ainda criança. A mãe, que o fora com 42 anos, era costureira e trabalhava sozinha em casa. Fazia ainda renda, malha e bordava.
Quando completou o ciclo preparatório, a jovem Anabela foi ajudar a progenitora nas lides domésticas e nas actividades que eram o sustento da família juntamente com uma magra pensão do falecido.
Com cerca de dezassete anos, e sem horizontes motivadores, a moça tanto insistiu com a mãe que acabou por arranjar emprego como recepcionista de uma clínica. Ganhava algum dinheiro, parte do qual entregava em casa, e deixava de estar enclausurada.
Aos 26 anos, e depois de vários namoros de que pouco se sabe, conheceu Paulo que já era professor em Matosinhos. Tiveram uma relação forte que terminou abruptamente cerca de um ano depois.
Casou com Joaquim Ramos Gonçalves quando este tinha 41 anos e ela 29. Do matrimónio nasceram Sara e Marco, actualmente com 13 e 11 anos, respectivamente.

O almoço em casa foi frugal, como habitualmente aos sábados.
A conversa foi mínima e sempre com o filho; pai e mãe simplesmente se ignoravam.
No final, Paulo foi-se sentar no seu sofá, ligou o televisor num canal qualquer, baixou o som, acendeu um cigarro e começou a recordar como tudo começara:
Numa tarde chuvosa de domingo, Anabela tinha ido sozinha ver um filme ao Coliseu. Fora de autocarro mas, pouco depois de sair da viatura, verificou que não tinha o guarda-chuva. Deixara-o no transporte público, mas já era tarde demais para o recuperar.
Quando o filme acabou, chovia copiosamente e teve de aguardar no átrio que o tempo amainasse.
Paulo também fora sozinho ver o filme que passava no Passos Manuel, mesmo ali ao lado, e cujo átrio era comum com o do Coliseu. Apesar de munido de guarda-chuva, resolveu esperar que a forte bátega diminuísse de intensidade. Reparou então numa jovem, verificou que estava sozinha e pareceu-lhe que estava sem a tradicional protecção contra a água.
Chegou-se perto dela e disparou:
- Estou a ver que a menina não tem guarda-chuva. Quer que lhe dê uma boleia no meu quando a chuva ficar mais fraca?
A moça ficou um pouco aturdida. Olhou para o Paulo e achou-o um belo rapaz. E nunca um desconhecido se mostrara tão simpático numa hora de aflição.
- Provavelmente não vai para o mesmo sítio que eu – respondeu.
- Vou seguramente! Levo-a para onde quer que vá! – galanteou o jovem.
Ela não pode deixar de fazer um largo sorriso e disse:
- Vou lá abaixo apanhar um autocarro para o Carvalhido.
- Ainda fica longe. Está a abrandar mas ainda chove bem. Não quer aceitar uma boleia no meu carro para casa? Ele está aqui perto. Molhamo-nos menos, os dois – arriscou tudo o professor.
Ela ficou calada. Hesitou.
- Sabe que alternativa tem? Chegar a casa toda encharcada e amanhã ter uma forte constipação, uma gripe, uma pneumonia ou até uma pneumonia dupla – disse o rapaz sorrindo e tentando o xeque-mate.
A moça riu-se.
- Linda! – pensou ele.
- Mas é uma grande maçada para si – desculpou-se a bela rapariga.
- Não é nada! A menina está com medo de ir só, comigo. Ora confesse!
- Sim, um pouco – concordou a jovem.
- E acha que tenho cara de bandido?
- Não!
- Então vamos já, pois a chuva quasi parou totalmente e, daqui a pouco, vem outra carga de água – e pegou-lhe suavemente no braço para a conduzir para a rua.
E Anabela foi...
Quando estavam perto de casa ela pediu-lhe para parar. Ía sair ali. E já sabiam alguma coisa um do outro.
- Anabela! Queres sair comigo logo à noite?
- Nunca saio à noite por causa da minha mãe; não gosto de a deixar sozinha – rejeitou a moça.
- Então pode ser sábado à tarde? – insistiu ele.
- Sim! – condescendeu a jovem.
- Então passo por aqui por volta das três da tarde, está bem? – organizou Paulo.
- Está! Mas é melhor telefonar antes. Eu escrevo-lhe aqui o meu número de telefone – e a moça escreveu num papelito que entregou ao rapaz que, por sua vez, o guardou cuidadosamente.
Despediram-se e, no sábado seguinte, depois de confirmar a disponibilidade de Anabela através dum telefonema, Paulo estacionou no mesmo local. Pouco depois aparece a esbelta figura de Anabela com um sorriso completamente aberto. Via-se claramente que estava feliz.
Foram dar uma volta de carro, conversaram, lancharam, mas nada de especial aconteceu. Ou melhor: uma forte empatia entre os dois estava em crescendo acelerado.
No domingo da outra semana, em mais um dia chuvoso de Outubro, estavam os dois dentro do carro que Paulo estacionara virado para o mar revolto. Os vidros embaciados criavam um ambiente de privacidade. Em certo momento Paulo fez uma aproximação lenta da sua face à da jovem e esta não se conteve mais. Para surpresa de Paulo beija-o e abraça-o com um desejo que não podia esconder. Paulo rapidamente se recompôs e foi ali, dentro do carro, ao som da chuva e duma canção dolente que nenhum ouvia, que se consumou o primeiro contacto penetrantemente íntimo.
Os fins-de-semana seguintes eram passados todos da mesma maneira.
Depois de ir buscar Anabela, íam ambos para uma modesta, mas limpa, pensão onde alugavam um quarto e tinham tardes inteiras de ternura e sexo sem tabus. Só vinham embora quando estavam vencidos pela exaustão ou era tempo de Anabela regressar a casa assumindo o mais encantador ar de ingénua. E como lhe ficava bem essa aparência!

Estava ainda Paulo absorto nas suas recordações quando ouviu a voz de Inês a despertá-lo de tão doces lembranças.
- Eu e o Diogo vamos a casa da minha mãe. Provavelmente jantamos com eles.
- Não te preocupes comigo! Eu vou lá fora comer qualquer coisa – disse Paulo.
- Até logo, papá! – e Diogo deu-lhe um beijo de despedida.
- Até logo, meu filho! – disse o pai
- Até logo! – disse Inês.
- Dá os meus cumprimentos à tua mãe e ao Alberto – recomendou o professor.
E Paulo ficou sozinho em casa.
Permaneceu uns minutos a olhar para o televisor que continuava a transmitir sem ninguém lhe dar qualquer atenção quando, como se as molas do sofá tivessem rebentado, deu um salto e disse:
- Vou lá outra vez. Quero vê-la!
Arranjou-se, desceu à garagem e conduziu o carro novamente para o parque de estacionamento do Norte Shopping.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Reencontro - parte III

- Boa noite! – disse Mário enquanto transpunha a porta de vidro mantida aberta pelo empregado do restaurante, vestido a preceito.
- Boa noite! – respondeu este, e continuou – pretende uma mesa para três como de costume?
- Exactamente! Pode ser aquela redonda; a do costume – indicou Mário olhando para uma das dez ou quinze mesas tapadas com alvas toalhas e com a palamenta e restantes atavios muito harmoniosamente arrumados.
- O Sr. Doutor quer sentar-se em que lugar? – disse, solícito, o garçon.
- Eu vou ali e venho já. Também ainda só cheguei eu – e Mário dirigiu-se às instalações sanitárias.
Mário Gouveia e Jorge Martins são os grandes amigos de Paulo Morais desde o tempo em que andaram juntos a cursar Química.
Mário até já fora colega dele no secundário. Tem também 45 anos, como os outros e é professor como o Morais, mas no Porto. Manteve uma sólida relação com uma enfermeira dois anos mais nova, Lucília, mas só casaram e começaram a viver juntos há cinco anos, aquando da morte da velha mãe com quem Mário vivia e da qual cuidava. Nos últimos tempos de vida da senhora já Luci fora de grande ajuda.
Tinham a intenção de ter um filho mas, no ano seguinte ao do casamento, foi muito precocemente detectado um cancro da mama na mulher. Hoje, ao fim de quatro anos, e mesmo sem terem tido necessidade de recorrer a uma mastectomia, os médicos consideram que está livre de perigo, mas o medo é sempre muito e parece terem desistido de procriar.
Foi durante essa fase que os jantares passaram de mensais a bimensais e Mário deixou de acompanhar os amigos a uma farra nocturna que se seguia à refeição.
Regressado à mesa, sentou-se e começou a comer umas tostas barradas com manteiga.
Nem um minuto tinha passado quando entra Paulo:
- Olá! Estás bom? E a Luci? – perguntou de imediato o recém-chegado.
- Estamos bem, felizmente! – respondeu com um sorriso o amigo com o cabelo mais grisalho de todos.
- Ainda bem! Ó pá, espera um bocadinho que vou dar uma mija e lavar as mãos – e Paulo dirigiu-se para os lavabos.
Quando regressou já o amigo estava a consultar o cardápio.
Sentou-se e disse:
- Então já escolheste?
- Cá por mim ía por uns filetes de pescada – escolheu o professor no Porto.
Olhando para outra lista, o leceiro decidiu rapidamente:
- Bifinhos com “champignons”, para não variar.
- Ó pá! É hoje que te vou fazer companhia nisso; tem sempre muito bom aspecto – mudou Mário a sua escolha.
- E para beber vamos no do costume? Hoje é o Jorge a pagar, não é? –interrogou Paulo.
- Exacto. Paga o J e bebemos o Esteva. Eu gosto mais do Casa de Santar mas é carote e não compensa – disse Mário.
- Então venho muito atrasado? – ouviu-se uma voz.
As cabeças dos outros dois rodaram e depararam com um homem de belo sorriso, alto e um pouco gordo, com uma calvície muito promissora.
Jorge Martins fora o melhor aluno e ficara a leccionar na Faculdade de Ciências.
Aí conhecera uma jovem aluna, Manuela, mais nova cinco anos, por quem se tomou de amores e com quem casou. Tem ambos muita cultura e sentido de humor, e entendem-se de uma forma que faz inveja a muitos casais. Tem um filho de 12 anos, o Tiago.
- Um bocadinho! Mas estás desculpado. Até porque és tu o Cristo, esta noite – disse sorridente o Gouveia.
- As famílias estão bem? – quis saber o retardatário – a Luci continua bem?
- Está bem, obrigado – respondeu Mário.
- Lá por casa tudo normal – disse o Morais – e a Manela e o Tiago?
- Está tudo bem. Pelo menos estava quando de lá saí – sorriu Jorge – escolham enquanto vou lá dentro.
- Vou pedir o vinho! – exclamou o homem das cãs – Ó senhor! – e levantou o braço mas com o modo um tanto aristocrático que o caracterizava.
- Ele não está a olhar para cá! – notou Paulo.
- Garçon, faz favor!
Desta vez o empregado dirigiu-se à mesa e a bebida foi pedida.
- Traga também água, por favor! Agora temos de ser moderados no álcool – disse Paulo.
- E não querem uns aperitivos? – questionou o criado.
- Não! Ficamos empanturrados e não é essa a nossa intenção – sentenciou Mário.
Entretanto Jorge regressou e sentou-se. Deu uma olhadela ao cardápio e perguntou:
- Alguém quer partilhar comigo uma dose de arroz de pato?
- Já escolhemos – informou o professor em Matosinhos – e pedimos uma garrafa de Esteva.
- Ok! Então podemos pedir tudo – concluiu Mário – e fez um sinal ao servidor que desta vez estava atento à mesa.
Feitos os pedidos, disse Jorge:
- Pois hoje o pato come o pato – e riu – antropofagia palmípede – e sorriu.
- Ontem à noite vi qualquer coisa sobre antropófagos num dos canais da Tv Cabo. Já não sei qual. Um daqueles porreiros, culturais. Os generalistas são intragáveis – introduz Mário um novo assunto na conversa.
- Absolutamente! Noutro dia estive a ver um documentário sobre o bombardeamento dos aliados a Dresden. Impressionante o que fizeram em três dias: destruição total da cidade e cem mil mortos, quasi todos civis; e com a guerra praticamente ganha – avança Paulo.
- É o que eu digo sempre! A história é escrita pelos vencedores. O que se sabe, normalmente, é a sua versão. Só muitas décadas depois, e quando isso acontece, é que se conhecem muitos factos que foram completamente ignorados ou escamoteados – interveio Jorge, e continuou – li noutro dia um livro que já tocava nessa nota; o que foi feito dos milhares e milhares de soldados alemães que eram prisioneiros aquando do fim da guerra?
- Foderam-se – riu Paulo.
- E sabes como? – perguntou Jorge, e continuou – salvo os ingleses que são sempre uns tipos especiais, quer se goste ou não deles, os outros puseram-nos, e lembrem-se que era malta muito nova pois o Hitler tinha já chamado para o exército rapazes de dezasseis anos, puseram-nos dizia, em campos de concentração improvisados, ao ar livre, vedados com arame farpado e um ou dois pães e uns tragos de água por dia. Morreram quasi todos de frio e inanição – rematou Jorge que adorava falar sobre a 2ª Guerra Mundial.
- E o que os americanos fizeram aos japoneses e outros asiáticos? – corroborou Mário.
E outros assuntos foram abordados ao longo da refeição, como habitualmente.
- Desejam sobremesa? – perguntou o empregado.
- Eu só quero um café curto – disse Paulo.
- E eu um normal, e não quero mais nada; estavam muito bons, os bifinhos – disse Mário.
- Não é por acaso que eu como sempre isso – sorriu Paulo Morais.
- Eu quero uma coisa docinha. Aproveitar enquanto o médico não me proíbe – riu-se Jorge – tem mousse de chocolate caseira, daquela que costumam fazer?
- Temos uma que foi confeccionada esta tarde. Já provei e está uma delícia – elogiou o garçon.
Então quero uma e depois um café com muito açúcar pois vou ficar com a boca doce. E depois pode trazer a conta, por favor – pediu Jorge que continuava sem grandes preocupações estéticas.
- Qualquer dia só podes comer dietas de diabéticos e obesos – avisa Mário.
- Olha que bom! Assim, com duas dietas, tenho mais por onde escolher – riu-se Jorge.
- Ó Mário! Tu depois vais para casa ou é desta que vens connosco ver um strip? – quis saber Paulo.
- Hoje vou para casa. Mas um dia qualquer vou convosco – prometeu o Gouveia.
- E vamos ao sítio do costume? – interrogou Jorge.
- Tens algum óbice? – questionou Morais, o principal promotor das noitadas, desde sempre.
- Tu é que és o “expert”. Tu mandas! Vamos lá ver essas russas e ucranianas e brasileiras de fazer cortar a respiração – rematou o mais anafado.
Pouco depois os três deixaram o restaurante. Conversaram um pouco à porta. Mário foi o primeiro a dirigir-se para a sua viatura. Não passaram muitos minutos até que o mesmo fizeram os amigos.
E os dois noctívagos guiaram até ao “Champagne-Club”, em Matosinhos, para uma noite diferente das habituais.

Já eram quasi duas e meia da noite quando Paulo entrou em casa.
Sabia que a mulher tinha o sono leve e acordaria de qualquer maneira, portanto, não teve grandes preocupações em ser intencionalmente silencioso.
Na manhã seguinte, e como era de esperar, Inês estava com cara de poucos amigos e quando Paulo lhe disse:
- Bom dia!
Ela nem tugiu nem mugiu.
- Ora lá temos mais um amuo dos fortes. Era de esperar. Que se lixe! – disse o homem para com os seus botões.
Essa quinta-feira decorreu normalmente. Depois do jantar e quando um noticiário televisivo que ambos viam terminou, antes que o marido fosse para o escritório, Inês disse-lhe:
- Já sabes que não gosto que chegues a horas tardias, como ontem, e muito menos que andes nos cabarets. Não sei porque esperas para mudares a tua atitude. Já tens idade para ter juízo e um comportamento responsável. Se continuas a frequentar esses antros e a conviver ou a fazer não sei o quê com essas mulheres, estamos muito mal. Já te disse muitas vezes que estou totalmente aberta a uma separação. Mas tu não pareces muito interessado. Acho que te sabe bem teres aqui a escrava enquanto tu andas na borga. E depois ficas aí calado como se nada se tivesse passado. Não és capaz de dizer alguma coisa?
- Já ouvi esse sermão perfeitamente injustificado dezenas de vezes. Já sabias, mesmo antes de casarmos, que todos os meses haveria uma reunião destas. Agora é só de dois em dois meses. Ao princípio não punhas objecções. Agora queres fazer de mim um pau mandado. Portanto só te digo que continuarei a cumprir aquilo que combinamos. Quando for com os meus amigos venho mais tarde. E não tenho mais nada a dizer – rematou o homem.
- Pois então escusas de me procurar na cama! Vai ter com essas gajas que tanto te excitam. Vai e não voltes mais – continuou Inês o seu sermão.
- Vou quando me apetecer e não quando tu mandares. E a conversa acaba aqui porque é peça que já foi muitas vezes à cena. Com licença! – e Paulo levantou-se, foi para o escritório e terminou com o diálogo que parecia tirado a papel químico de outros.
Inês resmungou sozinha durante mais uns minutos e foi tratar de alguns afazeres domésticos antes de se sentar a fazer um irritado zapping na TV.
Pouco depois foi-se deitar.

sábado, outubro 22, 2005

Vou recomeçar a escrever

Parece que os problemas começam a ficar resolvidos e o patife do meu PC está a ficar como eu quero.
Espero que seja para ficar e não surjam mais chatices.
Assim sendo, tenciono ainda este fim de semana começar a escrever (melhor diria, reescrever) os episódios seguintes da blogonovela "ultralight" e pimba, com o sugestivo título de "Reencontro".
E "ultralight" porquê?
Porque, se dizem que os textos da Margarida Rebelo Pinto são de literatura "light", então...
E pimba porque...não é preciso dizer mais nada, pois não?
No entanto, não vou postar para já.
Escrever...e salvar!
Pudera!
Quando tiver 2 ou 3 episódios escritos, então sim, começarei a postar para haver uma cadência de 2 por semana como era minha intenção.
Entretanto renovo o meu convite para lerem o Eça, o Camilo, a Florbela, o Torga, e outros que tais. Garanto-vos que eles também escrevem razoavelmente bem!
Também ainda não vou recomeçar as habituais visitas aos blogs. A normalização, após acidentes como este que o sacana do meu aparelho (informático) sofreu, demora sempre algum tempo.
Mas, confesso que já tenho saudades disto!
Como dizia não sei quem em relação à Casa da Música no Porto: primeiro estranha-se, depois entranha-se!
E esta blogomania já se entranhou em mim. Dizem que nem com lexívia e escova de piaçaba sai. Ainda bem!
Então, até já!
Um grande abraço e um grande beijo (este só nas senhoras, que eu não tenho preconceitos, mas...).

quarta-feira, outubro 19, 2005

Tive de formatar o disco duro do meu PC

Meus amigos e amigas:

Infelizmente, perdi muita coisa.
Ficheiros pessoais tinhas-os quasi todos salvos.
Mas para pôr o PC como deve ser, tenho de instalar softwares, restaurar toda a lista de contactos do Outlook, reconfigurar muita coisa do Windows, etc. etc.

Tinha escritos 4 episódios (não publicados) da blogonovela que perdi.
Deram-me muito trabalho a fazer.
Talvez os reescreva mais tarde. Agora não!
Não vou postar durante algum tempo.
Tenho as tarefas para pôr o PC em ordem como primeira prioridade.
Aos meus leitores recomendo uns livros do Eça, do Camilo, do Saramago, da Augustina e outros tantos que, embora não sendo tão bons como eu, também escreveram umas coisas giras.
ah ah ah

Beijinhos para as damas e um passou bem para os cavalheiros...eh eh

António

domingo, outubro 16, 2005

Reencontro - parte II

- Boa tarde! – disse Paulo após entrar no seu apartamento e enquanto se aproximava de sua mulher para lhe dar o habitual beijo nos lábios.
- Boa tarde! – respondeu Inês pondo o rosto a jeito para que se cumprisse o ritual – como correram as aulas?
- Bem! Nada de especial a assinalar – respondeu enquanto se dirigia para o quarto que lhe serve de escritório – Hoje o dia foi extenuante. Aulas desde as 8 e meia da manhã até às 6. Mal tive tempo para comer – queixa-se o professor.
- Não ouvi nada do que disseste – disse a mulher.
- Deixa lá! Não foi nada de especial! – suspirou. O rapazinho está em casa?
Do outro lado, o silêncio.
- É surda, o raio da mulher – resmungou.
Verificados os papéis e arrumado o que pretendia, foi para a sala não sem antes ligar o seu computador.
- O Diogo está em casa? – repetiu.
- Ah…agora ouvi. Já sabes que não entendo o que dizes quando falas lá de dentro, especialmente com água a correr – esclareceu a professora do básico.
- Parece que não está! – conclui o pai de Diogo.
- Foi lá para baixo brincar um bocado. Esteve toda a tarde a estudar – explicou ela.
- A que hora jantamos? – quis saber o homem.
- Daqui a meia-hora.
- Portanto, às 8 – afirmou depois de ter olhado o relógio do leitor de DVD´s que repousa no pequeno móvel em frente da poltrona em que está sentado – é melhor chamar o rapaz.
- Chama-o tu, por favor!
- Ok, ok – condescende, enquanto se levanta lentamente e se dirige à larga janela da sala.
- Diogo! Sobe! Vamos jantar! – gritou para ser bem ouvido pelo filho que está com outros jovens adolescentes no jardim em frente ao prédio.
O moço não demorou mais de um minuto para vir numa corrida saltitante até à porta que abriu digitando um código no sistema electrónico. Quando o pai lhe dá alguma ordem ele obedece de imediato. Com a mãe não acontece exactamente o mesmo. Ela tem de repetir a ordem, mas não muitas vezes. Também é autoritária, mas é mãe. Pouco depois tocou a campainha da habitação.

- Já está aberta! – avisou o pai em voz alta.
- Boa tarde, papá! – disse o moço enquanto beijava o pai, depois de ter entrado.
- Olá, filho! Então as aulas correram bem?
- Correram, sim – respondeu o miúdo enquanto corria a refugiar-se no quarto.
- Vai tomar banho, já! – interveio a mãe.
- Ouviste? Vai já tomar banho! O pai está cansado e com fome – reforçou Paulo a ordem da mulher.
E o rapazito, sempre aos saltos, fechou-se no seu quarto de banho.
- O raio do rapaz nunca pára quieto – disse, com um sorriso nos lábios, a mãe.
- É natural nesta idade.
- Hoje chegaste mais tarde – observou Inês.
- Um pouco. Houve um acidente logo a seguir ao nó de Vila do Conde. Perdi cerca de meia hora.

- Não sei porque não telefonaste?
- Não tinha carga no telemóvel – justifica-se o homem.
- Já sabes que não gosto que te atrases e fiques sem dizer nada – resmungou Inês.
- O atraso também não foi nada de especial – e continuou a olhar para o televisor onde ía vendo e escutando as notícias.
Entretanto, Inês fechou a porta de ligação entre a cozinha e a sala para evitar que o cheiro do peixe a fritar passasse para a zona mais nobre.
- Com licença! É o que se diz na minha terra – desabafou ele.
Passados alguns minutos estão os três sentados a jantar.
- Então o que aprendeste hoje? – quis saber o pai.
- Tive Matemática, Inglês…
Toca o telefone.
Paulo levantou-se e foi atender, sentando-se novamente no seu sofá.
- Quem fala?...Ah…és tu! Está tudo bem?... está sem carga…depois de amanhã?...quarta, sim…também é o único dia compatível…no sítio das últimas vezes…ok…às oito e meia…certíssimo…cumprimentos à Manela e aos miúdos…lá estarei…um abraço.
Entretanto começou o noticiário das oito. Paulo elevou o som do televisor, pousou o auscultador e regressou ao lugar.
- Quarta-feira não como em casa. Vou à janta habitual com o Jorge e o Mário – informou a mulher.
- Jantar e não só! Vê lá se chegas a casa a horas decentes – disse ela pouco satisfeita.
- Já sabes que estes jantares são a minha escapadela. São bons para desopilar.
- Desopilar! Acho que é uma boa palavra.
- Deixa-me ouvir estas notícias que são importantes – pediu Paulo.
- A conversa não te agrada! – sentenciou Inês.
Ele não respondeu.
E até ao fim da refeição nada de especial se conversou, salvo umas recomendações da mãe ao filho.
Depois do jantar, todos ajudaram a levantar a mesa, a mãe tratou da limpeza da cozinha e Diogo foi quem enxugou alguma loiça com um pano.
Paulo fez um café, voltou ao sofá e lá ficou até ao fim do telejornal. Depois foi para o seu PC onde se entretém habitualmente até ir dormir.
Diogo voltou ao quarto. Agarrou-se ao computador para brincar com uns jogos.
Inês ligou o rádio e começou a trabalhar na mesa da sala. Um dos quatro quartos funciona como seu escritório, mas gosta muito de ficar na mesa de jantar a fazer o que tem a fazer. Hoje não usa o seu PC portátil, comprado recentemente e que gosta de exibir, especialmente perante as colegas.
Por volta das dez e meia a mãe ordenou ao rapaz para se deitar. O pai, prevendo que a ordem não fosse cumprida com o mínimo de rapidez levantou-se, foi até à porta do quarto do filho e disse:
- Diogo! Cama!
Regressou ao seu lugar onde, pouco depois, o rapazinho lhe veio dar um beijo de boas noites. E continuou a saltitar até à sala onde se despediu da mãe, não sem esta lhe ter feito mais recomendações. Algumas já muitas vezes repetidas.
- Ó mãe! Já sei isso tudo! Já me disseste tantas vezes!
E zarpou!
Por volta das onze e meia Inês foi para a cama dizendo um seco “Boa noite” ao marido quando passou pelo escritório.
- Já está amuada outra vez. Uff! – disse para si próprio.
Finalmente, por volta da meia-noite e tal, foi Paulo quem se recolheu. Procurou não acordar a mulher. Sabe que se tentasse alguma aproximação quando ela está amuada, levava uma nega.

O rádio despertador começou a tocar cedo. Às sete e vinte. Ambos puseram os pés no chão no mesmo minuto. Inês foi para o quarto do filho. Paulo para a casa de banho com um pequeno rádio portátil.
Depois de feita a higiene matinal todos tomam um frugal pequeno-almoço na mesa da cozinha. Só nesta altura se conversa alguma coisa. Antes, só ensonados bons-dias.
E a mãe não deixou, como sempre, de fazer mais recomendações ao mocito:
- Diogo, levas isto?
- Diogo, fizeste aquilo?
- Diogo, não te esqueças daqueloutro.
Nem o pai escapou ao eficaz controlo da matriarca:
- Paulo, não te esqueças de avisar se chegares mais tarde.
E saíram ao mesmo tempo de casa. Mas não antes que Inês fizesse uma última verificação dos pormenores que quinze anos de casada e de responsável pelo bom funcionamento do lar lhe ensinaram.
O filho foi com o pai para Matosinhos.
A mãe conduziu a sua viatura para a escola, muito perto de casa. Podia ir a pé, mas só o faz às vezes.
Como todos tem horários diferentes a cada dia, pais docentes, filho discente, é Inês quem tudo controla diariamente. A eficácia do funcionamento familiar depende da sua permanente atenção e orientação.
Normalmente nenhum vem almoçar a casa. As cantinas ou restaurantes existem para ser utilizados. Como vivem com razoável desafogo financeiro, não tem de fazer muitas contas.
Eis uma família da média burguesia suburbana, em crise.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Reencontro - parte I - Preâmbulo

Paulo Morais é professor de Química numa escola secundária de Matosinhos. Neste ano lectivo só tem turmas do 12º. Mas também dá aulas num colégio particular da Póvoa do Varzim. Aqui tem o 10º e o 11º anos. O tempo está, consequentemente, bastante ocupado.
Já fez 45 anos. Licenciado em Química pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, acabou a licenciatura com 23 anos e sem chumbo nenhum. Foi logo para o ensino.
Com 1,72 m e 70 kg de peso, é um tipo elegante, de cabelo forte e castanho-escuro sem cãs ou calva visíveis. Voz com um bonito timbre grave, é frequentemente assediado por colegas e outras mulheres que o acham um belo exemplar do sexo forte.
Calmo, sensato, caseiro mas não muito seguro, adora ensinar. Também ver cinema e ouvir música. Mas, actualmente, é no computador que passa a maior parte das horas vagas. Não prescinde de uns jogos de futebol na TV, nomeadamente do seu clube de sempre, o F.C. do Porto.
Os pais, ambos com 68 anos, vivem na cidade Invicta. Tem duas irmãs mais novas, ambas casadas. Uma, Teresa, com 41 anos, mora perto dos pais com o marido e um filho. A outra, Leonor, com 37, vive em Guimarães e tem três filhas.
Antes de casar teve várias namoradas e aventuras amorosas, algumas bem tórridas. Tem alguma dificuldade em resistir aos encantos do sexo oposto. Mas não lhe são conhecidos casos de flagrante infidelidade. Se alguns houveram, os únicos a saber serão provavelmente os seus dois grandes amigos: Jorge Martins e Mário Gouveia.
Frequenta um ginásio três vezes por semana, ao fim da tarde, mas falta com frequência.
Aos sábados de manhã costuma ir ao Norte Shopping tomar um café e comprar e ler o “Expresso”. Por vezes leva o filho. Outras, deixa-o ficar a dormir. Aproveita a faz algumas compras, quer pessoais quer para a casa.

É casado há 15 anos com Inês Veloso, professora do 1º ciclo do ensino básico numa escola situada em Leça da Palmeira, do lado norte do porto de Leixões. Com 42 anos, é formada pela Escola Superior de Educação do Porto. Bastante mais baixa que o marido, só tem 1,58 m de altura, pesa 52 kg, pelo que é também bastante elegante. Não é muito bonita, sobretudo quando fica com cara de poucos amigos, mas como se maquilha bastante bem e veste ainda melhor, tem uma magnífica aparência. Tem “charme”. Quando está bem disposta tem um aspecto facial muito mais interessante. Os cabelos de tamanho médio e suavemente ondulados, pintados de castanho claro com madeixas, são cuidados com enorme desvelo. É talvez o aspecto físico que mais realça da sua figura. O seu hobby principal e quasi exclusivo é a leitura.
Não tem mais nenhumas actividades além da profissional e da doméstica. Embora pudesse fazer muito pouco em casa pois tem fortuna suficiente para contratar empregadas, tem muito gosto pelas lides caseiras, nomeadamente a culinária.
Frenética, autoritária e dominadora, sem grande sentido de humor é, no entanto, eficaz em tudo o que faz. Herdou essa característica do seu pai, falecido há dez anos com apenas 57 anos de idade. E, sendo filha única, herdou também uma boa maquia que lhe propiciou ser a principal contribuinte do casal para a compra do magnífico apartamento que possuem e habitam em Leça da Palmeira, com uma soberba vista para o mar. A mãe, tendo ficado viúva aos 52 anos, casou pela segunda vez pouco depois, vivendo numa interessante vivenda na zona da Foz do Douro.
Também frequenta um ginásio três vezes por semana, mas por volta das cinco da tarde, portanto mais cedo que o cônjuge e raramente falta.
Teve somente um namoro sério, dos 22 aos 25 anos, tendo conhecido o marido no Algarve, nas férias do ano seguinte, e casado um ano depois.

O filho único do casal, Diogo, é um miúdo inteligente e traquina. No fundo, igual a muitos da mesma idade. Tem uma educação severa. Nenhum dos progenitores o deixa pôr o pé em ramo verde. Tem 13 anos e frequenta o 7º ano do básico. Ao contrário da maior parte dos jovens, entende-se muito bem com os números. E tem uma excelente memória. Magro e alto para a idade, usa o cabelo castanho bem crescido. É ainda bastante infantil e gasta demasiado tempo com jogos no seu computador, mau grado as recomendações dos pais. Só uma voz que lhe fale de modo bem autoritário o faz cumprir de imediato as determinações. Ao contrário do que seria de supor, é o pai quem tem mais sucesso nessas manifestações de autoridade.

domingo, outubro 09, 2005

Sapatos nos meus pés

Quis o Destino, a Providência, a Natureza ou os cromossomas dos meus antepassados, que a minha anatomia fosse dotada de dois belos pés, de tamanho pequeno, sem calosidades nem unhas encravadas.
Apesar do seu tamanho, estão aptos a pisar ou pontapear os meus inimigos, desde que estes sejam raquíticos e enfezados e não praticantes de boxe, halterofilismo, râguebi, judo e outras artes marciais. Se forem desses tipos mais corpulentos e atléticos, prefiro poupar os pezinhos ao desagradável contacto com brutamontes e mandar uns calhaus de longe. E não me venham dizer que é cobardia porque já o famoso, cantado e recantado rei David, quando jovem, utilizou essa nobre táctica guerreira para desfeitear o calmeirão do Golias.
Mas, e deixando-me de divagações bíblicas, voltemos aos meus calcantes.
Como não há bela sem senão, os meus pés de príncipe encantado tem duas facetas menos simpáticas.
Uma delas é a de terem a forma de barbatana.
Podereis dizer com toda a oportunidade: “Mas então tu deves ser um grande nadador!”.
Mas não sou, não senhor!
Nem jamais tive grande queda para esta (e outras) prática desportiva. Sempre preferi ser um desportista de bancada e, agora, de sofá.
A outra é a de serem dotados de dois lindos e redondinhos joanetes que lhe dão um aspecto encantatório mas, por vezes, pouco prático.
Pois o que acontece é que quando vou comprar sapatos, normalmente com o número 39, e tendo o hábito, já com décadas, de usar esse importante adereço corporal com pala e sem cordões (ou atacadores, como também se diz na minha terra), acabo por adquirir sempre um par que fica muito elegantemente justo ao pé.
Ora aqui é que a porca torce o rabo!
Quando vou usar o material pela primeira vez, ao fim de poucos minutos sinto-me na pele daquelas meninas japonesas de que já ouviram com certeza falar e que sofriam horrores para manter os pezinhos do tamanho com que nasceram.
E então começa a saga da adaptação dos simpáticos terminais dos membros inferiores aos seus novos invólucros.
Desde dar-lhes (aos sapatos, bem entendido) umas valentes pisadelas e torções, a besuntar os pés com creme Nívea (passe a publicidade) e calçá-los sem peúgas para andar por casa, a friccioná-los interiormente com álcool etílico (se usasse do desnaturado poderiam ficar venenosos), a usá-los para ir à rua andar 100 m e depois voltar, tudo tenho experimentado.
Mas o resultado é invariavelmente o mesmo. Só ao fim de 1 ou 2 anos é que consigo ter os sapatos suportáveis. Claro que nessa altura já não estão propriamente na moda, mas como sou uma pessoa modesta, quero que os modernismos se lixem!
Contudo, ao fim de 5 anos e outras tantas idas ao sapateiro remendão para pôr umas meias solas, é que o sapatinho assenta como uma luva. É o meu modelo favorito, o sapato-luva.
E quando, já velhinhos e sem conserto tenho de os mandar para o lixo, sinto uma tristeza de me virem as lágrimas aos olhos. Mas dizem-me que parece mal eu andar com os sapatos todos abertos dos lados (sinceramente eu acho que até é mais saudável porque o pé respira muito melhor) e mais isto e mais aquilo, e como eu sou pacifista e não quero guerras de alecrim e manjerona, lá me despeço dos velhos amigos que me deixam triste e com uma saudade infinda.
Agora pergunto:
Se isto acontece comigo que tenho uns pés delicados e belos, o que não sofrerão os desgraçados que tem umas patorras disformes e tortas como um ramo de árvore?
Pobres coitados!

quarta-feira, outubro 05, 2005

No velho mIRC - parte V - Epílogo

ELE: Boa noite, Ana Maria!
ELA: Boa noite, Rui Madureira! lololol
ELE: Está tudo bem contigo?
ELA: Sim! E contigo?
ELE: Tudo bem!
ELA: Sonhaste muito?
ELE: Não me lembro!
ELA: Quero dizer: sonhaste seco ou molhado?
ELE: lololol Acho que mais para o húmido!
ELA: A propósito! Não tens nenhuma empregada?
ELE: Tenho. É uma senhora que vem cá fazer as limpezas do chão, limpar o pó, essas coisas. Todos os dias, uma hora. Dias úteis, claro!
ELA: E trata da tua roupa?
ELE: Sim. Não é complicado. Eu podia fazê-lo; mas o dinheiro serve para estas coisas.
ELA: E do pijama também?
ELE: Malvada! Tu és o máximo! A volta que deste para me lixar.
ELA: Mas trata ou não trata?
ELE: Claro que sim! Já tem cerca de 60 anos. Não deve estranhar ver alguns tipos de manchas.
ELA: Lá isso é verdade!
ELE: Tenho uma novidade para te dar.
ELA: Boa ou má?
ELE: Suponho que será boa.
ELA: Estão, desembucha!
ELE: Na próxima 2ª feira tenho de estar aí em Lx.
ELA: Hoje é…6ª. É 6ª, não é?
ELE: Exactamente! É a nossa quinta conversa.
ELA: Começamos na 2ª. E passada uma semana vens cá!
ELE: Vou no domingo ao fim da tarde. Assim durmo aí e de manhã posso ir tratar dos assuntos cedinho. E regressar a horas decentes.
ELA: A que horas vens?
ELE: Espero chegar aí pelas 6 ou 7 da tarde. Normalmente iria um pouco mais tarde, mas como quero que venhas jantar comigo…
ELA: O convite está aceite há muito tempo.
ELE: Onde queres jantar?
ELA: Num sítio romântico.
ELE: Já sabia o que ias responder.
ELA: Então porque perguntaste?
ELE: Para confirmar. lololol
ELA: Escolhe tu. Deves ser especialista.
ELE: Conheço vários sítios bons. Mas preferes aí, na tua zona ou mais perto do centro?
ELA: Deixa-me pensar…
ELE: Para mim é indiferente.
ELA: Olha, Rui! Por mim, em termos de distância, não me faz diferença. Mas depois de jantar onde vamos? Poderíamos vir a minha casa mas, com o meu filho cá, não quero que aconteça nada de especial. Percebes?
ELE: Perfeitamente.
ELA: Escolhe tu! Não é preciso ser hoje.
ELE: Está bem! Estava a pensar jantar no hotel e dar uma voltinha a pé por esta zona.
ELA: Pois! Para fazer a digestão lololol
ELE: Mas podemos ir passear para outro sítio.
ELA: Pensas e depois fazes uma proposta agradável.
ELE: Ok!
ELA: Posso fazer-te uma pergunta difícil?
ELE: Podes!
ELA: Tu não tens filhos! Mas pretendes ter, acertei?
ELE: Sim! Tenho 3 sobrinhos de quem gosto muito mas gostaria de ter um filho.
ELA: Eu pensei nisso pouco depois do início das nossas conversas. Foi sobretudo por isso que eu te disse a verdade acerca da minha idade. Com 45 anos, ainda não tenho qualquer sinal de menopausa, mas uma gravidez seria de risco. Pelo menos é o que dizem os médicos. Portanto, qualquer ligação mais permanente entre nós (e eu sei que estou a pôr o carro à frente dos bois, mas acho que é importante falar nisto) poderia implicar que eu não te desse um filho. Já pensaste nisto?
ELE: Pensei, mas não meditei muito no assunto. Acho que é muito cedo.
ELA: Para ti, talvez; não para mim.
ELE: Como já te disse não meditei no assunto. Para mim é, de facto, prematuro. Não nos conhecemos pessoalmente e aqui, nem uma semana temos de conversa. Se te considerasse como a companheira ideal, poderia prescindir de filhos.
ELA: Já não seria a companheira ideal.
ELE: Uma das minhas amigas lésbicas quer ter um filho meu. Mas não me agrada muito ter um filho nessas condições.
ELA: Percebo.
ELE: Resumindo: consideras que a probabilidade de um dia termos uma vida em comum é baixa.
ELA: Exactamente. Mas também te digo que não é isso que me impede de ir jantar contigo e depois, se tal se propiciar, termos uns momentos íntimos. De facto, ando a precisar de homem. Mas assim as coisas ficam mais claras. E, depois, seja o que Deus quiser!
ELE: Podemos continuar esta conversa em Lx. Durante ou depois do jantar. Ou aqui, depois de eu regressar. E lembra-te que daqui a duas semanas vou para aí passar uma pequena temporada.
ELA: Carpe diem!
ELE: Gostei da maneira como puseste o problema e da forma aberta e inteligente como o encaras.
ELA: Tenho de procurar ser feliz, o mais que puder.
ELE: Tu és uma mulher estupenda.
ELA: Não exageres! Sou como sou. Tenho virtudes e defeitos. Como tu e como toda a gente.
ELE: Mas que me encantas particularmente, isso é verdade. Pelo menos antes da prova dos nove.
ELA: Tu também! E percebo que não tenhas abordado a questão de ter um filho antes. Se estivesse no teu lugar (o que não é fácil) provavelmente ter-me-ía comportado da mesma forma.
ELE: Hoje a conversa tem sido séria.
ELA: Tem de haver um tempo para tudo. Mas estou satisfeita que venhas cá. E quero estar contigo. Muito!
ELE: Eu também!
ELA: Hoje sou eu que me despeço. Embora amanhã não trabalhe, quero-me levantar cedo.
ELE: Amanhã apareces aqui?
ELA: Claro! Temos de combinar as coisas. No domingo já cá estás ao fim da tarde.
ELE: Eu faço-te uma proposta indecente.
ELA: Não espero outra coisa lololol
ELE: Então dorme bem.
ELA: Não sei se vou adormecer rapidamente. Mas bebo um whisky que é um bom potenciador do sono. E faz bem à circulação lololol
ELE: Beijinhos *******************
ELA: Para ti também *****************
ELE: Xau
ELA: Dorme bem. Descansa. Quero-te em forma lolololol
ELE: lololol Espero corresponder às tuas elevadas expectativas lololol
ELA: ******************
ELE: ********************
ELA: Xau *****************
ELE: Vou sair.
ELA: Saí.


EPÍLOGO

Rui foi a Lisboa e jantou com Ana Maria num restaurante das Portas de Santo Antão (os portuenses gostam muito de ir comer em restaurantes daquela rua).
Depois andaram a pé, para lá e para cá, de mão dada (pois como ela é mais alta que ele, não dava jeito pôr o braço pelo ombro), durante bastante tempo. A atracção que tinham sentido no chat confirmou-se em pleno no decurso deste convívio pessoal e directo. O humor esteve sempre presente funcionando como condimento afrodisíaco.
Não eram duas pessoas que se encaixassem nos padrões de beleza da época, mas será que isso é o mais importante? Não o é, certamente!
Ao fim de duas horas, não sem antes terem estado sentados num café e bebido uma bica, dirigiram-se ao hotel onde Rui estava hospedado. O bar estava aberto e tomaram um whisky cada um.
Subiram ao quarto onde se envolveram em jogos amorosos que os deixaram extenuados e satisfeitos. Sem dúvida que houvera o tal clique. Ana e Rui tinham passado a prova dos nove.
Já passava das quatro da manhã quando saíram. Rui acompanhou Ana a casa e regressou de táxi. “Gesto bonito, de um homem a sério” comentou ela.

Na 2ª feira já não falaram só no chat. Também se telefonaram.
E os dias foram prosseguindo com um crescendo de paixão que atingiu o ponto mais alto quando Rui esteve duas semanas na capital.
A questão de terem ou não um filho voltou a ser abordada várias vezes.
Mas, quando Rui voltou para casa e a distância não permitia o contacto directo e diário, as conversas no chat começaram a tornar-se monótonas e a ser progressivamente mais curtas e mais espaçadas.
Entretanto, Rui conhece outra rapariga que se mudara para o mesmo prédio. Dez anos mais nova, baixa, elegantemente magra e muito bonita, mas sem a presença imponente, alegre e bem humorada que tinha Ana Maria. Envolveram-se. E ela, Sara, calculista, deixou-se engravidar premeditadamente e sem nada combinar previamente com o namorado. E Rui, que mais não fosse porque estava ávido de ser pai, caiu na armadilha. Ou fingiu que o fez.

Nunca houve paixão. Só um amor sereno que foi sobrevivendo com o tempo e com os dois filhos que tiveram.
Ana Maria continuou a ser a favorita de Rui. Quando ía a Lisboa tinham invariavelmente os seus fogosos encontros. Consolidaram o estatuto de amigos e amantes. Era dela que o agora “exemplar” pai e marido verdadeiramente gostava.
Ela ficou sempre sozinha. Rui era o seu favorito, mas continuou a manter encontros clandestinos com o amigo do ex-marido.
Até hoje!

sábado, outubro 01, 2005

No velho mIRC - parte IV

ELE: Olá, loiraça!
ELA: Como está o coração de manteiga?
ELE: Derretido.
ELA: Sentaste-te no fogão?
ELE: Se tivesse sentado não era o coração que tinha derretido lololol
ELA: Então porque estás derretido?
ELE: Não sou eu. É o coração.
ELA: Chato! Diz lá!
ELE: Porque durante o dia penso várias vezes em ti.
ELA: Também eu.
ELE: Penso que estou apanhado. O que me espanta é a rapidez.
ELA: Também eu.
ELE: Já te tinha acontecido isto?
ELA: Nunca. Mas também não sou muito de andar nos chats.
ELE: Como passas as horas livres?
ELA: Leio. Leio muito. Sou professora de português, lembras-te? Procuro estar a par do que é escrito, principalmente por autores portugas.
ELE: E não fazes exercício? A leitura é baril mas gera sedentarismo.
ELA: Por isso tenho uns quilos a mais.
ELE: Recomendo-te um ginásio. Ou, se tens espaço em casa, comprar um tapete e uma bicicleta estática para te mexeres.
ELA: Já pensei nisso.
ELE: Então é altura de passar à acção.
ELA: Já queres passar à acção? Olha que eu não estou preparada!
ELE: És mesmo descarada! lololol Mas essa maneira de ser pica-me. Gosto!
ELA: Gostas de ser picado? Tratas o coração por acupunctura?
ELE: Também já estás sem homem há 2 anos. Deves andar folgada.
ELA: Fui a uma sexy-shop e comprei 3 vibradores.
ELE: lolololol Sério? E usas?
ELA: Às vezes!
ELE: E agrada-te?
ELA: É como comer arroz de pato sem pato lololol
ELE: lolololol
ELA: E tu não tens uma boneca insuflável? lololol
ELE: Adoro essa tua lata!
ELA: Não mudes de assunto. Parece que compraste mesmo!
ELE: Não! Tenho algumas amigas bastante dadas e que gostam de me ver bem disposto.
ELA: Puxa! Que garanhão! Então não vais às putas?
ELE: Raramente. Desenrasco-me bem sem ter de pagar.
ELA: Estou a ver que sim! Mas pagas uns jantares às amigas.
ELE: Pago, porque gosto da companhia. Mas algumas querem a meias. Contas à moda do Porto!
ELA: Quer dizer…tens um regimento (feminino, bem entendido) ao teu dispor.
ELE: São 3 velhas amigas e conhecidas. Duas são lésbicas.
ELA: My God…ménage à trois. Agora percebo porque trabalhas nas montagens. Montar é a tua especialidade lololol
ELE: Também não é tanto assim. A frequência desses encontros é mensal…mais ou menos.
ELA: E quando estás fora?
ELE: É quando recorro à prostituição. Mas só quando estou muito apertado lololol
ELA: E em Lx?
ELE: Idem
ELA: Humm…acho que me estás a ocultar qualquer coisa.
ELE: Porque achas isso? É o sexto sentido a funcionar?
ELA: Talvez…mas não te quero pressionar.
ELE: Acho bem. Pressionas depois.
ELA: Ó pra ele, feito galo!
ELE: Afinal hoje era noite para falares de ti e ainda não disseste tudo.
ELA: Já te falei nos vibradores.
ELE: Além disso. Não me parece que tenhas estado 2 anos só com vibradores.
(pausa)
ELA: Só te digo se me falares das tuas amigas de Lx.
ELE: Chantagista! lololol
ELA: Só falas se quiseres, claro!
ELE: Ok! Tenho uma amiga mais íntima. Só uma.
ELA: Bem me queria parecer!
ELE: Agora é a tua vez!
ELA: Diz-me só que idade tem. Sinto que é uma perigosa concorrente.
ELE: Tem 38, é casada e tem 2 filhos. Não é concorrente.
ELA: E como a conheceste?
ELE: Aqui! Mas agora é a tua vez de responderes.
ELA: Eu respondo! O prometido é devido.
ELE: Assim é que é falar.
ELA: Vou-te dizer uma coisa muito confidencial. Mas acho que tu mereces que seja verdadeira contigo. Foste muito porreiro a contar-me tanta coisa.
ELE: Sempre me dei bem a falar a verdade. Não é a postura mais habitual. Mas é a que permite que as pessoas acreditem em mim. Já tinhas cortado uns anitos na idade e depois repuseste a verdade.
ELA: Corrigi! Não sabes se é a verdade.
ELE: Acho que é! Digo-te mais: tenho a certeza.
ELA: Podes ter!
ELE: Já estás preparada para a confidência? Eu guardo sigilo completo, podes ter a certeza.
ELA: É assim: ninguém mais sabe. Tenho alguns encontros (raros) com um amigo do meu ex. Mas ele é casado e tem filhos. E gosta muito da mulher. Mas eu preciso de alguém com quem possa estar de vez em quando.
ELE: Eu compreendo perfeitamente.
ELA: Mas olha que é raro. Os encontros são numa pensão que eu nem sei bem onde é, e tem intervalos superiores a um mês.
ELE: Não faço mais perguntas.
ELA: Também não tenho mais respostas para dar.
ELE: Sabes que fiquei com um certo ciúme? É melhor não me apresentares esse amigo pois posso reagir mal lololol
ELA: Claro que não apresento. Cada coisa no seu lugar!
ELE: Estava a brincar.
ELA: Tlm
(cerca de 10 minutos depois)
ELA: Desculpa! Era a minha tia a dizer que a mãe não se sentia bem
ELE: (nada)
ELA: OI! RUUUUUUUUUUIIIIIIII
ELE: Estava a ler o que escreveste. Algum problema grave?
ELA: Penso que não. Acontece muitas vezes. Tem dificuldades respiratórias, mas é mais psicológico.
ELE: Não vais lá?
ELA: Não! A minha tia acha que não é necessário. Já conhece os sintomas. Se fosse mais intenso ou parecesse uma coisa nova, ela pedia-me para ir. É mais para me manter informada.
ELE: Tu já a conheces e aos seus problemas. Sabes o que fazes.
ELA: Claro! Desculpa a demora.
ELE: Não te preocupes. Bebi água e fiz um xixi.
ELA: O costume. lololol
ELE: E fumei um cigarrito enquanto olhava para os anúncios na TV.
ELA: Fumas?
ELE: Pouco! 10 a 15 cigarros por dia.
ELA: Já não é assim tão pouco.
ELE: Não! Qualquer dia reduzo. Ou acabo mesmo. O estar sozinho é que me lixa. 80 ou 90 % do que fumo é aqui.
ELA: Eu só fumo 2, 3 ou 4. Depois dos cafés. Mais nada!
ELE: Isso é muito bom.
ELA: Mas o André fuma 2 maços. Eu bem lhe dou na cabeça, mas…
ELE: Se deixares de lhe falar nisso pode reduzir ou cessar mais depressa.
ELA: Talvez tenhas razão. O espírito de contradição dos jovens. Acho que vou seguir o teu conselho.
ELE: Olha! Acho que vou sair. Sou sempre eu a dar o pontapé de saída.
ELA: Alguém tem de começar.
ELE: Vais usar o vibrador, hoje?
ELA: lololol Talvez! lololol
ELE: Bom sinal. lololol
ELA: Enfim! À falta de melhor! lolololol
ELE: E não fumas um cigarro depois? lolololol
ELA: Não! O charuto basta. lololol
ELE: lololol Beijinhos ************************
ELA: Para ti, também **********************
ELE: E tem um bom dia amanhã.
ELA: Obrigado. Tu também.
ELE: Bons sonhos!
ELA: E tu vais usar a…esquece…lololol
ELE: És terrível, Ana!
ELA: Ana, a terrível…lololol
ELE: Xau *******************************
ELA: Bons sonhos **************************
ELE: Amanhã cá estamos?
ELA: Agora não quero outra coisa. Quer dizer….
ELE: Gosto muito de conversar contigo
ELA: Eu também.
ELE: Vou sair *
ELA: Muitos beijos ********************
ELE: Também. Saí.